segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VOAR


E os céus pareciam descer, esticou-se como para agarrar as nuvens que lhe faziam tecto, no entanto estas trespassaram húmidas pela condensação do vazio.
Ficou triste, cabisbaixo, sempre tinha sonhado tocar o céu, odiava aquelas coisas chamadas pernas que o prendiam aquele chão, sempre frio, sempre aborrecido, queria voar, mesmo que nunca lhe tivessem dado asas.
Absorto em pensamentos arquitectou um plano, o que havia de fazer para tocar o céu, aquele azul imenso que por vezes ficava prata, outras carmim, outras negro como o asfalto que tão dolorosamente pisava.
Saltou, aos pulos desceu a rua, por vezes parecia ficar perto, mas logo era puxado para o chão e cada vez que embatia de novo na terra praguejava como se de um demente se tratasse.
Porquê? Porque não podia voar, porque lhe diziam que era impossível?, ali na sua completa inocência ambicionava ser mais do que aquilo que o mundo havia traçado para ele.
Um dia!
Um dia prometeu a si próprio, tocaria o céu e voaria.
25º aniversário.
Saltou do avião, as lágrimas afloraram aos seus já experientes olhos, toda a inocência havia sido varrida, mas sorriu, finalmente havia voado. Quando accionou o pára-quedas largou gargalhadas.
- Ah ah, olhem para mim agora! Toco no céu!
Ao chegar ao chão teve um relâmpago de percepção, havia perdido o apoio ao solo, mas havia ganho as suas ambicionadas asas, nem que fosse só por um dia.
Liberdade, vida!
Serás sempre mais do que aquilo que ambicionam para ti!


Bruno:Carvalho


2 comentários:

_Sweetinha_ disse...

... Voa... Eu empresto-te umas asas :P

Kiss

Abelha Charlatona disse...

Mais Um texto Lindo :)

Adoro ler o que escreves, continua :)

Ainda falta o lirio II :p

bEIJINHO*

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