sexta-feira, 26 de junho de 2009

AMOR

Como poderei esquecer-te se tudo à minha volta me faz lembrar de ti?
Aqui estou eu como sempre estive, desde a primeira hora em que este amor se entranhou em mim, aqui estou eu de novo enredado num silêncio frio, sorvendo cada palavra tua como um bálsamo para a minha alma ferida.
Tentei odiar-te, confesso isso, mas como poderia? Cada pedaço de mim clama por ti a cada minuto que passa.
Tudo é ilusão até o termos transformado em realidade. Ciente que isto nada tem de racional deixo-me levar pois a vida merece ser vivida, deixo o medo atrás da porta, salto para a rua para arriscar pois estive demasiado tempo longe de mim, do verdadeiro eu.
E de novo tudo volta a ti, tu és o meu poema vivo, danças leve no papel solto da minha vida, saltando de linha em linha, por vezes nítido outras difuso, mas estás lá sempre.
Como gostaria de entender o porquê desta distância, o porquê deste silêncio, como se este sentimento fosse algo condenável, algo triste que se devesse matar à nascença, como poderia ser assim? condenado como fosse mentira.
Como conseguiria depois explicar aquele teu sorriso, que os céus me caiam em cima se aquele sorriso não foi dos mais sinceros e verdadeiros que vi, é maravilhoso como aquele teu sorriso é o espelho da tua beleza, tudo se concentra nele, tudo o que és se sintetiza naquele teu simples sorriso.
Dizes que não sei nada, que não sinto nada, mas eu digo-te, eu sei bem o que sinto, tenho coragem e tenho a força para lutar, da mesma forma que tenho a força para superar o medo de te perder.
Se assim for, se a vida for assim tão injusta, deixar-te-ei partir se me prometeres dizeres um último e definitivo adeus.
Aqui continuo a pairar na manhã, em cada manhã como uma nova bênção, um novo passo para a liberdade, mesmo que continues para sempre a fugir, sempre um passo à minha frente, estarei atento perdido num pensamento.
Acredita nada acontece por acaso, muito menos um sentimento assim, mesmo que o negues para sempre, mesmo que temas que entre na tua vida e a ilusão que parece tão querida se torne realidade.
As asas recuperam forças, é tempo de tentar de novo, é tempo de voar sem medo de cair.

Bruno Carvalho

Foto por: macroboy

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