PIANO


Parou de tocar, com os dedos ainda pousados nas teclas do piano, apreciou o silêncio. A mente divagava parecia que havia tocado uma melodia de um adeus, no entanto nenhum adeus havia acontecido.
Quando se levantou percorreu o curto espaço até à varanda e sentou-se na cadeira de baloiço, o sol de inverno embatia na pequenas gotículas congeladas no beiral para além do vidro da grande janela que cobria a varanda.
Para além do vidro ele viu-a a cuidar do seu jardim, aquele jardim parecia um paraíso, centenas horas de trabalho saídas das mãos cuidadosas da mulher, era deveras confortante vê-la ali, após a escravatura da distância os ter separado por demasiado tempo, finalmente tudo estava a correr bem, finalmente a roda girava solta e alinhada, sem qualquer grão de areia a encravar.
Ela virou-se e sorriu, aquele sorriso havia sido o gatilho que havia despoletado a paixão no seu coração, o sorriso e aquele olhar profundo.
Ela entrou e sentou-se ao seu colo, beijou-a intensamente, as suas mão percorreram o corpo dela enquanto ela tremia ansiosa como se o fogo tivesse sido ateado de novo, adoravam fazê-lo de manhã, excitado ele foi-lhe enterrando os lábios no pescoço, retirando lentamente a camisola de lã e depois a blusa branca, conforme ia desabotoando os botões sentia ondas de êxtase percorrer-lhe o corpo, ambos gemeram lentamente.
De repente ela parou e sorriu-lhe, lânguidamente segredou-lhe ao ouvido, no banho?
Ele pegou-lhe e juntos entraram no jacuzzi ainda quente, já libertos da roupa ele beijou-lhe ao de leve os seios levando a arquear, as mão dela percorreram o corpo até ao sexo dele e desta vez foi a sua vez de gemer, no limite do êxtase ele penetrou-a e o mundo pareceu deixar de existir, naquela dança desenfreada de corpos, de beijos, pequenas mordidelas, arranhões e gritos de prazer libertou-se um fogo, a paixão avassaladora inundou-os e quando ambos atingiram o clímax a água parecia ferver a mil graus.
Ofegantes e satisfeitos deixaram-se embalar pelo bem estar, inundados de paz selaram o momento com um beijo.
Já após o pequeno almoço, ele sentou-se de novo ao piano e começou a debitar notas, uma alegoria ao silêncio, desenfreada a inspiração brotava-lhe da ponta dos dedos quase inebriante, lavou-se do adeus, lavou-se da distância, do medo, encheu-se de paz, finalmente a vida parecia fazer o sentido que ele sempre desconfiou que fizesse, mas que nunca tinha tentado experimentar.


Bruno:Carvalho


Comentários

_Sweetinha_ disse…
Andas mt inspirado.... UIiiiii

Jinhossss
Lindo Texto =$

Sempre Gostei de Piano, Sempre quis saber mais do pouco que sei =#

Nunca Tive essa oportunidade, mas deliro com um piano :)

Um beijo, Patricia Carvalho :)

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