sábado, 20 de novembro de 2010

VIDA

"Uma comoção passou-lhe pela alma, murmurou, travando do braço do Ega:
- É curioso! Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!
Ega não se admirava. Só ali, no Ramalhete, ele vivera realmente daquilo que dá sabor  e relevo à vida - a paixão.
- Muitas outras coisas dão valor à vida ... Isso é uma velha ideia de romântico, meu Ega!
- E o que somos nós? - exclamou Ega - Que temos nós sido desde o colégio, desde o exame de latim? Românticos: isto é, indivíduos inferiores que se governam na vida pelo sentimento, e não pela razão...
Mas Carlos queria realmente saber se, no fundo, eram mais felizes esses que se dirigiam só pela razão, não se desviando nunca dela, torturando-se para se manterem na sua linha inflexível, secos, hirtos, lógicos, sem emoção até ao fim...
- Creio que não - disse o Ega - Por fora, à vista, são desconsoladores. E por dentro, para eles mesmos, são talvez desconsolados. O que prova que neste lindo mundo ou tem de se ser insensato ou sem-sabor...
- Resumo: não vale a pena viver...
- Depende inteiramente do estômago! - atalhou Ega
Riram ambos. Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, a teoria definitiva que ele deduzira da experiência e que agora o governava. Era o fatalismo muçulmano. Nada desejar e nada recear... Não se abandonar a uma esperança - nem a um desapontamento. Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. E, nesta placidez, deixar esse pedaço de matéria organizada que se chama o Eu ir-se deteriorando e decompondo até reentrar e se perder no infinito Universo... Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades."

EÇA DE QUEIRÓS
em
"Os Maias"

Quem me dera assim tão bem escrever e descrever tão sucintamente o significado da vida...




No one can find me
Here in my soul
Kicking and screaming
Out of control

Calm myself down
Nobody knows
No one can find me
Here in my soul

Hooked on your problems
Do I know why
And if you come my way again
Would I lend a hand
Would I understand

Solitude was never seen as loneliness
And things need time
And time leads to other things
And playing roles
Which are limited
By the poor fund of knowledge
In this sick, sick world
We all fall down
Once in a while
Escaping the law of the unexplained pains

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