segunda-feira, 25 de maio de 2009

FOTOGRAFIA

Sentia-se como se estivesse preso numa fotografia, uma a preto e branco manchada pelas agruras do tempo.
Sentia-se estático, moldado pelo tempo em vez de se moldar a ele, sentia-se aprisionado na própria mente como se não houvesse de facto liberdade, como se tudo o que existisse fosse a sua supérflua miséria e os seus problemas.
Neste estado de coisas tudo a que se permitia era lamentar-se, culpar a vida como se ela tivesse vida própria e consciência, no fundo não se apercebia que a verdade estava ali não à frente dos seus olhos mas por detrás deles.
O tempo passou, as estações mudaram, o homem que era foi transformando em nada mais do que uma sombra dentro de si, não acreditava que de facto existia uma luz dentro dele, não de uma fonte externa mas sim uma luz dentro de si, uma luz tão bela que de facto até iluminava outras vidas.
Quando se apercebeu das maravilhas a que sempre se havia privado, ficou extasiado por viver. Afinal era aquilo a vida, aquela coisa estranha que já tinha ouvido falar mas que preso em si nunca conseguira experimentar.
Deu um passo no escuro e marcou para sempre na sua pele um sinal de fé, da dor renasceu para um novo estado de coisas, uma nova vontade de ser maior do que a frágil imagem no espelho.
Porém a complexidade das acções humanas não o havia prevenido para a nova tempestade, a nova prisão confundida com uma paixão pura, era pura sim, uma pura ilusão, uma fantasia sonhada por uma mente há muito confinada pela sua própria falta de coragem.
Então decidiu enfrentar a verdade, libertou-se das correntes nefastas que o prendiam a uma miragem, fez-se palavra para rasgar o silêncio, para buscar a verdade libertou-se num mundo para ele estranho e começou a descobrir quem era.
Finalmente começava a perceber quem era e o que fazia.
Finalmente a luz rompia a escuridão e a ignorância.

Bruno Carvalho

Foto por: adhil rangel

1 comentário:

dyphia disse...

estou completamente rendida aos seus txtos! sao magnificos... vou passar muitas mais vezes por cá

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