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A mostrar mensagens de Novembro, 2009

CERTEZA

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Do sonho explodiu o sentimento em mil pedaços para depois se juntar de novo em algo mais real, uma certeza nascida de uma noite mal dormida. Sonhei com o teu corpo, com os teus lábios, com o teu sorriso, com o teu toque, agora sonho também com o prazer de acordar a teu lado. A paixão renasceu das cinzas do desengano, a luz frágil de uma vela transformada agora num luzeiro cheio de calor, como se saudasse o nascimento do Inverno. Da escuridão rompeu uma luz, como se de um sismo se tratasse tu vieste e abalaste as fundações da minha existência, aqui jazia eu adormecido, congelado na frieza de uma letargia, agora aqui estou na luta por um lugar que sei ser meu, questionar de novo aquilo de que sou feito para formular um novo eu. Acordei da estagnação. Tudo tem um sentido quando acontece, começo lentamente a perceber qual o significado de toda esta luz, certo que pequenos passos serão sempre tomados como gigantes avanço serenamente pelo caminho amparado pela tua mão, guiado pelo teu coração. A…

ALMA

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Após o teu toque o meu corpo fica num frenesim como se de electricidade se tratasse. Inerte, deixo-me consumir pelos teus lábios, ter-te assim em mim, sentir-te assim em mim, mais que uma parte perdida és o meu todo reencontrado. A alma completa transparece a serenidade, nem que seja só por um segundo, um momento no tempo que é do mesmo modo todo o tempo, tudo fica em câmara lenta quando as minhas mãos percorrem as linhas do teu corpo. Amanhece, naquela loucura da hora mais negra antes da aurora mergulho no teu olhar com se o futuro fosse a coisa mais certa que já alguma tive, com a porta fechada do passado simplesmente abandono-me ao presente desperto. A rua deserta, a maresia enche-me os pulmões, o buraco da alma vai sendo tapado, lentamente como se a noite se fixasse permanentemente no dia, respiro-te, a minha musa, o meu conforto redescoberto. E assim passa mais um dia, mergulho na noite, na doce ilusão dos meus sonhos onde descobri os selvagens sabores do teu corpo. Com palavras terna…

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Quando a razão mente o coração sente. Por vezes fazemos julgamentos errados baseados nas nossas inseguranças, mas no final e contra todas as expectativas a verdade prevalece e o sentimento de que não poderia ser de outra forma inunda-nos de certezas, pois aquela pessoa simplesmente seria incapaz de desiludir. Não vale a pena no entanto chorar por leite derramado, o passado por vezes pressiona-nos demasiado, fazendo-nos meros reflexos de nós próprios, é preciso aceitar o erro como parte do processo de crescimento emocional. Portanto na maior das minhas serenidades peço-te desculpa querida amiga M. Nunca poderia ser de outra forma, és muito importante para mim. Bruno:Carvalho

LIVRO

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Hoje sinto-me feliz. Não porque seja fim-de-semana nem nada do género, hoje estou feliz porque comprei um livro. Abandonei o meu habitat preferido do fantástico e divaguei por novas formas de sentir as palavras, absorvo cada uma brevemente em busca do seu total sentido ou sentidos. Hoje o dia correu-me bem. Habituei-me a avaliar a minha felicidade dia a dia, pode ser o mais cómodo mas é para mim o mais real de momento. Viver cada dia devagar sem esperar muito mais do próximo. Hoje sinto-me solto e feliz apesar das pessoas me continuarem a desiludir, faz parte do processo, no meio do roseiral haverá sempre espinhos, às vezes aprendem-se duras lições, há que aprender com elas. Mas a minha pequena vida diária não é feita só de desilusões, há também aquelas pessoas que estão muito além de serem surpresas, são certezas, pessoas certas que dificilmente me irão desiludir, pois como alguém me disse hoje há que saber o meu papel na vida delas para ficar em paz com elas. Hoje fiquei em paz com mais …

ENCRUZILHADAS

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Quantas vezes esperamos ter tomado o caminho certo na última encruzilhada? Quantas vezes sentimos o ter feito, mas logo surge outra para nos negar o prazer da vitória? Por vezes sentimos paz à nossa volta, descobrimos que a sentimos apenas porque dentro de nós a guerra nunca terminou, nem vai terminar. Continuamos vinculados às nossas promessas vãs, demasiados embrenhados no nosso vão orgulho de sermos mais do que seres ávidos por afecto. Animais (ir)racionais, esfomeados de conforto, aceitação, aprovação. Demasiado cobardes para espetar a espada no coração quando a razão a isso nos obriga... Continuamos a tropeçar nas encruzilhadas inconscientes que isso nos é mais confortável, poder ter dúvidas quanto ao caminho a seguir, ignorando que o caminho certo está mesmo defronte os nosso letárgicos olhos. O tempo passa e aqui continuamos em busca da resolução imaginária, queremos atingir o estado de conclusão mas não temos forças para isso, por isso debitamos palavras ao vento, à espera de do ou…

TULIPA

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E enquanto o meu mundo gira indiferente ao meu desejo por conclusões. Sigo o teu olhar, beijo a curva dos teus lábios e sorrio, aquele sorriso, aquela pequena peça em falta no puzzle. Enquanto me concentro na tua beleza que me desconserta, arrepio-me no prazer de contemplar o teu sorriso solto. Com um brilho no olhar digo-te um breve adeus, sob a forma de uma promessa num corpo inocente de um singela flor branca, E o sonho torna-se muito maior que a promessa, um caminho desconhecido, por vezes doce outras amargo, apesar de tremer não temo, pois amo, e vivo. Sim vivo e nem imaginas como é bela é a vida vista aqui de cima. O teu corpo, o teu abrigo, a tua doçura oculta entre as impressões digitais dos meus dedos, a poesia solta nos teus cabelos e a fragilidade do meu corpo espelhada em ti. Longa se torna a espera quando a doçura do teu beijo aflora aos meus lábios deixando-me órfão de ti. Bruno:Carvalho Foto por:Carmen Carvalheira

ESPERA

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Nunca ninguém descobriu e explicou o significado do amor.
Se alguém o já tivesse feito talvez tudo finalmente fizesse sentido. Porque é que farpa após farpa, ferida após ferida, insistentemente continuamos a amar apesar de perceber que tudo é irracional e que é algo que nos destrói? Porque é que depois de um grande silêncio, quando pensamos que estamos livres e que tudo passou como tudo passa na vida, basta uma palavra para trazer de novo esse sentimento? Hoje passe a tarde à chuva, pouco preocupado com o facto simplesmente deixei-me estar, como se toda aquela chuva limpasse de mim todo e qualquer sentimento, fizesse parar o bater acelerado do coração, pudesse travar as recordações e as estranhas sensações que as acompanham. Bastou quatro palavras, palavras banais que agora friamente analiso, chegando como sempre à conclusão que me estou a iludir, que todo este sentimento é mentira, uma ilusão montada pelo meu espírito carente daquele conforto há demasiados anos ansiado. A noite de Samhain …