sábado, 29 de agosto de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ALPENDRE


Ali ficava ele desde que se conhecia, todas as terças e quintas, sentado no alpendre a ver o tempo passar, com os seus dedos ossudos enrolava com destreza os cigarros, tabaco da mesma marca já há trinta anos.
Cada minuto parecia passar ao sabor de mais uma baforada de fumo, como este se dissolvia no ar, também a sua vida parecia misturar-se com as horas que passava ali.
Aprendeu a conhecer as pessoas na rua, sabia quais viviam há muito ou pouco tempo no bairro, assistiu a partidas para a guerra, a incêndios e roubos, serenamente ali sentado quase não se apercebia que ao fim de cada sétimo dia findava uma semana, ao fim de um trigésimo ou trigésimo primeiro findava um mês que no fim de mais onze ciclos iguais definhava mais um ano.
E assim passou a sua vida naquele rotina de observação cujo o único objectivo era não ter objectivo algum, passou a língua pela mortalha, rolou o cigarro na ponta dos dedos e acendeu, com a mesma destreza de quando havia começado.
Naquela manhã de quinta feira, sentou-se na cadeira de baloiço, enrolou o cigarro e deu a primeira passa, algo diferente se passou, tossicou primeiro ligeiramente e depois disso com cada vez mais intensidade, o ar parecia escapulir-se a cada tossidela, levantou-se alarmado, correu para a cozinha e bebeu um gole de água, aos poucos foi acalmando, a tosse foi desaparecendo, até que finalmente desapareceu, fico ali ofegante, foi à casa de banho e ao olhar para o espelho quase não se reconheceu, dos olhos vermelhos escorriam lágrimas, as faces estavam vermelhas, um vermelho doentio quase roxo, molhou a cara com água fria e trémulo dirigiu-se para a cama e deitou-se.
Sentia-se fraco, a quebra da rotina desorientou-o, sentia-se em pânico, as mãos suavam, o corpo tremia descontroladamente, tentou respirar pausadamente, devagar aos poucos acalmou-se e adormeceu.
Dos sonhos turvos discerniu paisagens desconhecidas, passou-lhe diante dos olhos lugares apenas reconhecidos da tela da TV, sentiu a maresia naquela praia tão bela que vira no domingo passado no documentário sobre a natureza, sentiu nas suas mãos a relva tenra de um estádio de futebol, sentiu a multidão e a vibração do espectáculo, sentiu o seu corpo balançar ao ritmo daquela sua música preferida, olhou em volta e viu corpos descontrolados como seu e em cima do palco viu o seu artista preferido. Viu-se depois no topo da falésia, aquela falésia onde se sonhou apaixonado, onde se imaginou amado e feliz com aquela pessoa que brevemente iria pedir para sair, tinha este plano desde um segundo ano de contemplação, vieram-lhe as lágrimas aos olhos, sentia-se vivo, livre, sensação estranha e tão fora de si, estremeceu e acordou aos soluços... dos seus olhos agora amarelados brotou um novo discernimento, uma nova certeza mordaz, finalmente tinha apreendido a sensação de ter estado trinta anos parado no tempo, tanto contemplou o mesmo que se tornou ele mesmo, a sua vida não tinha recordações para além do fundo da rua trinta e um, as pessoas que recordava não eram mais que os vizinhos Silva e Sousa, nunca havia provado a maresia, nunca havia sentido um toque, nunca havia amparado uma lágrima, ao mesmo tempo outra certeza se formou, esta mais assustadora, esta mais real, esta mais definitiva, apercebeu-se do quanto era tarde demais para tentar ver para além do portão da D. Rosa...
Aturdido deixou-se cair de novo na cama, com dificuldade entrou uma nova golfada de ar no peito, fixou o tecto...
Luís passava todos os dias na rua trinta e um antes de ir para o trabalho e todas as terças e quintas via o velho Antunes sentado na sua cadeira de baloiço, invejava a paz e tranquilidade daquele homem, queria que a sua vida fosse assim parada, sem stress, sem correrias, imaginava as paisagens que aqueles olhos já teriam visto, as sensações que durante toda a sua vida teria recolhido, imagina as mulheres que devia ter amado, ambicionava ser como ele, sempre desejou parar para lhe falar mas nunca teve a coragem.
Nesta quinta feira porém algo estranho se passava pois a cadeira de baloiço jazia ali no alpendre solitária, o espanta espíritos retinia com a brisa da manhã, mas do velho Antunes e do seu cigarro matinal nem sinal, decidiu então fazer daquele o dia que ganharia coragem para falar com aquele velho sapiente.
estacionou na berma e dirigiu-se para a casa, subiu os degraus devagar, gritou para dentro da casa chamando o velho pelo único nome que conhecia, porém de dentro nenhuma resposta lhe foi retribuída, atreveu-se a entrar, divisão a divisão foi chamando pelo velho, entrou na biblioteca e passou os olhos pelos velhos livros corcomidos pelo tempo, o pó acumulava-se em cada canto, pegou numa das estatuetas prostradas numa das prateleiras imaginando de onde teria vindo, de certo de mais uma das viagens do velho Antunes, pousou-a distraidamente, esta tombou, ele porém não a levantou não notando na inscrição made in china embutida na base...
Subiu as escadas rumo ao andar superior, mais uma vez chamou o velho, mais uma vez obteve silêncio, entrou no quarto e lentamente abeirou-se da cama, pediu desculpa pela intromissão, o susto quase o fez tombar quando fixou o olhar vítreo do velho Antunes também este fixo no tecto amarelecido pelo tempo...
Chamou o 112, nada mais havia a fazer, enquanto se dirigia para a rua para esperar os socorristas foi pensando no quanto justo poderia ser o descanso de aquele homem com uma vida cheia, inconsciente da verdade admitiu-se ainda invejar uma vez mais a vida emocionante do homem que deixou que o tempo consumisse o seu próprio tempo.

Bruno Carvalho

Foto por: Pedro Soares

terça-feira, 18 de agosto de 2009

SEMENTES


Quando era criança tinha um passatempo, adorava plantar sementes, cuidá-las e depois com o tempo vê-las crescer.
Os meus amigos gozavam-me, chamavam-me nomes esquisitos, diziam que parecia uma menina, mas eu simplesmente gostava de ver aqueles seres crescerem e desenvolverem-se. A mesma coisa com os animais, quando a minha avó me punha os pintos apenas com dois dias na palma da mão, o meu coração disparava e eu afagava com cuidado aquele pequeno ser, com receio de o apertar de mais, ali ficava a sentir o pequeno coração a palpitar e sorria, sim na minha infância eu sorria, como não houvesse um amanhã.
Fui crescendo, habituado a sentir a vida como algo insubstituível, aprendi a respeitar que todos os seres precisavam de carinho, todos sem excepção.
Na minha adolescência continuavam a chamar-me nomes estranhos, eu não me importava, a vida sorria-me e eu sorria à vida que mais poderia querer.
Um dia descobri a maior das sementes e plantei-a no maior dos jardins, o meu coração.
Conheci o amor, ou antes, conheci a paixão, naquela altura no meu coração cheio de sorrisos e vida, aquela semente germinou forte e saudável.
Ela chamava-se Florbela, ignorando a ironia da situação, fui-me entranhando na sua natureza, o seu cabelo ruivo, reflectia o sol daquele dia ameno de Primavera, aquele dia pareceu o mais quente do ano, agora sorrio ao lembrar aquele dia.
Eu tinha decidido ser jardineiro, aquele apelo das sementes, das plantas a crescer, tinha sido mais forte do que o futuro entre números e dinheiro que o meu pai me vaticinou como certo. Por causa disso saí de casa cedo, parti com futuro incerto mas com vontade de estar longe daquela opressão doentia, precisava de ar, de jardins e cores vivas.
Estava a arranjar um dos canteiros do jardim municipal quando a vi, levava as mão de lado tocando, nas pétalas dos meus gerânios, passeou de flor em flor, até que distraidamente arrancou as pétalas de uma das minhas rosas encarnadas.
Fiquei furioso...
Disse-lhe
- Desculpe, menina, a rosa fez-lhe algo de mal?
Ela olhou-me embaraçada e por um momento as suas faces encheram-se da cor dos seus cabelos, ali naquele sitio e com aquela luz parecia também ela uma rosa.
- Desculpe - disse timidamente
A verdade é que não conseguia ser agressivo mesmo que toda a razão me apoiasse, por isso disse apenas um atabalhoado...
- Ok, mas não volte a repetir a gracinha...
Naquele momento no entanto tudo o que queria é que ela voltasse e repetisse a gracinha.
- Desculpe ter-lhe falado assim tão bruscamente, mas é que as minhas flores são como tesouros para mim, detesto vê-las perder o brilho antes do tempo.
- Não faz mal, a culpa foi minha, vinha tão distraída que nem pensei no que estava a fazer - retomando o caminho virou-se para trás e sorrindo disse - não voltará a acontecer.
Algo no seus olhos me dizia que não seria a última vez que a veria.
Voltei ao meu canteiro e ao meu mundo secreto. Naquele momento, noutro jardim dentro de mim, o portão abriu-se.
Passou-se uma semana, a Primavera, fazia florir o meu jardim, enquanto que os constantes passeios de Florbela faziam as minhas sementes romper a terra.
Aos poucos fomos falando mais, começando pelo clima, acabando na política e no volley que ambos parecíamos gostar tanto.
Aqueles momentos perpassam pela minha mente agora, enquanto que ao longe observo a minha mulher de cabelos de fogo a recolher as primeiras rosas da época.
Continuo a sorrir, as flores continuam ainda a florescer nos meus olhos, embora agora as veja apenas e não as sinta.
Depois de um beijo e de um sorriso, pousou as flores no meu regaço e deu-me uma a cheirar, aliás como era seu apanágio todas as manhãs, virou a minha cadeira de rodas para dentro e entrámos na nossa casa forrada por pétalas pintadas.
Vivia agora na minha prisão, imposta no momento em aquela bala perfurou as minhas costas e se alojou na minha coluna, sorrio ainda, a vida ainda pulsa em mim, apesar de agora não a sentir fisicamente, no entanto vivo-a todos os dias através do olhar de Florbela, através do seu beijo doce e daquele etéreo odor que que todas as manhãs me faz passar por entre as barras da prisão.
Choraria naquele momento se o tempo não tivesse levado já todas as lágrimas, no entanto permito uma ou duas, porque por vezes a felicidade é mostrada através de estranhas coisas.
E valeu a pena?
Sim valeu a pena, valeu a pena salvar a mais bela das flores do meu intimo e interno jardim.

Bruno Carvalho

foto por: Antonio Felix

domingo, 16 de agosto de 2009

CALOR

Está quente, muito quente.
Por mais que tente sequer organizar ideias para poder conjugar palavras para formar um texto, não consigo...
Por isso deixo esta senação de vazio, o vácuo que se acumula com a opressão deste calor de Verão, que venha o meu querido Outono e de seguida a doçura do Inverno.

Bruno Carvalho


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SILÊNCIO

Habituei-me às tuas não respostas, habituei-me ao teu silêncio sem sentido, habituei-me a viver culpado, como se fosse meu o poder de mudar as coisas.
Arrastei-me nos dias, nas horas, na esperança que um dia tudo fosse diferente, acreditei que aquelas palavras tão docemente ditas eram de facto verdadeiras, mas não eram...
Perdi uma parte de mim enquanto estive aqui preso dentro desta cela imunda, rasguei tudo de bom que tinha para lutar por um sentimento que afinal de contas nunca foi mais do que uma mera brincadeira de crianças para ti.
Mantive-me à tona, na sombra, no silêncio, ingenuamente pensando que um dia irias precisar de mim, no entanto tudo o que fizeste foi ignorar-me, transformaste-me num farrapo, mas agora digo-te. Nunca mais!
Condenei o teu silêncio mas agora sei que nunca poderia ser de outra forma, pois não tens a coragem, não tens o que é preciso para dialogar, para ti as pessoas parecem peças inanimadas num tabuleiro de xadrez. Por vezes ali ficas sob a pele de vitima, ciente que alguém há-de notar, que terás de novo atenção, para te alimentares, para te ergueres e depois, quando estás bem, quando aparece alguém mais interessante, deitas os outros vazios e usados na sarjeta.
Digo-te, nunca mais!
Continua então cega aos que te fazem bem e segue o caminho fácil, podem parecer rosas mas têm espinhos.
Eu aqui continuarei crente no amor, crente na comunicação e na sinceridade.
Vives uma mentira pensando que é a maior verdade da tua vida.
Ridículo

Bruno Carvalho

Foto por: Tiago Krug

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

ANSEIO DO CORAÇÂO

Estou cansado de dizer adeus, estou cansado de fugir.
Quero ficar contigo, preciso de ti, preciso de saber o que ainda me prende aqui, a ti, a este amor nascido com a morte do Verão, maturado em dias irreais, rasgado e de novo colado, mas no fundo aquele veio essencial nunca foi quebrado.
Por uma vez desejava que um anseio do meu coração pudesse ser real, desejava que por uma vez só as tuas palavras fizessem sentido, uma vez só, para eu saber qual o sabor de ser feliz.
A solidão paira sobre mim, a dor, aquele sentimento tão familiar, faz já parte de mim, aprendi a ser infeliz e a viver assim...
Mas porque é que tudo tem de ser assim?
Serei assim tão invisível? Será que tento demais? Será que estou cego e que em vez de amar estou a odiar...
Não vou fugir mais, não tolero que o mundo dite as minhas regras, pois amor é amor, é um sentimento, não uma regra, um conjunto de instruções, os seres humanos não possuem livros de instruções, possuem sentimentos, não são autómatos são seres de carne e osso, precisam ser cuidados, respeitados, compreendidos.
Amo-te.
Não vou fugir ao que sinto. Mesmo que todo este amor há muito se tenha tornado dor, mesmo que eu para ti não seja mais do que uma sombra do lado de fora da janela, uma palavra inerte no ecrã de um computador, uma promessa adiada.
Sei que nada mudará, vou continuar aqui incerto de mim, com vontade de ir, de desistir...
Por uma vez uma só vez, diz-me que isto é real.
Não haverá mais adeus, não haverá mais desculpas.
Pertenço-te. Tão perto mas tão longe, os olhos vêm mas eu pertenço ao pensamento, um pensamento, um beijo, é toda a distância que nos separa.

Bruno Carvalho

Foto por: Andreia


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

BLANK


A forgotten word ripped of a blank page...

Sometimes silence tells so much more than words...


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

SENTIDOS


Sentia o teu corpo junto ao meu, o teu coração batia sob a minha mão, beijei ao de leve o teu cabelo, inspirei o teu aroma, provei dos teus lábios a doçura que há muito me havia conquistado.
Quando rolei nos lençóis fixei o tecto branco levemente brilhante pelo luar que se escapava pelo estore e ali fiquei, a inspirar o momento. Acordaste, os teus olhos meio turvados pelo sono encheram-se de um brilho intenso, o mesmo brilho que me havia enfeitiçado, fizeste duas covinhas deliciosas no rosto quando sorriste, e aquele sorriso era tudo para mim.
Aquele teu pequeno e singelo sorriso havia sido ao longo da minha atormentada vida um bálsamo, uma promessa de paz, uma luz na escuridão, um pequeno fio de esperança que me segurava tenuemente à vida, significava que as coisas poderiam melhorar, que apesar de todos os mal entendidos e de todos os tropeções e quedas poderia existir um futuro, um futuro para nós.
Deitaste a cabeça sobre o meu ombro e suspiraste levemente, incapaz de me mover para não desfazer o momento, era percorrido por múltiplas vagas de uma corrente às vezes frias outra quente, arrepiei-me, lentamente com a mão percorri o teu corpo, cada curva que tinha aprendido a gostar, cada recanto, cada segredo revelado.
Beijei ao de leve a tua testa, desci ao nariz e mergulhei por fim suavidade quente dos teus lábios.
Formou-se um beijo, um beijo urgente, como se houvesse uma fome que precisava ser saciada, ficamos assim parados no tempo incertos se haveria uma nova manhã, mas seguros que isso naquele momento era o que menos importava.
O beijo cessou e os nossos corpos tremiam de antecipação, os teus olhos mergulharam nos meus, rolaste sobre mim, e transformámos o movimento numa dança, uma dança que parecia em câmara lenta, eu dava tudo de mim absolutamente certo que tudo o que saí do meu corpo era fruto daquele amor, o nosso amor, tantas vezes adiado mas que agora jamais poderia ser impedido ou refreado, com o movimento os nossos gemidos fundiram-se num, e tocando levemente o céu, como se de um sonho se tratasse, demos aquele abraço forte e deixámos fluir a paixão.
A calma havia voltado, uma sensação de paz invadiu o ar, sorri quando disseste ao de leve um amo-te ao meu ouvido, olhei-te pois naquele momento mais nenhuma palavras era necessária, apaguei a chama da última vela e ali amparados pelos nossos olhares adormecemos certos agora sim que um novo dia nasceria e que de facto tudo fazia sentido.
Pois o amor havia renascido e havia sido marcado na última palavra necessária entre nós.
Aquele Olá sincero nascido da memória do nosso último adeus.

Bruno Carvalho

sábado, 1 de agosto de 2009

CONFINADO

Sentia-se aprisionado numa cela formada por paredes invisíveis.
Uma sensação de indescritível medo turvava-lhe o pensamento, lá fora a escuridão permanecia, como se todas aquelas correntes negras ainda jorrassem das suas mãos, dos seus olhos. como se a sua vontade ainda estivesse pregada à vontade férrea de se perder no desconhecido.
Seguia incólume como se de facto conseguisse seguir a própria sombra, mas a verdade era que era a própria sombra, não um predador, mas a presa.
Cada nova dor tornava-se uma tomada de consciência, corria como se o limite do mundo estivesse ali ao alcance de um passo, corria crente que uma queda seria um pretexto para um novo começo, mas o fim do mundo continuava a fugir, e ele continuava assim a correr e a tropeçar em falsos recomeços.
As paredes invisíveis ameaçaram ceder, encurtar o espaço entre elas e o corpo em movimento.
E um momento perpétuo começou a ser notado, o sol recomeçou o seu ciclo, um sol frio toldado pelo conforto gélido de um último adeus.
A sua pele tornou-se translúcida, as veias transportavam muito mais que sangue, um fogo parecia viajar pelo seu corpo, aquelas correntes inquietas desaguavam todas na sua cabeça, e de repente tudo explodia, um milhão de faíscas, cada uma vista como se fosse uma nova palavra, uma nova definição, um novo conceito numa vida que parecia há muito estagnada.
Ciclo após ciclo, tudo parecia desvanecer-se, até por fim, envolta numa explosão de um brilho pálido a cela apareceu de paredes despidas corroídas pelo tempo, na parede norte uma única janela permitia descortinar o aspecto vazio e desolado daquela prisão do tamanho da palma da mão.
Cerrado o punho, esmagada a solidão, rompeu a noite um novo dia, talvez aquele fosse por fim o tão propalado novo inicio.

Bruno Carvalho

Foto por: VaReTaS

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...