domingo, 28 de fevereiro de 2010

ASLEEP

Viu ao longe a placidez do seu rosto, a intensa beleza do seu sorriso, movimentava-se como num sonho, parecia caminhar, mas os seus pés nunca tocavam no chão, pairava, mais leve que um pensamento, tão irreal como um desejo.
A noite veio, o sono aplacou todo e qualquer sentimento, viu-se ali vazio, ancorado ao nada como um farrapo de neve perdido num dia precoce de primavera.
Abraçado às suas recordações riu-se ardentemente da ironia da vida, abraçado à solidão fingiu viver noutro mundo, numa realidade paralela onde a vida é apenas um sonho.
Adormeceu, sentia-se vazio de emoções.
Apenas o sono sem sonhos fazia sentido.
Bruno:Carvalho
2010



ANATHEMA

"Wings Of God"

No one can find me

Here in my soul

Kicking and screaming

Out of contro

Calm myself down now

Nobody knows

No one can find me

Here in my soul

Hooked on your problems

Do I know why

And if you come my way again

Would I lend a hand

Would I understand

No one can find me

Here in my soul

Kicking and screaming

Out of control

Calm myself down

Nobody knows

No one can find me

Here in my soul

Solitude was never.. never seen as loneliness

And things need.. they need time

And time leads to other things

And playing roles

Which are limited

By the poor fund of knowledge

In this sick, sick world

We all fall down

Once in a while

Escaping the law of the unexplained pains

[Lyrics & Music: J. Cavanagh]

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

SOPRO


Estou cansado, mentalmente, fisicamente...
Estou cansado que a distância vença sempre, estou cansado que a vida dê mil e uma voltas até dar algo que valha a pena, estou cansado de mim, cansado da minha impotência.
Quem me dera poder trocar a pele, pelo menos uma vez por semana, ser diferente, o oposto.
Quem me dera ter fé, quem me dera acreditar que de facto existe mais.
Por vezes fico simplesmente assim, arrasado pela corrente do dia-a-dia, incapaz de levantar a cabeça, demasiado descrente para aprender com o desânimo.
Falta-me aquela vitamina, aquele força extra que o teu beijo me dá, falta-me o teu perfume, o teu sorriso, a tua presença...
Que o sono chegue célere, que a noite cure a descrença e os sonhos façam eco de novo no silencioso âmago da minha alma.
Faz-te corpo, carne e sangue, faz-te verdade e certeza, faz-te pulsação para conduzires o meu coração ao ritmo certo de novo.
Faz-te ânimo, faz-te sensação e paixão, um sonho, um paraíso perdido, faz-te fogo para me consumires, para depois o vento espalhar as minhas cinzas, faz-te salvação.
Faz-te prazer, preenche o meu corpo com sensações, faz-me tela e pinta em mim a serenidade do teu corpo.
Faz-te musa, sopra em mim de novo a inspiração, um sopro em forma de beijo, faz-me poeta porque longo se torna o caminho e sem as palavras tuas que de mim respiro longo se torna também o abismo que nos separa.


Bruno:Carvalho
2010

Foto por: Victor Melo




terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

SONETO DE FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes


sábado, 13 de fevereiro de 2010

BELEZA


Abri a garrafa de vinho e enchi meio copo, sentei-me na minha poltrona favorita e carreguei no play da aparelhagem, deixei o som fluir pela sala, inclinei a cabeça para trás e ali fiquei com o aroma do vinho a entranhar-se sensualmente em mim, como o som, a sensação de felicidade espalhava-se pelo interior daquelas quatro paredes, ergui o copo de vinho à luz das velas dispersas na mesa, a sua cor rubi incendiou o meu olhar, fixo naquele ponto de luz imaginei...

...beijei cada pedaço da tua pele, absorvi o teu aroma conforme fazia o meu nariz arrastar-se pelo teu pescoço, subi aos poucos, beijei o lobo da tua orelha, mordisquei ao de leve, enquanto tu libertavas um suspiro amordaçado pelo prazer, enterrei os meus lábios nos teus e ali fiquei, preso entre a realidade e um sonho interminável...

Levei o copo aos lábios e sorvi um pouco daquele néctar divinal, o liquido escorreu pela minha garganta abandonando a minha boca ao sorriso entretanto formado, expeli um longo gemido, um orgasmo disfarçado de puro arrebatamento, os meus olhos abriram-se de novo para fitar os teus do outro lado da mesa, de copo erguido fizemos um brinde à beleza e doçura para sempre eternizadas naquele momento.


Bruno:Carvalho
2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

APRENDIZAGEM

E eis que mais um dia finda, o vento leva as migalhas, a chuva bate silenciosa no vidro da janela, o mesmo vidro que eterniza o nosso sorriso simples.
E eis que termina mais um dia de lições aprendidas, angústias dissecadas e desilusões finalmente soltas no vazio, onde devem para sempre ficar.
Depois de despejarmos as palavras amargas há que retirar delas todas aquelas pequenas experiências positivas, todos os momentos intensos, todos os minutos de prazer, assim ficamos agarrados à realidade e a um positivismo que nos fará para sempre bem.
A vida é dura por isso existe um infinito de situações das quais podemos aprender, por isso viver é um processo de aprendizagem, e como seres curiosos que somos sempre fomos ávidos por saber, por isso porque não tornar a vida num imenso catálogo de novas experiências?
Como o meu muito querido Eddie diz, às vezes somos mesmo libertos para voar, finalmente!

BRUNO:CARVALHO
2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

NADA


Hoje é o dia das meias palavras, dos meios sorrisos, é o dia do vazio e da dúvida eterna.
Hoje conspurcado com o meu egoísmo dou-me ao luxo de esquecer que existo. Será impressão minha ou os dias tornam-se mais escuros?
Inércia amorfa arrasta os meus dedos pelo teclado, exposto à vontade do nada, faço-me nada para nada ser.
E quem quiser que me ouça, das minhas palavras não faço mais que rasuras numa folha branca deixada à chuva num dia de Outono, é o dia das incertezas, da corrupta revolta interior.
Hoje é o dia do silêncio, aquele silêncio maior que o destino, aquele silêncio que mais ensurdecedor que o maior dos gritos.
Abraço-me no vazio.
Faço-me meio, para me adaptar aos meios tudos que formam o todo do meu nada.

Bruno:Carvalho
2010

Foto por: Daniel Pimenta

sábado, 6 de fevereiro de 2010

CEGO


Quem és tu que apareces sorrateiramente nos meus sonhos, que entras no meu corpo e o arrastas para um sono agitado?
Quem és tu que vens de mansinho e sussuras levemente ao meu ouvido, que aspalhas escuridão onde outrora houve sol?
Quem és tu que me roubas os sonhos e a vontade de voar, quem és tu que desferes estes golpes que inundam a minha alma?
No auge da minha insónia julgo ver-te numa visão esborratada, misto de realidade e de delírio inconsciente, frágil recolho-me dentro de mim, onde é mais seguro, onde é mais sereno.
A paz é breve porém, quando destemida estilhaças as minhas janelas interiores, impotentente assisto a tomares conta de novo de mim, mais um pesadelo, mais uma hora sombria...
Quem és tu? Porque não te mostras à luz? Porque não assumes a tua bestialidade e me enfrentas olhos nos olhos?
Na frieza da noite luto contra uma ameaça invisível, identidade cuja única prova é um reflexo num espelho na escuridão cerrada de um quarto vazio.
Afasta-te de mim déspota!
Amor cruel disfarçado de paixão com mãos de veludo e toques de excitação!
Afaste-te de mim esperança infiel, deixa-me ver finalmente a pureza da verdade!

Bruno:Carvalho
2010


Cegueira Bendita

Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!

Não vejo nada, tudo é morto e vago...
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho...

Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!...
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"


Foto por: JRenato

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

BURN

IN FLAMES
"Alias"
The serpent knows,
When the curtain falls,
With denials blindfold,
He greets another day
Don't believe the mask
It adapts to any lie,
A perfect ten,
When reality caves in
Don't tell me,
Tell my ghost,
'cause I blame him
For all I don't want to know
I found secrets about life's undertow
Life's wrapped in a riddle,
Easier said than done,
Way to play the victim,
Rather run and hide.
Let them take me far away
Crawl back in place,
It's easier to cope behind the curtain,
Wipe the worries away
No thought about the consequence
Let them take me far away


Let it all burn into ashes

SACRIFÍCIO


Amar não é uma coisa fácil, não é algo que possamos fazer muitas vezes, para isso temos a paixão uma forma de amor bastante mais leve e sem perigo de muitas feridas.
Amar, portanto, exige sacrifícios, sacrifícios esses que são respostas aos nossos medos e receios, à nossa falta de confiança em nos entregarmos a esse sentimento.
Não ter a certeza dele não é sinal que não os estejamos a sentir, é, mais uma vez, o medo a ganhar terreno e quando ele ganha a dor aparece.
Por vezes, não raramente, apercebemos-nos da nossa própria mortalidade, tomamos consciência que uma vida finda de um minuto para o outro, tomamos a árdua consciência que é uma viagem sem regresso, vem o nada, o esquecimento, vazio de sentimentos, vazio de alegria.
Por isso nesses momentos percebemos o quão é importante fazer sacrifícios quando o amor nos toca tão fundo, é urgente rasgar o medo e o medo tem muitos aliados, medo de ser longe, medo de ser muito alto, medo de ser muito complicado, medo de sofrer de novo, medo de dizer adeus. A dúvida instala-se em nós e em vez de agarrarmos a felicidade que se mostra ali mesmo frente aos nossos olhos, viramos as costas firmes na certeza que frente a esses mesmos olhos só vemos o vazio, mas não é o vazio que vemos é o medo a rir-se na nossa cara.
Podia falar nos muitos sacrifícios que estamos dispostos a fazer por quem amamos, mas isso a cada um pertence, mas a nossa mais saborosa vitória é saber que ao fazê-lo estamos a vencer o medo, estamos a ser fortes e verdadeiros. A recompensa bem sob a forma de um beijo, um sorriso, uma carícia ou simplesmente uma palavra suspirada por uns lábios que aprendemos a saborear ou através de um olhar que ilumina um rosto que aprendemos a reconhecer.
Pudéssemos ser todos bravos guerreiros nesta luta interminável e o mundo seria bem melhor.

Bruno:Carvalho
2010


"A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras."

(Autor Anónimo)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

VALSA


Sentiu-se a correr no fio da espada, como gostava ele de correr no limite, à espera de vir o vento que o orientasse para um ou outro lado do fio.
Estudava atentamente a anatomia de um adeus quando percebeu que não fazia sentido estudar algo tão estranho e sem sentido, sentia por vezes que este tinha uma melodia, mas decerto seria só ecos da sua fantasiosa imaginação.
Imaginava-a todas as noites e isso nunca escondia, sonhava, podia dizer mesmo que sonhava, sonhava com os seus lábios colados nos dela como se o amor se tivesse feito cola, sonhava com as suas mãos no corpo dela como se a paixão fosse navio a navegar em águas revoltosas, sonhava com o seu olhar como se a esperança fosse mesmo de cor verde, naquele caso porém ela parecia-lhe castanha.
Sonhava, imaginava, fantasiava, alguém o poderia condenar por isso?
Como se fosse preciso pagar para isso, como se fosse um pecado medonho ansiar o corpo dela junto ao seu, o bater do coração dela na palma da sua mão nervosa.
Era um sonhador portanto, vivia naquele limiar entre o filme romântico e a tragédia grega, entre a vivacidade de Vivaldi e a melancolia de Bach, vivia entre o choro e ao mesmo tempo entre o riso. Alimentava-se de esperança embora fosse essa mesma esperança que o teimava em derrubar, dia após dia, noite após noite.
Fazia amor com a ilusão dela, na cama vazia, nos lençóis revoltosos tão cuidadosamente perfumados, acendia as velas, desfolhava rosas, fazia tudo isso porque precisava, por precisava acreditar que estava vivo. Dançava a valsa abraçado ao seu corpo moribundo.
Debaixo do chuveiro frio, reflectia para que lado do fio cair agora, permitia-se sangrar pois a dor que lhe queimava a pele sobrepunha-se à dor que lhe incendiava a alma.
Chamar-lhe-ão fraco, mas como poderá ser assim tão fraco quando está disposto a sacrificar a alma por um amor que lhe roubaram logo à nascença?
Um beijo, um beijo apenas para florir mais um sorriso e afastar de vez a melodia triste de um adeus prometido.

Bruno:Carvalho
2010

Foto por: Filipe Gil

REQUIEM

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"O PRÍNCIPE CORVO"


"Há uma coisa que sempre quis fazer com uma mulher. - a voz dele soava aveludada.
Que queria dizer? Assustada, ela resistiu. Quereria ele fazer aquilo? Nessa manhã, fora diferente, já que estava meio a dormir. Agora, estava completamente desperta.
- Não é uma coisa que um homem possa fazer com uma prostituta - disse ele.
Oh. Deus, será que ela podia fazer isto? Expor-se tão intimamente? Esticou o pescoço para olhar para o rosto dele.
O seu olhar mostrava-se implacável. Edward queria aquilo.
- Deixe-me, por favor.
Corando, Anna deitou-se, rendendo-se a ele e à sua vontade. Deixou que os joelhos se afastassem, sentindo como se estivesse a oferecer-lhe uma prenda de amor. Ele observou as pernas dela a abrirem-se mais e mais, até se ver ajoelhado entre as suas coxas afastadas, com os seus lugares mais íntimos agora expostos. Anna fechou bem os olhos, incapaz de o ver a observá-la.
Edward não fez mais nada e, por fim, ela já não suportava esperar mais. Abriu os olhos. Ele fitava o mais feminino dos órgãos dela, de narinas dilatadas, a boca comprimida numa expressão tão possessiva que até assustava.
Anna sentiu a sua abertura a contrair-se, em reacção. De dentro dela, escorria um fluído.
- Preciso de si - suspirou ela.
Então, ele assustou-a verdadeiramente, mergulhando a língua na sua vagina molhada.
- Oh!
Olhou para a cara dela e lambeu-lhe lentamente os lábios da vulva.
- Quero saboreá-la e chupá-la até se esquecer do seu nome - sorria carnalmente - Até me esquecer do meu próprio nome.
Anna arqueou-se e expirou mal ouviu aquelas palavras, mas as mãos dele estavam agora nas suas ancas, segurando-a. A língua dele perscrutava as dobras da sua feminilidade, cada golpe de língua a aitingi-la mais intimamente. Encontrou o clítoris e lambeu.
E ela perdeu a cabeça. Um longo e gutural gemido desprendeu-se da sua boca. Com os punhos, Anna retorceu a almofada, de cada lado da sua cabeça. As suas ancas subiram. Mas ele não se deixaria afastar do seu objectivo. Edward passou a língua continuadamente pela sua saliência até ela se sentir em êxtase e, despudoradamente, pressionar a pélvis contra o rosto dele.
- Edward! - Aquele nome invocava-se nela à medida que uma vaga de calor lhe invadia o corpo, expandindo-se até aos dedos dos pés.
Ele pôs-se em cima dela, invadindo-a com o seu pénis, antes de ela ter tido tempo de abrir os olhos. Anna tremia e agarrava-o, enquanto ele investia contra a sua carne ultrasensível. E sentiu a vaga crescer, transportando-a nos seus movimentos. As suas coxas vibravam irresistivelmente abertas e ela esfregava a sua pélvis contra a erecção dele. Edward respondeu metendo os braços por baixo dos joelhos dela e empurrando-lhe as pernas para junto dos ombros. Estava tão aberta quanto possível, exposta e dominada, à medida que ele a amava. À medida que recebia tudo o que ele tinha para lhe dar.
- Deus! - O som rebentou nos lábios dele, mais gutural do que propriamente verbal. O seu enorme corpo tremia inapelavelmente, endurecendo-se contra ela.
A visão de Anna dividia-se em pequenos arco-íris, enquanto ele arremetia continuamente a sua enérgica carne na pele sensível. Ela arfava. Queria que aquele momento jamais terminasse, agora estavam ligados, de corpo e alma."


Elizabeth Hoyt in "O Príncipe Corvo"

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...