quinta-feira, 16 de julho de 2009

ANÓNIMO

Escrevo esta ode à solidão e ao silêncio, de braços abertos no vazio escapo ileso aos olhares alheios.
Assim vivo o meu anonimato, os dias todos iguais, as noites demasiado breves para que os sono faça esquecer que um novo dia virá, e depois mais outro, cada um igual aos demais.
Assim vivo ciente da impossibilidade, vivo na urgência de rasgar todo este silêncio com gritos de revolução, tento rasgar esta pele, para crescer uma nova, um nova pele num novo corpo e numa nova mente, uma mais visível, nem que seja só por segundos.
Apesar do clamor por uma nova vida, temo a mudança, assim afundo-me no recanto mais escondido de mim como se ficar escondido fosse a solução para minorar a dor, tudo parece tão distante quando passo a mão pelo espelho sujo e miro aqueles olhos vazios, os meus olhos, a minha vida reflectida.
E aqui fico a lamentar o destino, como se de facto o destino existisse, como se de facto a nossa vida fosse uma teia tecida por alguém e não um conjunto de decisões pessoais e intransmissíveis, é portanto minha responsabilidade viver e não esperar que os fios para mim tecidos sejam mais favoráveis num futuro distante que pode não passar de um sonho.
Escrevo poemas, alegorias a uma mulher de sonhos, abraços invisíveis, regaços de um fino ar, atolado na esperança faço-me filho pródigo do desespero e ali fico prostrado perante o medo de ser eu próprio, toldado pela escuridão da ignorância.
Nos meus braços vazios embalo essa mulher, esse amor perene, clamo pela luz no entanto continuo com medo de sair da escuridão.

Bruno Carvalho

Foto por: Diogo Bessa

1 comentário:

poteta disse...

demais... de certa forma revejo-me bastante neste texto...

"é portanto minha responsabilidade viver e não esperar que os fios para mim tecidos sejam mais favoráveis num futuro distante que pode não passar de um sonho."

é urgente fazer alguma coisa para o sonho se realizar, porque ele não vai surgir sozinho... mas como??

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...