segunda-feira, 27 de abril de 2009

COMPLICAR

Como um amigo meu costuma dizer muitas vezes, gostamos de complicar o que é fácil.
Passamos a vida a tentar arranjar um sentido para a vida como se isso fosse de facto uma desculpa para sofrermos, passamos a vida a tentar esquecer o que sentimos só porque alguém nos disse uma vez que sentir isso era errado, complicamos, complicamos os sentimentos e depois arranjamos desculpas e bodes expiatórios para as nossas atitudes, seria tão mais fácil, mas contrário à condição humana, deixar as coisas fluirem conforme o que de facto sentimos, não conforme o que nos dizem que devemos sentir.
Buscamos desculpas por o mundo não ser justo, por injustamente sofrermos a cada desilusão, mas na verdade queremos sofrer, pois vamos contra o que sentimos, complicamos.
Pensamos na morte, mas não pensamos como ela é terminal, como se a morte pudesse fazer esquecer o sofrimento. Sentimos raiva, mas não pensamos como ela nos pode corroer e tornar vazios, e tudo isto porque complicamos.
Porque não por uma vez deixar o medo, a razão, a complexidade e ser simples, deixar o coração falar mesmo que dele só se perceba um bater acelerado, deixar as mãos tocar mesmo que só nos pareçam tremer, deixar os olhos sorrirem mesmo que deles só pareça que caem lágrimas.
Na simplicade dos pequenos gestos, das pequenas coisas reside a beleza.
A vida é simples, porquê complicá-la?
Bruno Carvalho
foto por: grENDel

1 comentário:

rute disse...

Muito, muito bom texto!!!

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