MORTO


Morto ou vivo?

Respiro mas a diferença esbate-se, por entre horas e horas de insónia o meu discernimento desfaz-se em mil pedaços de insanidade.
Pelas horas mais negras sonho acordado pesadelos feitos dos mesmos rostos, as mesmas vozes, o mesmo reflexo no espelho, os mesmos olhos vidrados, planeio planos de fuga, fuga para o esquecimento, qual deles o mais indolor?
Nos olhos dos que me rodeiam vejo espelhada a minha insignificância, movem-se perto como fantasmas numa noite interminável, com os olhos turvados pelas lágrimas, clamo pelo sono, que me leve para longe...
O sol de Primavera brilha lá fora glorioso, mas aqui dentro da minha alma a escuridão impenetrável mantém-se forte como um muro que me separa de um mundo estranho.
No jardim as flores murchas pelo tempo afundam-se num novo pesadelo, até quando a estrutura aguentará, quando é que o castelo de cartas se desmonorará no mármore do chão frio do esquecimento?


Bruno:Carvalho
2010

Foto por: José Monge

Comentários

Narcolepsia disse…
We wont let this castle collapse...but if the castle should fall, we will build it again and make sure it is better and stronger than before. With no ghosts, no grieve, no more nightmares, but with a windows to the garden of your beautifull soul where the spring sun shines. kiss

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