quinta-feira, 14 de maio de 2009

AMO-TE

Deixei-me cair no sono pesado como se a noite pudesse esconder o brilho dos teus olhos e os sonhos esconderem a profundidade de uma amor há muito aprisionado.
Na chegada da manhã rebolei nos lençóis para ter a certeza de estar vivo, abri os olhos e fixei o tecto, imaginei o quanto aquelas paredes haviam presenciado ao longo dos tempos.
Ao meu lado tu respiravas profundamente numa cadência serena, afastei os teus cabelos da face e beijei-te, fiquei ali parado, simplesmente a desfrutar do aroma suave da tua pele, agarrei a tua mão e beijei ao de leve a tatuagem no teu pulso, acordaste, o teu sorriso espontâneo brotou dos teus lábios juntamente com uma melodioso bom dia que percorreu todos os poros do meu corpo num arrepio gelado de prazer. Fixei os teus olhos negros e jurei que naquele momento eles eram o espelho da minha alma.
Ficámos ali naquele silêncio só nosso, naquela ausência de palavras desnecessárias, em cada toque, em cada beijo, em cada olhar, uma certeza, uma promessa cumprida, uma força férrea de viver, finalmente, finalmente a vida fazia sentido e o futuro deixava de ser uma miragem.
Aquele momento parecia um poema, as tuas palavras escritas fundidas nas minhas, como os nossos corpos entrelaçados num véu de seda.
Estamos livres, libertos por um amor há muito aprisionado por um mundo que simplesmente não compreende que os fios do tempo jamais poderão tecer impossibilidades e confinado por uma razão que teima em subjugar o coração.
Meu amor, não preciso de palavras, preciso só da profundidade do teu olhar, da doçura do teu sorriso e da intensidade do teu beijo.
Fixei de novo os teu olhos negros e enquanto o teu sorriso formava no teu rosto covinhas de prazer, soprei nos teus lábios ao de leve um simples... Amo-te.

Bruno Carvalho

Foto por : grENDel

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