sexta-feira, 5 de junho de 2009

PASSOS

Pousou-a no chão, ela sorriu.
Naquele dia chuvoso de Verão haviam saído sem chapéu na esperança de apanharem um valente banho, no entanto teimosamente o sol continuava a fugir das nuvens e tal hipótese parecia gorar-se, haviam decidido viver dia a dia, como aquele dia era de chuva resolveram viver a chuva, um contacto harmonioso com a natureza, para se sentirem vivos, livres debaixo de cada gota.

Era o primeiro passo, o primeiro passo para a libertação.

Pôs o braço sobre os ombros dela e puxou-a para si, ela carinhosamente encostou a testa no seu peito e ouviu o seu coração bater num ritmo cadenciado, hipnotizava, apetecia-lhe adormecer.

Era o primeiro passo, o primeiro passo para encurtar a distância.

Haviam combinado recordar-se como amigos, haviam prometido aproveitar cada minuto juntos sem constrangimentos, sem regras e sem pensamentos num futuro incerto. Decidiram desfrutar um do outro, da presença e segurança que um dava ao outro.
Ele deu-lhe a mão e apertou-a junto com as suas, fixou o olhos na profundidade dos dela, esboçou apenas um sorriso pois nada mais havia a dizer naquele momento, as feridas dela estavam a sarar, cada dia que passava ela descobria um novo som, um novo sabor, uma nova palavra, tudo lhe parecia novidade agora que se havia libertado dos grilhões de um amor condenado à nascença. Havia renascido nas palavras dele, havia descoberto nos seus olhos que nada acontecia por acaso.
Um trovão rebentou no céu, gota após gota, a chuva engrossou encharcando os seus corpos abraçados, rindo às gargalhadas permaneceram assim felizes, ele baixou a cabeça e beijou-lhe a testa.

Era o primeiro passo, o primeiro passo para matar a saudade.

Bruno Carvalho

Foto por: Juan Riera

2 comentários:

dyphia disse...

antecipas alguma coisa? ;)

ta lindo o texto...muito mesmo, adorei.

parabéns!

bjs

Bruno Carvalho disse...

Talvez ;)
obrigado pelas palavras meigas :)
beijinho

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