domingo, 28 de março de 2010

DEMANDA


Uma demanda, uma busca incessante que desagua num momento mágico, finalmente a compreensão e aqueles olhos finalmente verdadeiros livres da opacidade da mentira.
Uma busca será sempre uma busca, um caminho a percorrer, o caminho cheio de aprendizagens, experiências, desilusões, dores de todo o género. Um caminho que por vezes parece demasiado íngreme.
Tu olhas o teu reflexo todos os dias sem saberes ao certo quem és, mesmo que olhasses através de ti nunca o descobririas, por isso olhas além de ti, para aquela centelha de entendimento, aquele sentimento de empatia, como finalmente partilhasses o mundo com alguém.
Por muito longa que seja a busca acabas por tropeçar naquilo que procuras. Definem-se lados, questionam-se crenças, é tudo uma questão de fé, é tudo uma questão de entendimento do nosso lugar num universo que por vezes parece demasiado pequeno, demasiado atrofiado.
A nossa visão por vezes demasiada afunilada impede-me de ver a realidade, por vezes aquilo que procuramos está apenas à distância de um pensamento.
Por estes dias o meu pensamento ruma a sul, por entre planícies imensas, ancorada num cais à beira mar plantado vive a luz, aquela pequena luz que me fez ver o degrau seguinte. E por muito ténue que possa ser, só ter existido já foi uma vitória sobre a cegueira que me vendou os olhos por algum tempo.
Mesmo que não exista em nós um futuro, já me vejo claramente neste tão nosso sentimento, um gesto, mil palavras e uma empatia que arrepia.


Bruno:Carvalho
2010

Foto por: Paulo Nunes

sexta-feira, 26 de março de 2010

YOUR HEARTBEAT

I just fall asleep with your heartbeat
Your beauty dwells in me
I need your eyes to ignite the skies
Just hold my hand, I can understand

Finally I found you
I’ve searched for so long
Now I can rest, now I can taste the sweetness
Let me help you release the pain

Your face is my midnight sun
I drown in you, I let myself go
I’ll never let you fall
Just hold my hand, can you recall?

The sunshine, the beauty, the poetry
You’re my angel, my muse
This journey will never end
Let’s make it together my friend
Bruno:Carvalho



"LONELY ROSES WITHER AND DIE..."

quarta-feira, 24 de março de 2010

TSUNAMI


E chegaste tu. Finalmente.

Chegaste envolta numa onda de choque que abanou as minhas fundações, chegaste abraçada à maresia, acordaste-me do meu sono profundo, o sal queimou-me as vendas que tinha sob os olhos, vejo de novo, um horizonte de primavera como nenhuma primavera alguma vez vista.
Mesmo não sabendo nadar, nada temi, desde o primeiro momento que soube que os teus braços invisiveis há muito me haviam amarrado, subjugado pela serenidade forcei-me a abrir os braços, para deixar o sol me tocar, o teu sol, o teu olhar. A tua identidade há tanto tempo oculta brotou violentamente do desabrochar de um pequeno e frágil botão de rosa.
Conheci-te, senti-te como se toda a minha vida te tivesse sentido, finalmente compreendia, compreendia de quem eram aqueles braços que sempre me impediram de cair no abismo, que me desviaram do caminho sem retorno.
Até que a minha voz me doa, o silêncio não vencerá, apenas aquele silêncio nascido na nossa não necessidade de expressar sentimentos através de palavras, esse silêncio nascerá amordaçado pelo nosso beijo.
Amarrado a ti, sobrevivo incólume ao passar do tsunami, que renovará as nossas vidas, que destruirá a incerteza do destino.
Desta vez a distância não vencerá!
Liberdade. É o que sinto em cada palavra que leio e que escreves com tão descontraído e intenso sentimento.

Bruno:Carvalho
2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

MORTO


Morto ou vivo?

Respiro mas a diferença esbate-se, por entre horas e horas de insónia o meu discernimento desfaz-se em mil pedaços de insanidade.
Pelas horas mais negras sonho acordado pesadelos feitos dos mesmos rostos, as mesmas vozes, o mesmo reflexo no espelho, os mesmos olhos vidrados, planeio planos de fuga, fuga para o esquecimento, qual deles o mais indolor?
Nos olhos dos que me rodeiam vejo espelhada a minha insignificância, movem-se perto como fantasmas numa noite interminável, com os olhos turvados pelas lágrimas, clamo pelo sono, que me leve para longe...
O sol de Primavera brilha lá fora glorioso, mas aqui dentro da minha alma a escuridão impenetrável mantém-se forte como um muro que me separa de um mundo estranho.
No jardim as flores murchas pelo tempo afundam-se num novo pesadelo, até quando a estrutura aguentará, quando é que o castelo de cartas se desmonorará no mármore do chão frio do esquecimento?


Bruno:Carvalho
2010

Foto por: José Monge

quarta-feira, 17 de março de 2010

SOLITUDE

LACRIMAS PROFUNDERE
"Come, Solitude"
I break all tears in you
For no time
A cure will be always mine
When destiny is now
On silent wings I ride
To return
Your bleeding heart must burn
To celebrate our faults
I Swear I will come back Someday
Bring all the greys away
Oblivion arise
Come, destiny
Come, solitude



quarta-feira, 10 de março de 2010

O ESPANTALHO E A MUSA


Ele percorria lentamente os estranhos jardins do seu não menos estranho mundo, as raízes vermelhas das rovélias floresciam já em todo o seu esplendor, no ar os esquilos bébés voam de novo, sinal que a primavera havia chegado.
Sentou-se no pequeno lago no centro do labirinto de rochedos recentemente plantados, a frescura da água ensopou-lhe não sou a roupa com o corpo em si, sentia-se bem, um pouco estranho, mas era assim, um estranho num sonho estranho.
Sentiu uns passos ressoarem no terreno lodoso, na outra ponta do labirinto e completamente perdida viu a fada, não estranhou, haveria algo mais estranho naquele mundo de que uma flor nascer de raízes apontadas ao céu?
Levantou-se de repente e saltou as paredes do labirinto, afinal de contas era pequenas pedras recentemente plantadas, ainda não tinham 33 centímetros, arrancou uma rovélia com grande violência e quando se aproximou da fada e depois de quase a atropelar, ofereceu-lhe aquela linda raiz vermelha.
A fada assustou-se, teve medo de ser um troll, por vezes andavam por aí, musculosos mas de cabeça oca, eram criaturas sem dúvidas das mais burras naquele estranho mundo. Porém o ser que via à sua frente era um lindo espantalho, a sua palha estava lustrosa, o seu chapéu preto de abas largas encimava uma cabeça assimetricamente perfeita, as suas roupas esfarrapadas demonstravam o seu excelente gosto na moda, era atraente.
O espantalho fez o que sabe melhor e tentou espantar o pardal da ponta do seu nariz de madeira, se tivesse o dom da palavra naquele momento nenhuma poderia ter saído, não só por a sua boca ser constituída por botões de camisa, mas porque a beleza daquela fada era por demais sentida, muito para além de vista, até porque aquela cara perfeita e simétrica era deveras feia.
Ela sorriu ao ver a rovélia, como o espantalho não podia falar ela esboçou um sorriso e poisou um beijo redondo nos seus botões de camisa.
No bucólico entardecer daquele estranho mundo a chuva voltou de novo para abençoar aquele peculiar encontro, do chão brotou uma violenta tempestade, a fada abraçou-se ao seu espantalho, aquele que a iria livrar do frio, do medo, da insegurança de sentir apenas linda e não bonita, como toda a gente normal era.
Encostou o seu corpo com as asas encolhidas às roupas incríveis do seu recém encontrado salvador, debaixo das abas largas do seu chapéu negro encontrou o espaço preciso para receber aquela chuva abençoada.
O irritante pardal saltou do seu nariz quando a glória da chuva invadiu aquele jardim, sentiu-a perto de si, a sua palha vibrou com um arrepio, uma sensação de frio a percorrer-lhe a espinha de pau, e que delicioso era aquele frio, sentiu as asas delas fazerem-lhe cócegas, cócegas essas que não tinha de todo, mas era no entanto interessante senti-las na mesma.
O espantalho poeta, actor falhado de guiões agrícolas mais ou menos insalubres, havia encontrado a sua musa, em forma de fada, musas à antiga eram difíceis de encontrar, os patéticos seres que o tinham criado e se que estranhamente se denominavam por humanos, há muito as haviam extinguido, assim como o fizeram com a beleza, com a natureza, com a frescura da noite, com o bom senso e com a razão. Espalharam pelo mundo espantalhos como ele para afugentarem de si o sentido da vida, para afastarem a paixão.
O nosso espantalho sorriu um sorriso imaginado e com renovada paixão poisou os seus botões em forma de boca nos lábios dela.
Por esta altura tudo o que era pardal há muito tinha optado por ficar distante daqueles dois, algo lhes dizia que naquele jardim algo havia mudado, umas estranhas plantas haviam surgido, ao contrário das raízes das rovélias despontavam agora umas coisas espinhosas com uns bolbos carnudos e coloridos na ponta, os mais velhos lembravam-se das histórias que lhes haviam piado há muitas gerações em noites de sol, histórias que versavam de rosas, sim as rosas haviam voltado.
As pedras recentemente plantadas sugiram de repente sufocadas por pequenos braços verdes, desaparecendo rapidamente debaixo daquele manto verdejante.
O espantalho ouviu com os seus ouvidos imaginados aplausos, as rosas aplaudiam a sua performance, apercebeu-se que aplaudiam não o seu miserável papel mas sim a sua vida. A sua fada musa esvoaçou à sua volta, ele rodopiou com o vento, estatelando-se nos lençóis de rosas, sentiu-se ser invadido por um novo tipo de felicidade, sabia que havia dado vida a um novo jardim, realizado, esperançado e amado, com a sua fada junto ao seu corpo de feno fechou os seus olhos imaginados.
Do centro do jardim brotou então uma macieira uma pequena macieira que dos seus ramos explodiram mil flores brancas. Amedrontados os estranhos seres daquele estranho mundo mantiveram-se à distância, aterrorizados pela beleza os seres ditos como humanos pegaram em machados e marcharam para derrubar a esperança brotada daquele jardim. No fim do caminho porém encontraram uma firme fada, estoicamente a defender o que era seu, confiantemente a defender o que amava.
Quem poderá alguma vez derrotar os que se fazem de loucos para se salvar da loucura humana?

Bruno:Carvalho
2010


"MOONSPELL"
"Crystal Gazing"

"Why is everything to be denied?
That could make life a little bright."
Fernando Ribeiro

sábado, 6 de março de 2010

CORRENTE


Indiferente à velocidade da corrente fez de tudo para se aguentar nela, simplesmente porque não poderia ser de outra forma.
Indiferente ao desassossego fez-se sombra num dia de sol, pegou em cada pedaço de si e colou-se com desprendimento, uma calma disfarçada de tempestade, uma paixão disfarçada de dor.
Velando o sono da sua muda companhia, fez-se grito imortal, uma ode ao silêncio, aquele silêncio cru que tantas vezes provara.
E pudera a vida ser um mistério a desvendar, pudera ser um segredo escondido, um fio da teia do destino, pudera ele ter sido um mau actor, pudesse o pano ter caído e nova peça ter começado.
Vive de memórias, aquelas suas, aquelas nunca suas mas sonhadas por ele, vive de hipóteses, meros desejos despejados no papel, escritos por tinta invisível.
Preso na sua cela com vista para o mundo, deixa-se vencer sem nunca ter tentado lutar, pela facilidade de culpar os outros, pela descrença que tudo possa ser diferente.
Traíu sua memória sabendo no entanto que ela não é mais que uma pequena poeira numa tarde de inverno, lavada pela chuva, gelada pelo frio.
No seu peito bate um coração sombrio, numa cadência doentia vai marcando o compasso para o esquecimento, uma pequena marcha fúnebre num eterno dia de Inverno.

Bruno:Carvalho
2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

PASSOS


Marquei finalmente para 10 de Abril a conclusão da minha tatuagem, só esse facto fez-me ficar hoje um pouco mais animado, pois encerrar este projecto é abrir portas a outro novo.
Passo a passo tento refazer um novo inicio, tento esquecer que existe uma distância entre nós, um mundo que vence em demasiadas situações.
Tento endireitar-me após novo sopro mais forte, tento agarrar-me a uma razão, agarro-me a ti, e à memória de como será o teu beijo, o teu toque, as tuas palavras no meu ouvido.
De pequenos passos é feito o meu caminho, para não cair de vez no abismo.


Bruno:Carvalho
2010

EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...