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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2010

ASLEEP

Viu ao longe a placidez do seu rosto, a intensa beleza do seu sorriso, movimentava-se como num sonho, parecia caminhar, mas os seus pés nunca tocavam no chão, pairava, mais leve que um pensamento, tão irreal como um desejo. A noite veio, o sono aplacou todo e qualquer sentimento, viu-se ali vazio, ancorado ao nada como um farrapo de neve perdido num dia precoce de primavera. Abraçado às suas recordações riu-se ardentemente da ironia da vida, abraçado à solidão fingiu viver noutro mundo, numa realidade paralela onde a vida é apenas um sonho. Adormeceu, sentia-se vazio de emoções. Apenas o sono sem sonhos fazia sentido. Bruno:Carvalho 2010

ANATHEMA"Wings Of God"No one can find meHere in my soulKicking and screamingOut of controCalm myself down nowNobody knowsNo one can find meHere in my soulHooked on your problemsDo I know whyAnd if you come my way againWould I lend a handWould I understandNo one can find meHere in my soulKicking and screamingOut of controlCalm myself downNobody know…

BLOW UP THE OUTSIDE WORLD

Recordar é viver, a música é eterna... felizmente...

SOPRO

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Estou cansado, mentalmente, fisicamente... Estou cansado que a distância vença sempre, estou cansado que a vida dê mil e uma voltas até dar algo que valha a pena, estou cansado de mim, cansado da minha impotência. Quem me dera poder trocar a pele, pelo menos uma vez por semana, ser diferente, o oposto. Quem me dera ter fé, quem me dera acreditar que de facto existe mais. Por vezes fico simplesmente assim, arrasado pela corrente do dia-a-dia, incapaz de levantar a cabeça, demasiado descrente para aprender com o desânimo. Falta-me aquela vitamina, aquele força extra que o teu beijo me dá, falta-me o teu perfume, o teu sorriso, a tua presença... Que o sono chegue célere, que a noite cure a descrença e os sonhos façam eco de novo no silencioso âmago da minha alma. Faz-te corpo, carne e sangue, faz-te verdade e certeza, faz-te pulsação para conduzires o meu coração ao ritmo certo de novo. Faz-te ânimo, faz-te sensação e paixão, um sonho, um paraíso perdido, faz-te fogo para me consumires, para dep…

SONETO DE FIDELIDADE

De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Vinicius de Moraes

BELEZA

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Abri a garrafa de vinho e enchi meio copo, sentei-me na minha poltrona favorita e carreguei no play da aparelhagem, deixei o som fluir pela sala, inclinei a cabeça para trás e ali fiquei com o aroma do vinho a entranhar-se sensualmente em mim, como o som, a sensação de felicidade espalhava-se pelo interior daquelas quatro paredes, ergui o copo de vinho à luz das velas dispersas na mesa, a sua cor rubi incendiou o meu olhar, fixo naquele ponto de luz imaginei...
...beijei cada pedaço da tua pele, absorvi o teu aroma conforme fazia o meu nariz arrastar-se pelo teu pescoço, subi aos poucos, beijei o lobo da tua orelha, mordisquei ao de leve, enquanto tu libertavas um suspiro amordaçado pelo prazer, enterrei os meus lábios nos teus e ali fiquei, preso entre a realidade e um sonho interminável...
Levei o copo aos lábios e sorvi um pouco daquele néctar divinal, o liquido escorreu pela minha garganta abandonando a minha boca ao sorriso entretanto formado, expeli um longo gemido, um orgasmo d…

TEARS

APRENDIZAGEM

E eis que mais um dia finda, o vento leva as migalhas, a chuva bate silenciosa no vidro da janela, o mesmo vidro que eterniza o nosso sorriso simples.
E eis que termina mais um dia de lições aprendidas, angústias dissecadas e desilusões finalmente soltas no vazio, onde devem para sempre ficar.
Depois de despejarmos as palavras amargas há que retirar delas todas aquelas pequenas experiências positivas, todos os momentos intensos, todos os minutos de prazer, assim ficamos agarrados à realidade e a um positivismo que nos fará para sempre bem.
A vida é dura por isso existe um infinito de situações das quais podemos aprender, por isso viver é um processo de aprendizagem, e como seres curiosos que somos sempre fomos ávidos por saber, por isso porque não tornar a vida num imenso catálogo de novas experiências?
Como o meu muito querido Eddie diz, às vezes somos mesmo libertos para voar, finalmente!

BRUNO:CARVALHO 2010

SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca

NADA

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Hoje é o dia das meias palavras, dos meios sorrisos, é o dia do vazio e da dúvida eterna. Hoje conspurcado com o meu egoísmo dou-me ao luxo de esquecer que existo. Será impressão minha ou os dias tornam-se mais escuros? Inércia amorfa arrasta os meus dedos pelo teclado, exposto à vontade do nada, faço-me nada para nada ser. E quem quiser que me ouça, das minhas palavras não faço mais que rasuras numa folha branca deixada à chuva num dia de Outono, é o dia das incertezas, da corrupta revolta interior. Hoje é o dia do silêncio, aquele silêncio maior que o destino, aquele silêncio que mais ensurdecedor que o maior dos gritos. Abraço-me no vazio. Faço-me meio, para me adaptar aos meios tudos que formam o todo do meu nada.
Bruno:Carvalho 2010
Foto por: Daniel Pimenta

CEGO

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Quem és tu que apareces sorrateiramente nos meus sonhos, que entras no meu corpo e o arrastas para um sono agitado? Quem és tu que vens de mansinho e sussuras levemente ao meu ouvido, que aspalhas escuridão onde outrora houve sol? Quem és tu que me roubas os sonhos e a vontade de voar, quem és tu que desferes estes golpes que inundam a minha alma? No auge da minha insónia julgo ver-te numa visão esborratada, misto de realidade e de delírio inconsciente, frágil recolho-me dentro de mim, onde é mais seguro, onde é mais sereno. A paz é breve porém, quando destemida estilhaças as minhas janelas interiores, impotentente assisto a tomares conta de novo de mim, mais um pesadelo, mais uma hora sombria... Quem és tu? Porque não te mostras à luz? Porque não assumes a tua bestialidade e me enfrentas olhos nos olhos? Na frieza da noite luto contra uma ameaça invisível, identidade cuja única prova é um reflexo num espelho na escuridão cerrada de um quarto vazio. Afasta-te de mim déspota! Amor cruel disfa…

BURN

IN FLAMES "Alias" The serpent knows, When the curtain falls, With denials blindfold, He greets another day Don't believe the mask It adapts to any lie, A perfect ten, When reality caves in Don't tell me, Tell my ghost, 'cause I blame him For all I don't want to know I found secrets about life's undertow Life's wrapped in a riddle, Easier said than done, Way to play the victim, Rather run and hide. Let them take me far away Crawl back in place, It's easier to cope behind the curtain, Wipe the worries away No thought about the consequence Let them take me far away
Let it all burn into ashes

SACRIFÍCIO

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Amar não é uma coisa fácil, não é algo que possamos fazer muitas vezes, para isso temos a paixão uma forma de amor bastante mais leve e sem perigo de muitas feridas. Amar, portanto, exige sacrifícios, sacrifícios esses que são respostas aos nossos medos e receios, à nossa falta de confiança em nos entregarmos a esse sentimento. Não ter a certeza dele não é sinal que não os estejamos a sentir, é, mais uma vez, o medo a ganhar terreno e quando ele ganha a dor aparece. Por vezes, não raramente, apercebemos-nos da nossa própria mortalidade, tomamos consciência que uma vida finda de um minuto para o outro, tomamos a árdua consciência que é uma viagem sem regresso, vem o nada, o esquecimento, vazio de sentimentos, vazio de alegria. Por isso nesses momentos percebemos o quão é importante fazer sacrifícios quando o amor nos toca tão fundo, é urgente rasgar o medo e o medo tem muitos aliados, medo de ser longe, medo de ser muito alto, medo de ser muito complicado, medo de sofrer de novo, medo de d…

VALSA

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Sentiu-se a correr no fio da espada, como gostava ele de correr no limite, à espera de vir o vento que o orientasse para um ou outro lado do fio.
Estudava atentamente a anatomia de um adeus quando percebeu que não fazia sentido estudar algo tão estranho e sem sentido, sentia por vezes que este tinha uma melodia, mas decerto seria só ecos da sua fantasiosa imaginação.
Imaginava-a todas as noites e isso nunca escondia, sonhava, podia dizer mesmo que sonhava, sonhava com os seus lábios colados nos dela como se o amor se tivesse feito cola, sonhava com as suas mãos no corpo dela como se a paixão fosse navio a navegar em águas revoltosas, sonhava com o seu olhar como se a esperança fosse mesmo de cor verde, naquele caso porém ela parecia-lhe castanha.
Sonhava, imaginava, fantasiava, alguém o poderia condenar por isso?
Como se fosse preciso pagar para isso, como se fosse um pecado medonho ansiar o corpo dela junto ao seu, o bater do coração dela na palma da sua mão nervosa.
Era um sonhador …

REQUIEM

"O PRÍNCIPE CORVO"

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"Há uma coisa que sempre quis fazer com uma mulher. - a voz dele soava aveludada.
Que queria dizer? Assustada, ela resistiu. Quereria ele fazer aquilo? Nessa manhã, fora diferente, já que estava meio a dormir. Agora, estava completamente desperta. - Não é uma coisa que um homem possa fazer com uma prostituta - disse ele. Oh. Deus, será que ela podia fazer isto? Expor-se tão intimamente? Esticou o pescoço para olhar para o rosto dele. O seu olhar mostrava-se implacável. Edward queria aquilo. - Deixe-me, por favor. Corando, Anna deitou-se, rendendo-se a ele e à sua vontade. Deixou que os joelhos se afastassem, sentindo como se estivesse a oferecer-lhe uma prenda de amor. Ele observou as pernas dela a abrirem-se mais e mais, até se ver ajoelhado entre as suas coxas afastadas, com os seus lugares mais íntimos agora expostos. Anna fechou bem os olhos, incapaz de o ver a observá-la. Edward não fez mais nada e, por fim, ela já não suportava esperar mais. Abriu os olhos. Ele fitava o mais femin…