sábado, 28 de março de 2009

REFÉM

Sentou-se na cadeira do jardim, esticou as pernas e pousou a cabeça na palma das mãos. O fumo do cigarro dissipava-se pela curva dos braços.
Levantou o olhar à altura da linha do horizonte, apetecia-lhe fugir, gritar, apetecia-lhe morrer para renascer de novo, apetecia-lhe odiar porque a dor de amar era demasiado brutal e agonizante, apetecia-lhe perder as memórias, queria ser esquecido…
Enquanto o ar do entardecer entrava no jardim, apagou o cigarro no chão, levantou-se da cadeira e simplesmente ali ficou, a olhar o céu, enquanto o vento arrancava as pétalas das flores e levantava a poeira do caminho, desejou partir com ele, mas ali ficou, parado… Virou-se e parou na soleira da porta, a noite chegava, com ela o sonho, e com o sonho uma voz sumida, um riso abafado pelo silêncio e ali ficou refém das meias palavras, da meia luz e do sabor agridoce do amor...



1 comentário:

tzze disse...

muito bem conseguido... gosto deste... parabens keep going

EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...