OBSCURIDADE

Aqui continuo eu percorrendo os mesmos passos, dizendo as mesmas palavras, seguindo o mesmo caminho rumo a nenhures.
Aqui continuo eu aprisionado quando me julgava livre, aqui continuo eu a lembrar, quando queria apenas esquecer.
Aqui continuo eu ao sabor do vento, perdido nos altos e baixos de uma vida demasiado previsível, aqui continuo eu pequeno quando me julgava maior do que esta dor.
Busco a racionalidade e o controlo sobre mim, encontro só a previsibilidade de deixar me arrastar vez após vez por um sentimento perdido à partida.~
De quem a culpa senão apenas minha?
Digo que quero esquecer mas as palavras soam-me vãs, digo que odeio mas o meu corpo diz-me outra coisa diferente, digo que sou forte mas pareço cada vez mais vazio, uma sombra, um pálido reflexo do que sou.
Neste momento enquanto o Verão se arrasta com a sua letargia, espero em vez de procurar, o ponto final.
Termino ainda todos os sonhos com reticências, à espera que alguém me diga que tudo isto é fantasia e que a realidade de facto é muito mais brilhante do que esta obscuridade na qual estou permanentemente mergulhado.
Amor e Dor, inseparáveis até na morte.

Bruno Carvalho

Foto por: Marta G.

Comentários

~J disse…
Miguel Esteves Cardoso disse que não há harmonia entre a alegria que o amor nos proporciona e a dor que podemos sentir por amarmos. Que para haver amor terá que haver dor e vice-versa...
É inevitável que não soframos por amar algo... e nem sei se é uma consequência ou uma condição...
Mas acredito que possa haver um dia em que consigamos ter uma harmonia razoável entre ambos...senão...se isso não existir... não se conseguirá manter a união com “o ser” amado.
Beijinhos*

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