sábado, 3 de abril de 2010

HARMONIA


Ele viu-a desce das dunas com postura confiante e olhos no mar em frente, o sol punha-se já por trás do horizonte espelhando no mar a sua moribunda radiância.
Sentou-se ao sei lado e deitou a cabeça sobre o seu ombro, dos seus olhos brotavam lágrimas mas elas não lhe pareciam de todo de tristeza, ela levantou o olhar e sorriu.
Ele com aquele jeito dele meio tímido levantou-lhe o queixo com a ponta dos dedos e beijou-a ao de leve, ambos ficaram corados, como se o pôr-do-sol tivesse incendiado os seus rostos, meio desajeitado tentou iniciar uma conversa tola, mas tudo o que lhe saiu foi uma risada, risada essa transformada por ambos numa gargalhada.
Fazia-se tarde a aragem de inicio de verão fazia-se já sentir, levantaram-se e ele pôs-lhe a mão sobre os ombros aconchegando-a contra o seu peito.
Sentaram-se na esplanada e pediram uma sangria, o liquido deixou pela garganta dele como um bálsamo, olhava no olhar dela mas parecia ver para além da superfície, tudo o que sentia naquele momento era paz, afinal paz era aquilo, um final de tarde radiante frente à mulher que se ama.
A tatuagem no pulso dela apareceu debaixo da blusa de seda, imaginou-se beijando cada centímetro daquele braço, até ao queixo, ao pescoço, imaginou-se mergulhar o nariz nos seus cabelos castanhos levemente ondulados, sorriu ao acordar daquele sonho acordado.
A pele dela era branca, fazia sobressair a sua beleza, aquela beleza tão pura que ela sempre tentara esconder, agora nunca mais o faria.
Pagou a conta e foram de mãos entrelaçadas para casa, a lua levantou-se preguiçosamente do horizonte, lua cheia, uma noite perfeita de romance, chegaram a casa comeram uma refeição leve e sentaram-se nos cadeirões na varanda, abriram um vinho de reserva, fizeram um brinde e deixaram a fragrância invadir os seus sentidos.
Ela levantou-se de repente e sentou-se no colo dele, posou o copo na mesa e mergulhou com todo o fulgor nos lábios dela, beijava com uma sensação de urgência como se o mundo acabasse no minuto seguinte, mas não acabaria, se assim fosse faria parar ali o tempo.
Fizeram amor ali na varanda com a lua como testemunha e a noite como confidente.
No final saciados pelo prazer e pelo o amor que os possuía, beberam o resto do vinho, ela adormeceu no ombro dele, ele pegou-lhe gentilmente e levou-a para a cama.
Antes de se deitar rabiscou uns versos no papel, encostado à portada demorou-se mais cinco minutos antes de aninhar-se junto à sua amada.
Dois sobreviventes que subiram do abismo, duas fénix renascidas das cinzas, dois barcos perdidos finalmente ancorados, os seus corações como âncora e o seu amor como porto seguro.
Um novo dia iria nascer não tarda mas agora já nada disso interessava, pois cada minuto valia uma vida, cada sopro de vida fazia-se eternidade, abraçados adormeceram na esperança de se reencontrarem nos seus sonhos.

Bruno:Carvalho
2010

Foto por: Cristina

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