terça-feira, 24 de agosto de 2010

OLHOS BEM FECHADOS

Ela disse-me para fechar os olhos à noite, ao invés abri-os e olhei para o espelho, para os seus mil e um fragmentos.
Ela disse-me que dormisse, como fosse possível dormir quando a saudade aperta tanto ao ponto da dor física.
Ela disse-me para ter esperança, coragem, força num futuro, como se fosse possível eu garantir esse futuro, vivo do presente.
Estendido na cama sem lençóis fechei os olhos só para ter o prazer dos abrir de novo, provar e comprovar a vida, analisar através das rachas do tecto as curvas da vida, as imperfeições do ser.
Fico perdido, toldado pela miragem do teu corpo sobre o meu, sinto o cheiro da tua pele a infiltrar-se no meu corpo, fazendo-o entrar em ebulição, um rebuliço interno, nunca desfeito, nunca tentado, nunca ousado.
Ancoro nos sonhos pois estou farto de naufragar na incerteza, na incerteza do que queres ser, do que ousas ser para mim. Pois eu sou tudo em ti, a aragem da manhã, o abrigo da noite, a luz prateada do luar, e cada vez que o brilho de uma estrela choca com o brilho do teu olhar, eu expludo num beijo magnânimo, a oitava maravilha, o teu corpo fundido no prazer extasiante do meu.
Disseste-me para fechar os olhos e dormir, eu ousei dormir, apenas para sonhar-te nua na minha noite de luar, no campo vazio de um qualquer vale encantado, sozinhos sibilando aos ouvidos do espíritos, abraçados à frescura da natureza, despimos a última pele falsa, para vestir para sempre a verdadeira.
Com os olhos fechados ou abertos vejo sempre uma coisa, o teu olhar ofuscante do outro lado do espelho.
Bruno:Carvalho
2010

1 comentário:

marie disse...

ja nao lia textos teus a imenso tempo :)

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