domingo, 19 de julho de 2009

MÚSICA

As notas entram soltas nos meus ouvidos. Embalado pelo violino sinto-me baloiçar no espaço vazio, os pés mal tocam o chão, o corpo move-se como um todo, um movimento perpétuo, uma dança eterna.
O fascínio pela serenidade cresce, fecho os olhos e finjo não existir tempo, o som sai das colunas directamente ao meu coração, na escuridão não resisto sorrir, mesmo que ninguém veja, adoro sentir-me sorrir, sinto-me vivo ali a navegar naquelas ondas pacíficas, mas no entanto tão revoltosas, como se no silêncio por vezes inconscientemente nascesse uma revolução.
Naquele som tímido do piano faço-me sonho e escrevo as palavras certas para descrever-te, cada som faz sentido como se fossem peças achadas há muito perdidas no tempo e agora finalmente devolvidas ao seu puzzle.
E naquele momento sei que por muito que acredite que haverá um amanhã, uma nova manhã, um novo dia de sol, mesmo sabendo isso, faço por esquecer pois aquele momento vale a pena ser vivido como momento único. Da mesma forma esqueço o tempo quando pleno de esperança beijo os teus lábios, quando tremes sob a minha mão, um arrepio conhecido, um arrepio reconhecido...
Tremem agora as minhas mão ao recordar a profundidade do teu olhar e enquanto marco com nostalgia as palavras no papel, a música faz-se hino ao amor.
E adormeço, cabeça deitada sob a mesa, espírito ancorado num sonho qualquer, um sonho daqueles que só a nova noite apaga, daqueles que ficam como as memórias dos teus beijos marcados na minha pele, aquela minha segunda pele que visto quando o vazio se faz companheiro fiel, quando por força maior me faço assassino e cheio de esperança mato a solidão.
Espero-te lá onde a música se faz hino ao amor, uma sinfonia de novos tons na alvorada de um novo dia.

Bruno Carvalho

3 comentários:

dyphia disse...

tão lindo! tão leve que me fez flutuar... :D

poteta disse...

maravilhoso mesmo...

este amor existe mesmo?? é possível?

~J disse...

Como eu amo violino e piano!

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