terça-feira, 21 de abril de 2009

ABISMO

Ando de sobressalto em sobressalto sob a falsa capa de uma pretensa segurança.
Permito-me a autênticos saltos de fé, passos no escuro fingindo querer sair dessa escuridão, dessa cegueira auto-imposta.
Enquanto mato os sonhos, vendo a alma por uns míseros tostões, só para acalmar a dor, só para me convencer que sou muito mais do que isto, uma sombra, um reflexo opaco no espelho à espera de ser limpo, uma marca na parede do tempo, pronta a ser tapada pelo esquecimento.
As palavras sempre me soaram vãs, mesmo as que escrevo.
Perante a minha incapacidade de mover a pedra e sair da caverna da minha cobardia, afundo-me na fácil acomodação do meu desespero.
Inauguro uma nova noite, à espera que o sono chegue e apague a mágoa de mais um dia, mais um fracasso, mais um desapontamento.
Liberto o pensamento à espera de liberdade, como se fosse algo que se pudesse obter sem um preço.
Enquanto miro o abismo, penduro-me no limite, provando a resistência do corpo, sorvendo a brisa agreste.
A mancha é apagada, o reflexo é de novo límpido e brilhante.
Bruno Carvalho
Foto por: grENDel

Sem comentários:

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...