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A mostrar mensagens de Março, 2010

DEMANDA

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Uma demanda, uma busca incessante que desagua num momento mágico, finalmente a compreensão e aqueles olhos finalmente verdadeiros livres da opacidade da mentira. Uma busca será sempre uma busca, um caminho a percorrer, o caminho cheio de aprendizagens, experiências, desilusões, dores de todo o género. Um caminho que por vezes parece demasiado íngreme. Tu olhas o teu reflexo todos os dias sem saberes ao certo quem és, mesmo que olhasses através de ti nunca o descobririas, por isso olhas além de ti, para aquela centelha de entendimento, aquele sentimento de empatia, como finalmente partilhasses o mundo com alguém. Por muito longa que seja a busca acabas por tropeçar naquilo que procuras. Definem-se lados, questionam-se crenças, é tudo uma questão de fé, é tudo uma questão de entendimento do nosso lugar num universo que por vezes parece demasiado pequeno, demasiado atrofiado. A nossa visão por vezes demasiada afunilada impede-me de ver a realidade, por vezes aquilo que procuramos está apenas…

YOUR HEARTBEAT

I just fall asleep with your heartbeat
Your beauty dwells in me
I need your eyes to ignite the skies
Just hold my hand, I can understand

Finally I found you
I’ve searched for so long
Now I can rest, now I can taste the sweetness
Let me help you release the pain

Your face is my midnight sun
I drown in you, I let myself go
I’ll never let you fall
Just hold my hand, can you recall?

The sunshine, the beauty, the poetry
You’re my angel, my muse
This journey will never end
Let’s make it together my friend
Bruno:Carvalho


"LONELY ROSES WITHER AND DIE..."

TSUNAMI

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E chegaste tu. Finalmente.
Chegaste envolta numa onda de choque que abanou as minhas fundações, chegaste abraçada à maresia, acordaste-me do meu sono profundo, o sal queimou-me as vendas que tinha sob os olhos, vejo de novo, um horizonte de primavera como nenhuma primavera alguma vez vista. Mesmo não sabendo nadar, nada temi, desde o primeiro momento que soube que os teus braços invisiveis há muito me haviam amarrado, subjugado pela serenidade forcei-me a abrir os braços, para deixar o sol me tocar, o teu sol, o teu olhar. A tua identidade há tanto tempo oculta brotou violentamente do desabrochar de um pequeno e frágil botão de rosa. Conheci-te, senti-te como se toda a minha vida te tivesse sentido, finalmente compreendia, compreendia de quem eram aqueles braços que sempre me impediram de cair no abismo, que me desviaram do caminho sem retorno. Até que a minha voz me doa, o silêncio não vencerá, apenas aquele silêncio nascido na nossa não necessidade de expressar sentimentos através de pa…

MORTO

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Morto ou vivo?
Respiro mas a diferença esbate-se, por entre horas e horas de insónia o meu discernimento desfaz-se em mil pedaços de insanidade. Pelas horas mais negras sonho acordado pesadelos feitos dos mesmos rostos, as mesmas vozes, o mesmo reflexo no espelho, os mesmos olhos vidrados, planeio planos de fuga, fuga para o esquecimento, qual deles o mais indolor? Nos olhos dos que me rodeiam vejo espelhada a minha insignificância, movem-se perto como fantasmas numa noite interminável, com os olhos turvados pelas lágrimas, clamo pelo sono, que me leve para longe... O sol de Primavera brilha lá fora glorioso, mas aqui dentro da minha alma a escuridão impenetrável mantém-se forte como um muro que me separa de um mundo estranho. No jardim as flores murchas pelo tempo afundam-se num novo pesadelo, até quando a estrutura aguentará, quando é que o castelo de cartas se desmonorará no mármore do chão frio do esquecimento?

Bruno:Carvalho 2010
Foto por: José Monge

SOLITUDE

LACRIMAS PROFUNDERE "Come, Solitude" I break all tears in you For no time A cure will be always mine When destiny is now On silent wings I ride To return Your bleeding heart must burn To celebrate our faults I Swear I will come back Someday Bring all the greys away Oblivion arise Come, destiny Come, solitude

O ESPANTALHO E A MUSA

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Ele percorria lentamente os estranhos jardins do seu não menos estranho mundo, as raízes vermelhas das rovélias floresciam já em todo o seu esplendor, no ar os esquilos bébés voam de novo, sinal que a primavera havia chegado. Sentou-se no pequeno lago no centro do labirinto de rochedos recentemente plantados, a frescura da água ensopou-lhe não sou a roupa com o corpo em si, sentia-se bem, um pouco estranho, mas era assim, um estranho num sonho estranho. Sentiu uns passos ressoarem no terreno lodoso, na outra ponta do labirinto e completamente perdida viu a fada, não estranhou, haveria algo mais estranho naquele mundo de que uma flor nascer de raízes apontadas ao céu? Levantou-se de repente e saltou as paredes do labirinto, afinal de contas era pequenas pedras recentemente plantadas, ainda não tinham 33 centímetros, arrancou uma rovélia com grande violência e quando se aproximou da fada e depois de quase a atropelar, ofereceu-lhe aquela linda raiz vermelha. A fada assustou-se, teve medo de…

CORRENTE

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Indiferente à velocidade da corrente fez de tudo para se aguentar nela, simplesmente porque não poderia ser de outra forma. Indiferente ao desassossego fez-se sombra num dia de sol, pegou em cada pedaço de si e colou-se com desprendimento, uma calma disfarçada de tempestade, uma paixão disfarçada de dor. Velando o sono da sua muda companhia, fez-se grito imortal, uma ode ao silêncio, aquele silêncio cru que tantas vezes provara. E pudera a vida ser um mistério a desvendar, pudera ser um segredo escondido, um fio da teia do destino, pudera ele ter sido um mau actor, pudesse o pano ter caído e nova peça ter começado. Vive de memórias, aquelas suas, aquelas nunca suas mas sonhadas por ele, vive de hipóteses, meros desejos despejados no papel, escritos por tinta invisível. Preso na sua cela com vista para o mundo, deixa-se vencer sem nunca ter tentado lutar, pela facilidade de culpar os outros, pela descrença que tudo possa ser diferente. Traíu sua memória sabendo no entanto que ela não é mais …

PASSOS

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Marquei finalmente para 10 de Abril a conclusão da minha tatuagem, só esse facto fez-me ficar hoje um pouco mais animado, pois encerrar este projecto é abrir portas a outro novo. Passo a passo tento refazer um novo inicio, tento esquecer que existe uma distância entre nós, um mundo que vence em demasiadas situações. Tento endireitar-me após novo sopro mais forte, tento agarrar-me a uma razão, agarro-me a ti, e à memória de como será o teu beijo, o teu toque, as tuas palavras no meu ouvido. De pequenos passos é feito o meu caminho, para não cair de vez no abismo.

Bruno:Carvalho 2010