quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SOLIDÃO


E aqui ficamos atirados para lados opostos do caminho, erodidos pelo tempo, tragados pela saudade.
Aqui ficamos indiferentes a quem passa, tecendo sonhos de nada.
Aguardamos o esquecimento consumidos pela nossa infinita solidão.
Aguardamos que alguém nos pegue e nos guarde para vermos depois a nossa esperança esvair-se entre os seus dedos.
A vontade de viver perde-se aos poucos, ansiamos que o fim venha rápido e que ele traga por fim a paz ansiada.
Fechamos o coração convictos que não voltaremos a ser fracos, mas conscientes que na verdade o ciclo terminará e outro iniciar-se-á, com mais uma esperança fugidia, uma paixão arrebatadora e no fim mais um desgosto inevitável.
E nós os que nos alimentamos das sombras do caminho, do estado de invisibilidade perene, nós que somos filhos do nada porque nascemos do abismo do esquecimento, nós ficaremos finalmente em pó, sem necessidade de ser relembrados seremos para sempre esquecidos misturados na insignificância daqueles que vieram antes de nós.

Bruno:Carvalho
2010

Foto por: Elisabete Homem

2 comentários:

Abelha Charlatona disse...

bom texto :)

pati*

~J disse...

Não anseies pelo fim, Brunito! Não vale de nada esperar por ele...
Achas mesmo que seremos esquecidos?

Obrigada pelas tuas palavras acolhedoras! Tenho estado "ocupada" e tenho-me afastado um pouco do blog.
Há muito que não passava por aqui também mas vejo que continuas sempre muito inspirado:) escreves todos os dias? Tentas escrever todos os dias?


beijinhos

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