terça-feira, 23 de novembro de 2010

LIGHT

Encostei-te à parede verde, ofegante mordiscavas o meu pescoço e eu gemia, gemia de prazer, à beira da inconsciência física a consciência psíquica viajava de estado em estado, navegava num mar fluído de tranquilidade, abri os olhos e fitei os teus, ficámos ali, assim parados como não existisse movimento, como se o silêncio fosse o estado natural das coisas.
Depois veio um beijo, seguido de outro e outro, as nossas mãos ansiosas despiram as roupas, deitados no tapete de musgo deixámos que a natureza nos possuísse, unidos pela paixão explodimos em múltiplos orgasmos, foi como o mundo parasse de rodar, um momento no tempo para sempre congelado na memória.
Adormecemos colados, corpos suados secos pela brisa primaveril, despidos da nossa falsa humanidade tornamos-nos unos, dois seres um coração, duas almas apenas uma canção, um hino de embalar, pelas três badaladas do sino da torre da igreja acordámos, com o sorriso colado nos nossos lábios, e um brilho de reconhecimento na profundidade dos nossos olhos.

Bruno:Carvalho
2010


1 comentário:

Araúja Kodomo disse...

Brutal texto Bruno, gostei ;) *

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