quarta-feira, 24 de março de 2010

TSUNAMI


E chegaste tu. Finalmente.

Chegaste envolta numa onda de choque que abanou as minhas fundações, chegaste abraçada à maresia, acordaste-me do meu sono profundo, o sal queimou-me as vendas que tinha sob os olhos, vejo de novo, um horizonte de primavera como nenhuma primavera alguma vez vista.
Mesmo não sabendo nadar, nada temi, desde o primeiro momento que soube que os teus braços invisiveis há muito me haviam amarrado, subjugado pela serenidade forcei-me a abrir os braços, para deixar o sol me tocar, o teu sol, o teu olhar. A tua identidade há tanto tempo oculta brotou violentamente do desabrochar de um pequeno e frágil botão de rosa.
Conheci-te, senti-te como se toda a minha vida te tivesse sentido, finalmente compreendia, compreendia de quem eram aqueles braços que sempre me impediram de cair no abismo, que me desviaram do caminho sem retorno.
Até que a minha voz me doa, o silêncio não vencerá, apenas aquele silêncio nascido na nossa não necessidade de expressar sentimentos através de palavras, esse silêncio nascerá amordaçado pelo nosso beijo.
Amarrado a ti, sobrevivo incólume ao passar do tsunami, que renovará as nossas vidas, que destruirá a incerteza do destino.
Desta vez a distância não vencerá!
Liberdade. É o que sinto em cada palavra que leio e que escreves com tão descontraído e intenso sentimento.

Bruno:Carvalho
2010

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