TRAGÉDIA

E agora aqui estou, morto. Com o testemunho do meu sangue escrito nas estrelas, queimo a restante luz, a escuridão virá, será uma longa noite.
As últimas palavras abandonadas ao meu lado, amaldiçoo o teu maldito disfarce, prefiro ver-te nua do que vestida com essa odiosa mortalha, enquanto a morte se ergue triunfante deixo os meus sonhos à deriva.
Uma doce tragédia, as minhas lágrimas geladas nos teus olhos, enquanto o Inverno veste a terra de branco e frio, eu queimo adeus em olhos moribundos.
Dou vivas à desolação, finalmente o fim chegou.
E enquanto a Norte a tempestade ser ergue firme sobre as ondas, ergo os meus olhos para Sul, onde deixei a luz ardida, a lembrança do amor, a tragédia da dor.
Furiosa e implacável vem a crueldade, com ela a doçura do adeus, que bem que a respiramos, nós Homens vestidos em peles de cordeiro, escondemos o lobo cá dentro, enganamos a luz, rasgamos a graça, pois é com ódio que se movem os nossos corações. Por isso ouvi ó mansos e piedosos, do chão nascerá o novo manifesto, das profundezas se erguerá a justiça e haverá choro e haverá escuridão, pois nós Homens novos respiramos a noite.
A luz da aurora brilhará enquanto o céu testemunhará o estertor da terra e em agonia assistiremos à justa morte do amor.


Bruno Carvalho

Foto por: Mariah

Comentários

rute disse…
A tua escrita é interessante.Apenas demasiado negra. Como se visses o mundo através de um opaco pedaço de pano preto.
Quando abrires os olhos, a tua escrita surgirá mais fluida e menos dramática...

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