quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FELIZ


A chuva chegou quando o comboio partiu.

Após três dias numa espécie de limbo, aqui volto eu ao meu cantinho, ao meu pedaço de realidade. Porém não chego como parti, chego mudado, movido por uma injecção de novo alento, de uma visão mais alargada das coisas, do sentido da vida, do modo como sentimos o que nos rodeia.
Estou certo que cá fora o mundo continuou a girar, mas ali dentro acho que tivemos o poder de parar o tempo, alimentados por nada mais que um fogo, uma paixão e um querer, vivemos o momento sem querer prever o futuro.
Ali fomos nós próprios, sem máscaras, sem segredos, sem medos e sem os grilhões que nos prendem por vezes.
Fomos um, dois corações compassados ao ritmo de um só, como uma melodia ou um poema perfeito.
Portanto hoje rumaste de novo a norte, partiste, mas em mim foi como ainda não o tenhas feito, pois estás em mim, o teu perfume na minha pele, o teu sorriso no meu olhar, o teu beijo tão profundamente marcado nos meus lábios.
O mais saboroso disto tudo foi saber que este não é foi O adeus, mas tão somento UM pequeno adeus, tão pequeno como a distância que nos separa.
A saudade nascerá de certeza, no entanto será sempre suportável devido à lembrança viva destes três dias. Dias estes dos mais felizes, verdadeiros e sentidos dos meus quase trinta e dois anos.
Não é este o verdadeiro significado da vida? Ser feliz agora e não no longínquo dia de amanhã?


Bruno:Carvalho

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ACORDAR


Acordei cedo com o calor dos nossos corpos a inaugurar um novo dia.
A noite foi de insónia, por mais que uma vez dei por mim a fitar o teu rosto adormecido, reparei como por vezes sorris mesmo a dormir, como a as linhas da tua face fluem perfeitamente para criar um quadro perfeito.
Senti o cansaço chegar e deixei-me levar pelo sono, adormeci serenamente e feliz.
E quando acordei e me apercebi que tudo aquilo era real, selei o amanhecer com um longo beijo e parei o tempo.


Bruno:Carvalho

Foto por: Maria Rodrigues

sábado, 26 de dezembro de 2009

SEGUNDA-FEIRA

Conto os minutos como se de grães de areia se tratassem, conto-os pois o o reencontro aproxima-se, o meu corpo sente já as tuas mãos, aos meus lábios afloram já os teus sabores, nos meus olhos está já reflectido a doçura do teu.
A distância encurta-se neste momento, o espaço e o tempo deixa de ter sentido pois contigo o momento é único e dura para sempre.
O amanhã?
O amnhã está lá longe obscurecido, escondido na lembrança de um futuro distante que não se sabe se existirá.
Bruno:Carvalho

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

REVOLUTIONARY ROAD

Quem não viu ainda este filme que veja... não são necessárias mais palavras...




"I cant leave...and i cant stay"

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CORAÇÃO


Andava meio perdido...
Mas depois conheci-te
E nada foi igual
O mesmo fogo que invadiu o meu corpo
Aqueceu a minha alma e derreteu o meu coração.

E timidamente ele aparece
Aquele sentimento que todos banalizam
Mas que nunca será banal
A distância não vencerá!

Bruno:Carvalho

foto por: Rute =)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

TU


O dia estava frio mas dentro de mim um fogo maior ardia.

O gelo derretia com o passar dos quilómetros, o coração acelerava como se estivesse ciente do encontro há muito ansiado.
Com as mãos suadas saí do comboio, cabeça erguida e sorriso nos lábios.
Vi-te, o fulgor do teu perfume invadiu o meu corpo e deixou-o à beira da loucura, todas as resistências caíram e livres de amarras os nossos lábios colaram-se ávidos por prazer, como se de uma fome se tratasse saciamos os nossos gestos com toques e caricias, o fogo ameaçava fundir os nossos corpos, o rio corria serenamente rumo ao mar, o céu tornou-se pálido o sol foi encoberto, mas ali naquele lugar quente e sem tempo parecia ainda brilhar em plena força, o tempo parou e o mundo deixou de girar, enquanto as nossas línguas se degladiavam ansiosas uma pela outra, deixamos escapar sorrisos, suspiros e palavras curtas.
O mais pequeno dia do ano tornou-se o maior e mais grandioso para mim, quando entrelaçámos as mãos e de novo nos perdemos na doçura de um longo beijo, percebemos que nada poderia ser igual, naquele momento a vida fez mesmo sentido.
Parti, certo do reencontro, com o teu sabor colado nos meus lábios, o teu perfume na minha pele, a cor dos teus olhos avelã nos meus verde azeitona, uma mistura misteriosa de cores à espera de um desfecho, dois corpos clamando por prazer na urgência de extinguir um fogo que parece há demasiado tempo aceso.


Bruno:Carvalho




(Isto é para ti, obrigado pelo fantástico dia)


sábado, 19 de dezembro de 2009

O LÍRIO (parte I)


Só eles conheciam aqueles caminhos salpicados pelo luar. Caminhavam seguros como se os seus olhos estivessem de facto adaptados ao escuro, ele caminhava apoiado no braço dela, amparado do outro lado pela bengala.
Retornavam sempre aquele sítio, todos os anos, naquele dia, voltavam para recordar, naquela falésia deixaram há muito a sua inocência, voltavam como para revalidar um compromisso, um pacto que há muito os juntou e que apesar das diversas ameaças nunca haviam quebrado. Um pacto muito mais poderoso do que um de sangue, um pacto de silêncio.
A sua amizade foi sempre vista como um sortilégio, apanhados no meio do pantanal rural de uma terra pequena sofreram do ostracismo de quem nunca teve por hábito sentir, vivia-se de ilusões, de aparências, como se mostrar ao vizinho que se era muito feliz fosse de facto suficiente para se convencer a si próprio que o era.
Portanto tudo o que era estranho era discriminado, tudo o que era real era banido, como se as pessoas daquela terra quisessem viver para sempre na imensa pequenez do seu cérebro atrofiado.
Conheceram-se numa noite como aquela, a lua cheia salpicava o céu estrelado de Abril, a noite era ainda fria, ele estava perto da ponta da falésia sentado numa rocha, havia trazido a lanterna forte que havia comprado para aqueles passeios nocturnos, nos joelhos estavam pousado o grande caderno onde fazia os seus esboços, adorava desenho, nunca tinha tido formação mas tinha nascido com aquele dom, naquela noite tinha saído para capturar no papel aquele luar formidável a incendiar o mar tranquilo.
Era tarde, estava já a terminar o desenho quando ouviu a curta distância um restolhar na vegetação rasteira, da moita de acácias saiu uma rapariga jovem, vinha aos tropeções e chorava convulsivamente, saiu a correr e estancou na ponta da falésia.
Ele poisou o caderno e instintivamente correu para perto dela, assustou-a e ela desequilibrou-se quase caindo no abismo.
- Olá, desculpa ter-te assustado, se calhar é melhor não ficares muito aí na ponta, podes escorregar e cair...
- Quem me dera cair mesmo! - gritou por entre os soluços provocados pelo choro.
- Tu não és a Amélia, a filha do sr. Pedro?
- Sou e depois, o que interessa isso? Eu quero é morrer! - disse ela quase num murmúrio.
- Ei, calma calma, o que se passa, decerto não vais querer fazer isso, anda dá-me a mão, vem para aqui podemos conversar - aproximou-se devagar...
- Afasta-te, vou saltar!
Ele estancou e disse-lhe
- Pronto. parei, vou sentar-me aqui, podemos falar assim ao longe...
Hesitantemente ela deu um passo a trás e sentou-se numa pedra, com a cabeça enterrada nas mãos recomeçou a chorar. Por fim disse
- A minha vida não faz sentido, porque não me deixam ser quem sou, porque não me deixam sonhar? Eu só quero ser feliz...
- O que se passa? Conta-me?
- Falei hoje com o meu pai e pedi-lhe para estudar piano na conservatória, adoro piano, adoro aquela sua sonoridade, adoro sentir as teclas debaixo da ponta dos meus dedos...
- Que bom, deves tocar muito bem - disse ele sorrindo-lhe
- Toco o pouco que sei, o pouco que vou aprendendo sozinha, a minha tia tem um piano e costumo ir lá várias noites tocar.
- E que disse o teu pai?
- Disse que tocar piano é para gente rica, que devo pensar é em arranjar emprego na fábrica da vila, ganhar dinheiro para criar uma família, arranjar homem e casar... Mas eu não quero! Prefiro morrer!
Eduardo levantou-se e aproximou-se mais um pouco, poisou a mão no ombro dela e puxou-a para lugar seguro.
- Calma, não tomes decisões precipitadas, estou certo que terás a tua oportunidade de estudar música... - Conhecendo bem o sr. Pedro, ele no fundo sabia que isso era quase impossível, mas aquele era um momento desesperado e uma mentira era necessária.
- Quando? Quando for velha e este fogo que em mim arde se apagar? quando tiver um rancho de crianças ao meu cuidado e o meu pequeno emprego das nove às cinco? Prefiro acabar já com esse sofrimento futuro...
- Calma, o futuro ainda é muito longínquo, talvez consigas convencer o teu pai...
Ela levantou devagar a cabeça e enfrentou o olhar dele.
- Vê só o resultado de um simples pedido educado...
Só então ele viu, o seu olho esquerdo estava rodeado de uma mancha carmim, começava a inchar...
Instintivamente ele abraçou-a enquanto novamente uma torrente de lágrimas corria desenfreada dos seus olhos...

(Continua)


Bruno:Carvalho


foto por: Carlos Sillero

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PIANO


Parou de tocar, com os dedos ainda pousados nas teclas do piano, apreciou o silêncio. A mente divagava parecia que havia tocado uma melodia de um adeus, no entanto nenhum adeus havia acontecido.
Quando se levantou percorreu o curto espaço até à varanda e sentou-se na cadeira de baloiço, o sol de inverno embatia na pequenas gotículas congeladas no beiral para além do vidro da grande janela que cobria a varanda.
Para além do vidro ele viu-a a cuidar do seu jardim, aquele jardim parecia um paraíso, centenas horas de trabalho saídas das mãos cuidadosas da mulher, era deveras confortante vê-la ali, após a escravatura da distância os ter separado por demasiado tempo, finalmente tudo estava a correr bem, finalmente a roda girava solta e alinhada, sem qualquer grão de areia a encravar.
Ela virou-se e sorriu, aquele sorriso havia sido o gatilho que havia despoletado a paixão no seu coração, o sorriso e aquele olhar profundo.
Ela entrou e sentou-se ao seu colo, beijou-a intensamente, as suas mão percorreram o corpo dela enquanto ela tremia ansiosa como se o fogo tivesse sido ateado de novo, adoravam fazê-lo de manhã, excitado ele foi-lhe enterrando os lábios no pescoço, retirando lentamente a camisola de lã e depois a blusa branca, conforme ia desabotoando os botões sentia ondas de êxtase percorrer-lhe o corpo, ambos gemeram lentamente.
De repente ela parou e sorriu-lhe, lânguidamente segredou-lhe ao ouvido, no banho?
Ele pegou-lhe e juntos entraram no jacuzzi ainda quente, já libertos da roupa ele beijou-lhe ao de leve os seios levando a arquear, as mão dela percorreram o corpo até ao sexo dele e desta vez foi a sua vez de gemer, no limite do êxtase ele penetrou-a e o mundo pareceu deixar de existir, naquela dança desenfreada de corpos, de beijos, pequenas mordidelas, arranhões e gritos de prazer libertou-se um fogo, a paixão avassaladora inundou-os e quando ambos atingiram o clímax a água parecia ferver a mil graus.
Ofegantes e satisfeitos deixaram-se embalar pelo bem estar, inundados de paz selaram o momento com um beijo.
Já após o pequeno almoço, ele sentou-se de novo ao piano e começou a debitar notas, uma alegoria ao silêncio, desenfreada a inspiração brotava-lhe da ponta dos dedos quase inebriante, lavou-se do adeus, lavou-se da distância, do medo, encheu-se de paz, finalmente a vida parecia fazer o sentido que ele sempre desconfiou que fizesse, mas que nunca tinha tentado experimentar.


Bruno:Carvalho


domingo, 13 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

HOJE


Hoje larguei-me no sabor das palavras, como se elas tivessem de facto sabor. Hoje libertei-me na soltura dos gestos, na leda sensação de paz. Hoje forcei-me a olhar-te, para além de qualquer medo, para além de qualquer entendimento racional.
Hoje parei de sonhar, resolvi por uma vez basear-me na realidade, tirei toda a coragem do velho armário, armei-me de um sorriso e simplesmente te ofereci as minhas palavras.
Hoje resolvi fazer-te a minha outra metade, moldar-te à forma dos meus sentimentos, hoje finalmente pude ver de novo aquele teu sorriso sincero, hoje senti no silêncio do nosso entendimento a mudança no teu rosto.
Hoje, neste novo dia, em que o sol decidiu brindar de novo esta terra com o seu esplendor, hoje neste dia bucólico de Outono pude espelhar no papel a soltura do meu desejo. Abri a janela e gritei ao ouvido do tempo. Fiz espelho na brisa da manhã das tuas palavras, memorizei-as, larguei beijos sonhados no orvalho, na esperança que pudesses colher aquela rosa no jardim, àquela hora, naquele momento só nosso.
Hoje e depois de toda a excitação voltei a fazer-me sonhador, voltei a fazer-me poeta, para te celebrar, a tua beleza, o teu carinho, a minha certeza de nada acontecer por acaso e tudo ter um momento para acontecer.
Hoje tomei consciência que te procurava, há muitas vidas, muitas vezes te encontrei e te perdi, muitas vezes simplesmente passavas sem me ver, muitas vezes passava sem te sentir. Mas a noite fez-se conselheira fiel e o dia rompeu com esplendor, para uma nova consciência, um novo objectivo, um novo prazer de viver e tudo por uma singela missão, fazer-te sorrir…
E assim fui à luta, armei-me cavaleiro, percorri o caminho amparado pelo sol, o meu sol, a minha salvação prometida. Respirei fundo e parti sem saber onde ir, sem querer saber onde o caminho me levará, parti simplesmente pela aventura de viver e pela alegria de partilhar contigo mais um dia, cada dia, como só existisse aquele.
Há sentimentos que carecem de explicação, sentimentos para além de cada palavra, proferida ou escrita. Sentimentos demasiados grandes que fogem ao tempo, não por durarem para sempre mas por aparecerem quando menos se espera. Aí reside a beleza da paixão.
Orgulhei-me de te deixar fazer parte de mim e da minha vida, o caminho é longo, vamos fazê-lo juntos? Um novo dia nascerá e uma nova noite chegará não para trazer a escuridão e o medo, mas sim a alegria e o amor.


Bruno:Carvalho

foto por: Helio

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

TELA


O futuro desfia-se em mil fios nas pontas dos meus dedos para tecer o presente. O meu coração explode com a chegada da noite, pois com ela vem a lua, vem aquele doce aroma a serenidade, com ela vêm os meus sonhos e neles vens tu.
Neles faço do teu corpo tela e pinto borboletas com os meus lábios, misturo cores com a ponta dos dedos na tua pele, idealizo paisagens no teu olhar.
O meu coração descongela finalmente, jazia adormecido no mais fundo dos invernos, agora explodiu em mil pedaços de calor, calor de uma nova primavera, uma esperança finalmente tornada realidade, o meu corpo rejubila, a minha alma finalmente canta hinos de glória.
Conquistaste-me com a doçura do teu sorriso.
Agora aqui fico à espera, carente de ti, do teu calor, do teu abraço. Agora aqui fico finalmente certo que quero viver, sim escolho viver.
E tu meu amor, tu viverás para além dos meus sonhos.


Bruno:Carvalho


Foto por: silvio feitosa


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ARREBATAMENTO


Arrebatado.
A palavra fugia-me já há vários dias. É uma experiência de arrebatamento aquela que sinto ao olhar nos teus olhos, lá na profundidade deles, onde ninguém ousa ir, onde ninguém quer ir, por causa do medo. Aquele medo que nos turva sempre, roubando-nos os momentos certos.
O desconhecido abre-se entre nós, um abismo auto-denominado distância, distância espacial, não temporal, pois o tempo é nosso, todo o tempo.
E mesmo que fiques insegura sem saber onde pisar a seguir, sem saber o que dizer apesar das palavras se acumularem na tua boca, fica ciente que mesmo que decidas eternizar o silêncio, nunca poderás calar com ele o meu sentimento. Ali ficará ele entre o crepúsculo e a aurora, eternamente à espera embora não seja eterno, pacientemente aguardando apesar de ser maior que o tempo.
É engraçado como as nossas decisões parecem afectar sempre a nossa vida mesmo que por vezes não pareça à primeira, mesmo que demore o tempo necessário para o sol dar uma inteira volta à terra, acabamos por nos aperceber que certas coisas nunca poderiam ser de outra forma.
Temo porém que com o meu firme entusiasmo, com a minha recém descoberta felicidade te empurre para longe de mim, para ainda mais longe.
Arrebatado pela doçura do teu sorriso deixo-me levar pela serenidade, a eternidade tão perto embrulhada num beijo teu, desfaço-me em pequenas gotas de chuva para tocar a tua pele, uma lágrima de felicidade derramada pela imensidão dos teus olhos, sob qualquer forma estarei lá, pois a tristeza jaz inconsciente que é finita, infinita é a minha esperança em conseguir conquistar o teu jardim, e no meio das rosas vermelhas, dos lírios dourados, dos cravos brancos e dos malmequeres amarelos, estarás tu a maior flor que o mundo jamais viu florir.
E aqui continuo arrebatado apesar da distância, do abismo do medo e da incerteza de um sentimento que de banal tem muito pouco mas que de único tem quase tudo.
E o nosso será sempre muito mais que um simples sonho ou um delírio de uma noite mal dormida.

Bruno:Carvalho

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

NINGUÉM

Pearl Jam
"Nothingman"
once divided...nothing left to subtract...
some words when spoken...can't be taken back...
walks on his own...with thoughts he can't help thinking...
future's above...but in the past he's slow and sinking...
caught a bolt 'a lightnin'...cursed the day he let it go...
nothingman... nothingman...
isn't it something?nothingman...
she once believed...in every story he had to tell...
one day she stiffened...took the other side...
empty stares...from each corner of a shared prison cell...
one just escapes...one's left inside the well...
and he who forgets...will be destined to remember...
nothingman... nothingman...
isn't it something?nothingman...
oh, she don't want him...
oh, she won't feed him...
after he's flown away...
oh, into the sun...
ah, into the sun...burn...burn...
nothingman... nothingman...
isn't it something?nothingman...
nothingman...coulda' been something...nothingman...
oh...ohh...ohh...

(E. Vedder)

EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...