sábado, 5 de setembro de 2009

PÂNTANO


É a tua vez de jogar, movimenta as peças no tabuleiro, refaz a estratégia, um novo jogo começa não necessariamente onde o outro terminou.
Não existe antídoto para uma vitória, dispostos no terreno somos meros reflexos jamais sonhados, nunca planeados, pensamentos destroçados ao sabor da vontade própria, do alto da nossa presunção pensamos que nos movemos confiantes, que aquele é o passo mais certo a dar a seguir ao outro anterior que nos pareceu um pouco dúbio.
E ficamos de alguma forma invadidos, o nosso corpo como território selvagem desbravado por invasores, descobridores da nossa natureza, nesse momento o amor fica ali, pairando como um fantasma esquecido no campo de batalha, um dado novo, uma nova constante na equação.
Estarrecidos pela aquela nova revelação ficamos inconscientes de que todo aquele novo sentimento nasceu de facto da crueldade daquele sabor amargo que sentimos por vezes na boca e não de qualquer gesto altruísta. Movemo-nos mais facilmente no pântano que se tornou a nossa insignificante vida, por isso aqui continuamos afundados, ignorantes que ali ao lado, à distância de um pequeno passo, corre um rio solto, em forma de sorriso, em forma de palavra atirada descontraidamente sem qualquer outro objectivo ou sentido a não ser o de expressar carinho.
Ali ficamos felizes por estarmos longe da corrente, sem sabermos que somos feitos de corrente, de tempestade, de mutabilidade.
Podemos ser um momento no tempo, uma carcaça com prazo de validade, mas o que nos preenche, o que somos de verdade, não tem validade, não é um momento no tempo mas todo o tempo.
E que chegue depressa o Inverno que os céus desçam em forma de tempestade, para que a lama endurecida pelo sol possa ser dissolvida e nos liberte, pois o jogo recomeça a cada derrota e com o cheiro da terra molhada nota-se já um suave aroma a vitória.

Bruno Carvalho

1 comentário:

dyphia disse...

correntes... palavra interessante, apos ler mais este maravilhoso post teu, surgiu-me algumas ideias q talves me levem a escrever um post tb...

o nosso portugues é tao engraçado, consegue com a mesma palavra dar dois sentidos, e esta é uma delas.
existem correntes que seguem fortemente para chegarem ao seu objectivo... mas existem outras correntes, que nos aprisionam, sao autenticos grilhões que nos impedem de nos mover...

mas vitória, vitória é tudo aquilo q nos deve fazer mover... a vitória sobre nós mesmos.

beijinhos meu amigo

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...