sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PODER

Quem nos dá o direito de julgar os outros? O que nos faz pensar mais responsáveis que os outros? Como poderemos comparar o nosso sentido de responsabilidade que se desenvolve de acordo com os nosso valores individuais com o dos outros que têm valores e formas de viver completamente opostas?
Porque será que a maioria das pessoas precisa falar nas costas de outra para ser aceite ou por querer demonstrar que tem razão à frente de outros?
Estaremos assim tão embriagados pelo poder, que cegamos perante a justiça e o direito à liberdade alheia?
Por vezes nas mais diversas situações coloco-me na posição daqueles que considero que falham naquilo ou noutra coisa, ponho-me na sua pele para julgar o meu próprio poder de decisão, será que faria melhor, pior ou igual?
Não faz parte da nossa (pouca) beleza como seres humanos o poder de decidir de forma diferente em situações idênticas?
Nunca poderemos julgar porque vivemos em sistemas de valores e crenças bastante diferentes.
As decisões são diferentes mas não significa que sejam umas certas e as outras erradas.
Vivo acorrentado a uma certa necessidade de aprovação. Por vezes penso como seria provar a sensação de me aprovar a mim mesmo, por vezes provo esse agridoce sabor, poderei no entanto viver lá, longe, sozinho?
No outro dia apercebi-me de como com o recurso à simples força de vontade posso moldar energias e aquilo que me rodeia.
Posso moldar o mundo como barro, para eu caber nele, para tirar dele uma pequena satisfação de poder, embriagar-me, sem pretensões divinas.
Convenhamos no entanto esclarecer que me apercebi disso recorrendo à manipulação maioritariamente de energias e forças negativas, essa sensação deu-me aquele pequeno gosto indefinível na boca, poder mas depois temor, qual o direito de interferir nos outros para proveito próprio?
Daí vem a minha cada vez mais categórica sensação que somos todos sem excepção uma mole de egoístas egocêntricos.
Olho por olho, dente por dente, é a nova fé, é o novo dogma.
No entanto continuamos conscientemente convencidos que de facto possuímos alguma bondade, qualquer que seja a definição que cada um dá a essa palavra marcada a ferro e fogo e sabor a sangue no nosso âmago desalentado ao longo de dois mil anos de História.
Quem nos amparará quando nos aperceber-mos que não existe mais nada a não ser o vazio?

Bruno:Carvalho
2009

1 comentário:

rute disse...

Nova fé? Mas houve alguma alguma altura em que o tivesse deixado de ser?

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