sábado, 27 de novembro de 2010

ETERNO

Já imaginaste o que é viver para sempre frio, para sempre só, vendo as pessoas e o tempo passar por ti?
Eterno. Já imaginaste a guerra que eclodirá na tua mente, a sede pela manhã contra o amor pela noite?
Tens a certeza que queres viver para sempre com a sensação de túmulo vazio? Procurando a sobrevivência na morte e a morte na vida?
Serás cinzas quando a luz quebrar a escuridão que te faz mover em frente, serás vazio quando o silêncio abocanhar os teus calcanhares, da tua pele cinza quase translúcida irão pulsar veias vazias, carentes de vida irás roubar outras vidas, irás ser consumido pela loucura e ficarás viciado nela, como se no teu infinito sopro de vida nunca tivesses tido mais nada.
Os impérios cairão, os dogmas serão muitas vezes arrebatados, e tu continuarás só, mergulhado numa solidão que se cola à tua pele fria serás só mais um ausente, um rejeitado pela luz, para sempre arrependido da venda da tua alma, serás eterno sim, mas a tua essência estará para sempre perdida.
Terás o teu funeral como a única memória boa, uma existência coroada pela maldição da morte eterna...
Por isso pergunto-te meu amigo: tens a certeza de quereres isto tudo?
- Sim, quero-o!

Bruno:Carvalho
2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

INVISIBLE MOTIONS


ARCANA
"Invisible Motions"

A black nothingness
spreads out before me
Even though the pale moon shine
Impressed by the structure
of invisible motions
Nature's own design

A black emptiness surrounds me
Even though the crimson sky shimmer
The knowledge of the void ahead
The anger, the pain, the wrath

A black loneliness has filled me
Even though my hear is seized
By the remnants of a lost life
With the blackness I am pleased

The anxiousness, the anguish
Knowing this is an illusion
The fear I feel, the anger
That this is it, this is the end

terça-feira, 23 de novembro de 2010

LIGHT

Encostei-te à parede verde, ofegante mordiscavas o meu pescoço e eu gemia, gemia de prazer, à beira da inconsciência física a consciência psíquica viajava de estado em estado, navegava num mar fluído de tranquilidade, abri os olhos e fitei os teus, ficámos ali, assim parados como não existisse movimento, como se o silêncio fosse o estado natural das coisas.
Depois veio um beijo, seguido de outro e outro, as nossas mãos ansiosas despiram as roupas, deitados no tapete de musgo deixámos que a natureza nos possuísse, unidos pela paixão explodimos em múltiplos orgasmos, foi como o mundo parasse de rodar, um momento no tempo para sempre congelado na memória.
Adormecemos colados, corpos suados secos pela brisa primaveril, despidos da nossa falsa humanidade tornamos-nos unos, dois seres um coração, duas almas apenas uma canção, um hino de embalar, pelas três badaladas do sino da torre da igreja acordámos, com o sorriso colado nos nossos lábios, e um brilho de reconhecimento na profundidade dos nossos olhos.

Bruno:Carvalho
2010


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

NADA

O que nos faz ter tanto medo de sentir?
O que nos faz ter tanto medo de sermos nós próprios?
Porque é que só raramente o nosso verdadeiro Eu aparece, por entre uma ou outra lasca de lucidez, é a moralidade que nos trava? O que é certo ou errado? Alguém poderá responder a isso?
Será a nossa espiritualidade que nos trama? O que nos define como seres humanos? A eterna luta entre o bem e o mal, será que não nos apercebemos ainda que somos tanto de mal como de bom?
Gritemos, façamos barulho acima do silêncio constrangedor, porque o mundo nasceu do caos e a nossa inocência nunca foi mais que uma desculpa para não sentir.
Fazemos-nos vitimas de um sociedade que ajudámos a criar, com toda a hipocrisia e todo o mal-dizer, um dia somos preto outros branco, no entanto o nosso âmago é cinzento.
Cinzento é também o amor que nos amolece, o amor fingido que passamos de palavra em palavra, o cinismo das acções disfarçadas de boas acções.
Façamos-nos amor descarnado, violento, selvagem, puro, verdadeiro.
Façamos-nos caos, para que haja uma razão para vivermos, tracemos um caminho que disfarçadamente dizemos nunca antes ter sido traçado, brinquemos com a morte, pois é com ela nos calcanhares que adormecemos todas as noites...
E quem sou eu? Não sou nada!
Mas ao menos tenho a coragem de o dizer.

Bruno:Carvalho
2010


sábado, 20 de novembro de 2010

VIDA

"Uma comoção passou-lhe pela alma, murmurou, travando do braço do Ega:
- É curioso! Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!
Ega não se admirava. Só ali, no Ramalhete, ele vivera realmente daquilo que dá sabor  e relevo à vida - a paixão.
- Muitas outras coisas dão valor à vida ... Isso é uma velha ideia de romântico, meu Ega!
- E o que somos nós? - exclamou Ega - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manterem na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até ao fim...
- Creio que não - disse o Ega - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dentro, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de se ser insensato ou sem-sabor...
- Resumo: não vale a pena viver...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega
Riram ambos. Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades."

EÇA DE QUEIRÓS
em
"Os Maias"

Quem me dera assim tão bem escrever e descrever tão sucintamente o significado da vida...




No one can find me
Here in my soul
Kicking and screaming
Out of control

Calm myself down
Nobody knows
No one can find me
Here in my soul

Hooked on your problems
Do I know why
And if you come my way again
Would I lend a hand
Would I understand

Solitude was never seen as loneliness
And things need time
And time leads to other things
And playing roles
Which are limited
By the poor fund of knowledge
In this sick, sick world
We all fall down
Once in a while
Escaping the law of the unexplained pains

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DAISIES

Just holding on. One step aftar another, silently waiting for nothing real, just an imaginative thought left in the wind somewhere around something.
Just falling again and again. Bathing in lost tears I crave for something new, just keeping on believing, that one day the word will be spoken.
Just breeding despair. As if sadness would bring you back, as if death could be a valid solution.
I kneel at you feet facing our eyes, your tears run like fears, a river flooding and soaking my breath, I just stand still with your hands between my, so teel me love, are you really ready to let me go?
Remember, a dream it's just a dream if we insist in not living it, can we amend the past? Tell me, do you dare to try again?
The pain is only pain when we recall it, why not just forget? What else do you need? I'm standing right here like I always has been.
Eternity it's just a mirage, a false concept of unwilling happiness, forever it's just too long, a minute, a second, can change everything, do you dare to dream? All is what has meant to be, I'm only a shadow, by choice I lost myself in a broken mind, waiting for a collapse, waiting for your call...
Can it be?
I just saw a glimpse of faith in your eyes, while the cries wash all the lies between us, I saw you raising a smile, it can't be a mirage, truth blinds like a thousand needles pouring holes in my hollow skin, I rebirth from ashes to kiss you one more time, not the first not the last, still one to remember for now hope swims gently in your open arms.

Bruno:Carvalho
2010

How much beauty can you ask for?
Genious!

KRISTER LINDER
"Turning Daisies"

How much beauty can you ask for?
Genious!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

FOR MY DEMONS


KATATONIA
"For MY Demons"

well I'm here
and summer is gone I hear
so pray for me
as I now leave your town
when did I say this
I will never leave
I can't recall this
moment in my life

you would never sleep at night
if you knew what I've been through
and this thought is all I have
to trust upon when light is gone

my problem was
that you kept me here too long
and today is when
we'll regret that I came by
when did I say this
I will never leave
I can't recall this
moment in my life

life is full of darkness
and murderers come my way
someday you will join them
and I will let you in

domingo, 14 de novembro de 2010

...

Era tão mais fácil se pudessemos tomar as nossas decisões fora de nós, ser e não ser ao mesmo tempo, seria tão mais fácil não nos queixarmos o tempo todo quando há pessoas bem piores que nós, infelizmente por estes lados coisas fáceis é que não queremos.

Seria tão mais fácil meter um tiro na cabeça, cortar os pulsos, tomar uma dose extra de comprimidos, mas para isso é preciso coragem e ela por aqui também não abunda.
Quem quiser que lhe pegue, eu já desisti de mim...
Quando se chega a este ponto muito pouco resta...

Feeling nothing... nothing at all...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DEVANEIOS E AFINS

Hoje neste final de tarde, véspera de fim-de-semana para alguns eu incluído, venho opinar sobre algumas coisas que deviam ser banidas principalmente da sociedade portuguesa, pois de tão desnecessárias que são só devem causar mais prejuízos para o país em crise.
Deverão estar de certo já a notar alguma ironia nas minhas palavras e confirmo desde já que a utilizarei.
Uma das coisas a ser banida desde já era os caixotes do lixo, a maioria é feita de plástico, um material altamente poluente e como são praticamente inúteis pois para qualquer lado que olhamos só vemos lixo, atenção separo deste lixo o lixo humano (não produzido por, mas ele próprio), pois este lixo dava para mil e uma divagações diferentes, deviam ser considerados obsoletos e assim não ficávamos com qualquer peso de consciência ao atirarmos uma pastilha para o chão e ela se colar nos sapatos de uma velhinha de muletas.
Não sou decerto dono de toda a verdade mas de certeza que possuo uma pequena parte dela, por isso partamos para a próxima coisa.
Os piscas nos automóveis. Mais uma coisa que me parece completamente desnecessária, pois ninguém precisa de saber para onde vamos, é uma quebra de privacidade e porque acima de tudo as seguradoras estão lá para pagar, temos de contribuir activamente para a produtividade do país.
Outra coisa vulgarmente desnecessária são os passeios para peões, embora neste caso não defenda a total extinção pois alguns dos nossos fiéis animais de estimação e outros animais menos estimados os costumem utilizar, já o ser humano prefere a estrada, pura e dura, andam os Municípios a gastar milhões para nada e depois temos de dar trabalho também aos Bombeiros e Polícias, para justificarem o que ganham...
Aqui estão três coisas que poderiam ser facilmente eliminadas, estas advém da minha observação, não pretendo ofender ninguém, mas se o fizer também não é o fim do mundo, esse até estará para breve se continuarmos a consumir mais do que podemos criar.

Findo este texto, abandono a ironia e a sociedade em geral e parto para outros assuntos, mais pessoais neste caso.

Há pessoas que apesar de quando o dizemos parecer cliché e banal, nos marcam mesmo, não só a nossa vida mas nós próprios.
A sensação quando reencontramos alguém assim é decerto muito boa então quando é alguém que por uma razão ou outra perdemos contacto e se ausentou sem porém nunca abandonar a nossa vida a sensação quadriplica, porém só atinge o ponto máximo de êxtase quando nos apercebemos que o nível de bem estar  que recebemos dessa pessoa para além de ser recíproco é igualmente intenso.
Neste momento é que percebemos que apesar do que muita gente diz existem certas amizades que vencem tudo, mesmo o tempo, que resistem a quase tudo excepto a morte, mesmo que seja a um amor falhado ou não correspondido, a uma traição ou mentira.
Num qualquer ponto da nossa jornada para o fim, essa pessoa torna-se tão pertinente na nossa vida como o era no inicio da relação de amizade. É daqueles casos que o elástico estica, estica, torna-se fino e frágil, mas nunca rebenta e quando encolhe de novo vem com uma nova energia e intensidade.

Agora espaço para o momento musical do dia, que nada tem a ver com os textos atrás escritos, simplesmente após de um dia inteiro a consumir música de plástico sabe bem consumir algo saudável. Se a isto adicionarmos um toque de génio de um conjunto de músicos geniais, mais força ganha a razão de eles por este espaço aparecerem de novo.
De entre muitas escolhi esta, como poderia escolher qualquer uma das outras, do vasto reportório da banda norte-americana.

Bruno:Carvalho
2010

Ladies and Gentleman
Tool
Performing
"THE GRUDGE"



Bom fim de semana, sem abusos de preferência, se o fizerem porém certifiquem-se que não incomodam a liberdade de ninguém, pois ninguém tem culpa de sermos irresponsáveis.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SLEEPING SUN

You're my sleeping sun
my new white moon

You're my silver skies
the wings that carry me home

You're everything, amazing beauty
gazing upon me, I set myself aflame

And so the angels sing
and the stars cradle my body
while I wait for you drowned in bliss
for my bed will never be empty again

Bruno:Carvalho
2010



LIAR

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

LOST

I'm feeling so lost
Where am I?
Who am I?

I don't know how to feel, all seems so meaningless so vague
I need to be seen from someone else's eyes

I'm feeling so down
Maybe I really lost control this time

Bruno:Carvalho
2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

THE OTHER HALF

And I glide above you
Just an emotion turning into blue
An ocean of belief cast by your eyes
A morning breeze plundering my open arms

Here I stand, defending my ground
Bravelly, insanably fighting for glory
For my chance of cure dwell in your hands
Your calm and peacefull embrace carries me home.

And I still float above you
Waiting for you tobring me down again
For I long to live by the land
An urge feeling that I cannot understand.

I followed the southern light
And found you in a moonlight palace
An paradise disguised as eternity
Through open windows the world seems bearable

With you pain seems to disappear
With you silence seems a loud symphony
With you nightmares seem only a bad memory
With you I finally found the other half of me.

Bruno:Carvalho
2010



AMORPHIS
"Her Alone"

Only one can make me do my good deeds
only one and the shadow of that one
only one can make me do my evil deeds
only one and the shadow of that one

Her alone I will lend my ear to
only her will I obey
her alone I will always want to serve
only her I will defy
Only one can make me wage all my wars
only one and the shadow of that one
only one can make me do all my deeds
only one and the shadow of that one

My understanding under her advice
birth of my knowing under her advice
my desires I fulfill by revolting

EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...