SANIDADE


E ali continuou ele fustigado pelas palavras moribundas.


Porque é que era tão difícil dizer adeus? Porque era tão complicado ter que escolher entre uma verdade conveniente e uma mentira piedosa?
Ali estava meio confuso, apanhando faminto as migalhas de atenção atiradas tão friamente, ali estava ainda convencido que a sua missão era íntegra e correcta.
Louco! Cego!
Continuava a escapar-lhe a verdade de tudo aquilo, queria compreender... Mas se tudo aquilo era falso, se todas aquelas sensações não passavam de ilusões tecidas por uma mente distorcida, porque é que doía tanto?
Porque é que tinha a sensação que todo o mundo estava contra ele? Porque é que tinha aquela urgência surda de lutar com todas as forças por algo perdido à partida?
Vergado por tantas dúvidas, turvado por tantos sentimentos contraditórios, saltou para a chuva e simplesmente andou...
Aquele não era de todo um bom dia, mais do que nunca parecia-lhe que partir era a única decisão com sentido a tomar. Mesmo que depois apenas restasse o vazio, o desinteresse e uma tonelada de esquecimento.

A sanidade era agora um pequeno luxo ao qual não tinha acesso.

Bruno Carvalho

Foto por: rattus

Comentários

R disse…
Sanidade é um belo conceito ;)

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