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MORTALHA

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Depositaram a mortalha sobre o defunto e deixaram-no ali só, inconsciente da sua morte. No meio da sua inconsciência uma luz entra por onde nunca deveria entrar, estranhamente o quarto continua escuro. Está frio. Não pode ser um quarto, o defunto lembra-se deles como quentes e acolhedores... Estende os braços, em cruz. Os dedos roçam levemente numa superfície terrosa, uma pedra ali, uma semente acolá... O defunto arrisca levantar a cabeça, a mortalha desliza-lhe pelo peito.  Existe de facto uma luz omnisciente, a primeira luz talvez, a primeira ferida que reabre no lado esquerdo do seu corpo moribundo. Ergue-se. Da tumba talvez... A hipótese quarto está há muito afastada. De pé a mortalha aninha-se sobre os seus pés. Olha para cima, a terra dá-lhe pelo peito. Apoia-se na cruz de ferro e sobe à superfície. A estranheza fria do gelo que cobre a relva sob os seus pés infiltra-se em todo o corpo. Está de pé. Os braços ainda abertos formam com o resto do corpo ainda uma cruz. Baixou-os. Era apena…

SOU FELIZ... SOU LIVRE!

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Sou pássaro, máquina voadora criada pela imaginação. Sou eu, como nunca fui ou imaginei ser. Embriagado pela felicidade não poderia ser outra coisa que livre, livre daquilo que me prende ao solo. Desamarro as minhas asas há muito aprisionadas nesta cela em que me permiti prender. Doce Liberdade! Sabes a maresia, sabes a Poesia! Sabes a primeiro beijo, a amor inocente, a romantismo! És inquietude, inconformismo, lucidez. Amo-te! Como sempre me amei, como sempre soube que seria! Livre! Sou livre!
Bruno:Carvalho 2011

JUST

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Just feel free to dream Just feel free to fly
Into doubt we build a thounsand dreams Feeding light, we absorve the night
Step out the cage It's raining at last Let it just wash away all the fears.

ESCOLHAS

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O que nos resta do presente quando olhamos demasiado para o futuro? Pouco. Pouco mais que um imenso desperdício de tempo... Estamos e estaremos para sempre ligados pelo que fazemos ou não fazemos, pelo que decidimos ou deixamos por decidir, pelo que sentimos ou deixamos de sentir. Somos fragmentos uns dos outros, retalhos de uma gigantesca manta. Temos medo de morrer mas também um muito maior medo de viver. Possuímos o dom da escolha, é o que nos define. Por vezes simplesmente abdicamos livremente desse dom. Fazer a escolha certa no momento certo sempre foi o maior desafio do ser humano. Como nunca chegaremos a ter todos os fragmentos colados para que tudo faça sentido, simplesmente seguimos cegos. Olhando demasiadamente o futuro e desvalorizando um tempo que é unicamente presente. Custará assim tanto fazer a escolha certa?
BRUNO:CARVALHO 2011



SUNSET OF AGE
Throne of grief in a dying essence crying beauty the fettered aura
Forgotten oceans of hope betrayed aphony sullen laughter in unventured paradise
As …

FICAREI

Todo o meu corpo anseia por ti. A cada batida o coração bombeia sangue como lava pelas minhas veias, a cada sopro de vida anseio pelo beijo, pelo abismo em forma de sonho e o sonho em forma de coração.
B:C 2011

WAITING

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Am I really here? why is it so much space between us?
Memories keep filling the cracks Our love once a strong wall now it's only debries I try to solve this riddle but somehow the past is keeping me locked
Are you really there? why are you so far away?
I've lost me from myself somewhere in time across the path I flooded my believes why keep I drowning in the pain? I must have known that is always the same
Will you really wait? There's still time for hope?
I will come back down Just stay seated there where dreams dwell then we will laugh again just like we did yesterday.
Bruno:Carvalho 2011




TOO FAR

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Em que fase do caminho me terei perdido?...

SHE WALKS IN BEAUTY

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SHE walks in beauty, like the night Of cloudless climes and starry skies; And all that's best of dark and bright Meet in her aspect and her eyes: Thus mellow'd to that tender light Which heaven to gaudy day denies.
One shade the more, one ray the less, Had half impair'd the nameless grace Which waves in every raven tress, Or softly lightens o'er her face; Where thoughts serenely sweet express How pure, how dear their dwelling-place.
And on that cheek, and o'er that brow, So soft, so calm, yet eloquent, The smiles that win, the tints that glow, But tell of days in goodness spent, A mind at peace with all below, A heart whose love is innocent!
George Gordon (Lord) Byron

SOMBRAS

Sombras, apenas sombras,  é o que resta de nós, sombras do que somos, do que fomos, do que seremos
Restará algo que possa servir como recordação?
A verdade despedaça-nos, por isso escondemo-nos na mentira Convencidos que esta nos será para sempre fiel...
O quanto estávamos enganados...
Bruno:Carvalho 2011

NOCTURNO

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Apartemos-nos, apartemos-nos pois não andamos mais que a fingir passos em frente, olhando de lado em espelhos baços, apartemos-nos pois aqui não mora o desassossego. Desconjuctura-me, necessito de fontes mais precisas de prazer, a languidez do teu corpo já não oferece o tal abrigo merecido, deixa-me, prescindo do teu brilhante intelecto para me dedicar ao estudo das coisas mundanas. Fingimento, é este o constrangimento que me faz neste momento avançar para a dissolução, prefiro dissolver-nos do que ver-me diluído na pasmaceira dos dias, não sou poeta, não faço rimas, não ouço a lua, faço da noite apenas uma passagem, como se fosse um túnel para reencontrar de novo o sol. Fazes-me lembrar a noite, por isso desdenho continuar a alimentar a tua deslumbrante beleza lunar. Passo a vida embriagado por palavras, perdido no emaranhado de abraços em que me teimas prender, quero ser livre, quero ser Ícaro e se necessário voar direito ao sol, se for esse o preço, fá-lo-ei, não duvides, a minha exist…

SOULLESS

Quando a cidade despida Traz consigo o odor que nos entristece Que nos estarrece Quando a vida torce de nós Fazemos da indignação a nossa voz.
Pele com pele Sangue com sangue Esvaimo-nos com o ritmo da noite Uma palmada sem mão, um açoite Estranheza que se entranha na alma
A desolação cresce O contentamento derruba-nos, fragéis como somos Inconsequentes como fomos Fugimos ao que nos fez sangue e carne Sem coração ou paixão que nos salve.
Fazemos da demência a nossa sorte Um fado destinado que se ri como a morte Embrulhados no esquecimento Provamos dos nossos lábios o veneno E destruimos a nossa primeira pele Sacrificando o que de nós restou.
Sem coração Emoção, salvação, desterro Com medo Engolimos a cruz e o credo.
Bruno:Carvalho 2011

BUSCA

Que a luz me queime! Se não te encontrar por entre as sombras deste dia Radiante, ardente...
Que o vento me leve! Se não te guardar firme no meu corpo Bela, carente....
Que a terra me engula! Se não te proteger da solidão Da obscura luxuria do tempo
Que venha o dilúvio, que me lave deste mundo Que a porfíria desgraça seja enterrada nos destroços Que a luz me queime se não conseguir partir as correntes As raízes que me impedem de voar com asas roubadas ao sonho.
Bruno:Carvalho 2011

SONGS OF DARKNESS, WORDS OF LIGHT

Loathsome I've become.
A creature so undone.
Wretched and broken.
Cannot find my faith.
Any God will do.
Nothing said is new.
Nothing said is true.
Fly away my hope.

The embrace of shade holds me dear
Eats me away.
Loose the dogs of disgrace upon me.
I have no faith.
Raise the poor outcast I have become.
I am undone.
Calm is the air. Still is the sea.
The valley of death keeps calling me.

Rest my eyes from the world.
This dying place, it's so absurd.
Oh, Christ above, whom I love.
Lost to me. My snow white dove.
Make this day like the night.
songs of darnkess. Words of light.
Pulling down my heart.
I won't forget my lovers heart.

With utter loathing and scorn,
I was somehow born.
Strewn in black decay.
None shall I obey.
The wreckage of my flesh
The nakedness of my death.
My Dying Bride

ESMERALDA

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Vai e vem, vai e vem, as ondas despenham-se nos meus pés deixando neles um rasto cândido de espuma, perante a frescura da água os meus dedos enterram-se na areia, espasmos invadem o meu corpo deixando na pele o aroma salino do mar. Deambulo no areal com o olhar fito algures no horizonte, na imensidade esmeralda daquele oceano tento vislumbrar algo impreciso, fecho o casaco à agrura do Inverno, apoderado pelos sonhos perdidos que vão e vêm nas ondas fico em silêncio, um minuto, uma hora, um tempo impreciso... Viro as costas, o vento fustiga-me as costas como fizesse um pedido para não ir, volto ao passadiço, incerto do caminho a seguir, dali fito de novo ausente de mim o mar que se espraia por esses horizontes adentro, as gaivotas que flutuam na aragem, as nuvens que se fundem com a neblina, que deixam no meu cabelo gotas de cristal. Absorvo firmemente a maresia como se quisesse preencher com ela o vazio em mim, abraço-me, o frio embala os meus passos rumo a sul, viajo sem rumo, sem esper…

RELEASE

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Peace of mind... that's all I need... Just release me....

DEMAIS

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"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"
Florbela Espanca
Para além do sonho vive a verdade...

SANGUINE

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Vê o sangue que me tinge as mãos. a mortalidade que me escapa entre os dedos, vê a majestade da noite, o luar que se esconde por entre as nuvens, uma lua de Inverno num sonho de Janeiro transformado em inferno. Observa as sombras que me corrompem, como elas se insinuam no meu coração, as correntes que me prendem a um futuro longínquo, a tristeza inunda-me a cada segundo, rasga-me a pele, vira-me do avesso, das minhas entranhas sai o nosso amor, sanguíneo, visceral. Na cadência da mudez das palavras jamais ditas, embalo-me na obscuridade para me descobrir de novo, preciso do silêncio, da noite, preciso de um retiro de mim, uma viagem espiritual, preciso de voltar a encontrar-me pois não sei onde me perdi... E faço desde já uma vítima, o amor que nos uniu, o amor que nos transcendeu, sacrifico-o, para o meu bem principalmente para o teu bem. As pedras da caçada foram testemunhas de um adeus nunca ansiado mais por demais esperado. Faltam-me as forças para pedir que me perdoes, peço-te que me…

LUSITÂNIA

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O que outrora foi um fardo agora é uma lição de liberdade, o que outrora foi um sonho agora é uma realidade tranquila, uma noite que desflorou num dia glorioso. Enquanto do abismo renascemos olhamos para norte, para além da aurora algo renasce da terra, novos rebentos, os mesmo que brotam das nossas mãos. De tronco unido somos gémeos siameses nascidos da mesma mãe, o céu chora agora a morte do Verão, ancorados numa espiritualidade eterna, transcendemos a morte, seguidores convictos do Inverno entoamos hinos de extase. Ergue-te Velha Glória, vira-te para além do Atlântico que te confina, a velha ordem que seja restabelecida, pois do nosso sangue foi feita esta terra, da nossa carne foi feita a sua alma e por ela fizemos mil actos de coragem. Que se erga de novo Lusitânia nossa mãe!
A Alma Lusitana em forma de música, para almas destemidas de corações altivos e corajosos!

XADREZ

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Num tabuleiro de xadrez são dispostas as peças por mãos hábeis, as mesmas são movidas por olhos vorazes hipnotizados pelos quadrados brancos e pretos do tabuleiro. Um passo em falso e um jogo se perde. Como no jogo da vida, uma palavra mal entendida (elas podem ter mil sentidos), uma frase mal interpretada, um olhar de esguelha, um silêncio desnecessário, num segundo tudo se perde, num segundo tudo se ganha. Os mais azarados são os peões, os peões que se sacrificam pela vida sem saberem ao certo ao que vieram, perdem-se na escuridão incertos de pisar os quadrados brancos ou os pretos. Os dedos cansados dos jogadores ficam menos concisos com o avançar do tempo, por vezes arrastam o braço e deixam cair por acidente uma torre ou um cavalo, nessa altura algures no tabuleiro algo desperta, um peão que se perde de amores por outro, um cavalo que deseja ser torre e uma torre que desejava proteger mais a sua rainha. O amor imiscui-se nas suas pedras de marfim, os peões são movidos pela paixão pela…

"VOZ NUMA PEDRA"

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Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor …

AMOR

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Ó horror metafísico de ti! Sentido pelo instinto, não na mente! Vil metafísica do horror da carne, Medo do amor...
Entre o teu corpo e o meu desejo dele 'Stá o abismo de seres consciente; Pudesse-te eu amar sem que existisses E possuir-te sem que ali estivesses!
Ah, que hábito recluso de pensar Tão desterra o animal que ousar não ouso O que a [besta mais vil] do mundo vil Obra por maquinismo.
Tanto fechei à chave, aos olhos de outros, Quanto em mim é instinto, que não sei Com que gestos ou modos revelar Um só instinto meu a olhos que olhem ..
Fernando Pessoa
De todo sangue nenhum sangue me resta, de nenhuma morte vida se ergue, da bastarda razão de ter uma coração ergo-me infértil de emoções, pois amar é temer a perda, amar é reconhecer a dor pelo seu verdadeiro nome, um heterónimo do paixão, essa mesmo fugaz e cruel, essa mesma pautada por ausência, sinto-te completa aqui comigo, por isso acredito estar além da promessa de perdição da paixão. Este amor que me preenche é toda a certe…

NADA

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Esta noite nada sou, nada quero, nada sinto. A dormência invadiu-me sorrateira entre a décima sétima e a décima oitava hora de mais este dia, mais um, vivi mais um. O vento sopra lá fora suspirando pelos cantos o teu nome, cá dentro fechado dentro da melodia que tomou de assalto o meu cérebro fico estarrecido pela minha pequenez, pela minha insignificaância. O céu ameaça chuva, esta noite não verei a lua, esta noite sou meramente uma peça perdida de um puzzle sem solução, talvez seja isto aquilo que alguém escreveu com tinta invisível nas páginas da minha, talvez seja isto que mereça, hibernar na solidão, embalado pelo uivo do vento lá fora e pela aspereza do silêncio cá dentro. E de mil e uma maneiras diferentes te poderia pedir desculpa, mas no entanto nem uma apenas parece capaz de fazer desaparecer toda a dor, todo o sofrimento que as minhas impensadas palavras causaram, nada acontece por acaso e talvez eu tenha de perder para aprender a amar, longe do meu egoísmo, longe das minhas il…

AMARELO

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Viu-a ali, consumiu-a ali, ao longe, como se uma barreira invisível se tivesse erguido entre ambas. Um arrepio desceu-lhe pela espinha quando tocou ao de leve no seu braço esquerdo, tantas recordações... deuses, quantas memórias...
Baixou o olhar, não consegui olhar para aquele verde, aquele olhar de jade que se misturava no esmeralda do mar, tinha sido ali o primeiro beijo, ali mesmo, arrepiou-se de novo, um flash passou-lhe pela cabeça e deixou cair uma lágrima. O seu cabelo rompia tímido sob o lenço amarelo que ela lhe tinha oferecido no último aniversário... Estava ali a sua metade, estava incompleta sempre tinha estado e agora sabia que estaria para sempre, não havia volta a dar, perdera a única razão de ser feliz, resignou-se mesmo quando os lábios dela ainda estavam colados no seus, quando os dedos dela ainda rasgavam lembranças de prazer na sua pele, fora livre, uma vez, uma vez apenas, demasiado risco, demasiada loucura para arrastar rio abaixo uma vida construída com tanto cu…

LUNAR

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Malditos dias solarengos, se há-de sempre ser assim ao menos que não nos acenem com melancólicos dias de chuva, que raio de mau gosto, fazem-no como se burros nos tratássemos atrás das cenouras que neste caso são os tais dias de Inverno ou Outono.
Livra! Que nos deixem sossegados na noite eterna, que nos deixem sossegados à luz lunar, por mais pálida ou inconsequente que seja, deixem-nos carpir, chorar como fossemos feitos de lágrimas. Se haverá para sempre sol e calor, que haja também noite, que nos lembre a chuva e o cheiro que ela deixa na terra seca. Não podemos ser, dizem-nos ao ouvido, não podemos existir insistem, como se donos de tudo fossem, como se criadores da vida fossem, detesto-os, conspurcaram o mundo, o nosso mundo paralelo sustentado num ténue fio de perfume, o perfume dos versos, o aroma das cantorias. Sim, podemos ser, nem que sejamos apenas a sombra do seu arrependimento, ou ruínas corroídas pelo tempo. Deixem-nos sonhar com dias de chuva, mesmo que nos convençam que …

FA(R)DO

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Passeava de noite, admirava os cabos adormecidos que uniam os postes, as luzes brilhavam, uma ou outra ali perto, fundia, ele passava sempre ali, ali onde a noite não era mais que o seu nome. Por entre o fumo do cigarro seguro por entre os dedos meio molhados pela humidade, dizia versos soltos, murmurados ao silêncio, no jardim conhecia cada flor pelo seu nome, deu-lhes um nome, uma face, um sabor, a cada uma delas diferentes no entanto tão semelhantes deu o sabor de um beijo. Nem sempre a noite era benevolente, às vezes chovia, outras a geada cobria as superfícies húmidas, noutras a neve cobria o cascalho do caminho, mas nem sequer uma noite ele falhava. Recordou-se que precisava daquilo para viver, precisava de dizer aqueles adeus vagos a quem passava, precisava murmurar sozinho, perdido em divagações em monólogos distorcidos, a mente já não era sua, tentava a todo o custo segurar a alma, depois de a perder nada mais restaria e nada mais valeria a pena. Ele sabia que os cabos dormiam de…

ALEGORIA AO TEMPO

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Muito se fala do tempo, do que temos, do que não temos, do que ele tem ou nunca possuirá, falamos como se tivéssemos todo o tempo do mundo, como se ele fosse infinito e nós imortais. Talvez seja infinito mesmo o tempo, mas no que à nossa pequena existência, pequena realidade diz respeito ele não é nem nunca foi infinito, o nosso problema é não ver o quanto ele pode ser breve, como a vida nos é tirada num segundo, um segundo apenas que julgávamos viver mais. Apaga-se a vida e fica o vazio, com o tempo vai o amor e a dor, vai e vem a paixão e a glória de sonhar, sonhamos ser maior que o tempo quando escrevemos um poema, quando tiramos uma foto convencidos que o parámos, quando beijamos alguém e a abraçamos pensando que ela sempre estará ali. O tempo apaga-nos, anula-nos, somos instantes inseridos na cadeia que não pode ser parada. Por vezes ficamos inertes frente ao espelho a reflectir sobre o que o tempo poderá ou não reservar-nos, ficamos parados, adiando o que não pode ser adiado, porque…

ANGEL

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TEARS OF PASSION "Angel"
I'm looking straight in the mirror of truth I am not immortal, I've lost my youth Maybe I see the hell, maybe the paradise But one thing I surely know, that my spirit will be rised
Angel I want to be with you, so tell me what can I do Angel I want to be with you, so tell me what can I do
My soul starts to burst, I'm going insane More than the dead I feel the blood in my veins I know I'm gonna die, astral light is all I see I'm still looking in the mirror, the Angel is me
Angel only you can see, you are the one, you set me free Angel only you can see, you are the one, you set me free
I see the sadness in your eyes My whole life was a disguise At the funeral you won't be there I will follow you everywhere
Angel I want to be with you, so tell me what can I do (Angel) Angel only you can see, you are the one, you set me free (Angel)

PRESENCE

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It's a simple mistake not to live the life we earned. Let's live eager to feel, eager to hold, not afraid at all to lose. Let's leave a mark somewhere, leave a mark in someone. let's go be, just be ouselves. Don't drag you down anymore, the ground do not deserve you, rise your head high, don't be afraid of the burning sun. Let's go enjoy the sunlight, push play for your favourite music, just let it flow, let it grown inside you, doesn't the world seem different when you look upon him from within? That's a hole in your soul, we all feel it, your tears are unmistakable evidences, I do know you, despite you never seen me. So this words collide, let them form a new poem, a new beginning, let's just be free, dreaming an eternal life, even knowing how fragile it can be. Just take a chance, a step in the dark, sometimes beneath the shadows lays the most pure and honest beauty. Life can have many meanings, life can have only one, but in the end it's always…

VERTIGEM

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Envolve-nos o turbilhão, somos um emaranhado de braços e pernas, somos um corpo fundido na vertigem da passagem da noite, estamos escorridos no vidro que nos separa da fria madrugada. E aceleramos, vamos cada vez mais depressa, começa-nos a faltar o discernimento para coordenar todos os movimentos, ofegantes e embriagados pela paixão, gritamos que nem loucos à beira do precipício, vamos desvairados, devoramos-nos, nus, nós, unos... A vertigem abranda quando afundo os meus lábios no calor do teu sexo, a minha língua liberta depois de anos aprisionada, as minhas mãos rasgam com carícias o interior das tuas coxas, depois vem de novo a vertigem e tudo recomeça, ao som do bater do coração que tal como um tambor de guerra marca o ritmo para o desenlace. Mordes-me o peito enquanto eu aflito de ânsia me enterro em ti, para logo depois renascer de novo numa explosão de êxtase. Abate-se sobre nós um estranho silêncio, o silêncio antes da tempestade, ofegantes e ébrios pelo amor adormecemos cansados…

IMPERFEITO

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Aqui continuamos nós a sonhar a vida perfeita que não existe, aqui andamos nós, de mentira em mentira, de ilusão em ilusão, tentando em vão preencher o vazio com novos vazios, inconscientes de quem somos, do que queremos ser, ignorantes... A vida passa friamente célere desprezando a nossa pouca ambição de viver. Agarro-me à minha imperfeição porque assim sei que sou eu, olho-me no mesmo espelho partido porque sei que aquele rosto estilhaçado é o meu. Não me conheço apesar de olhar no tal espelho, arrasto-me na multidão tentando ser normal, tento camuflar-me no sistema, só para fazer de conta que pertenço a alguma coisa. Porque amamos? Do que nos vale? Não passa tudo de um jogo de espelhos, luzes que mudam constantemente, num minuto julgamos amar uma pessoa, no outro apercebemos-nos que simplesmente estamos a tapar um vazio que nunca mais poderá ser tapado. Foi mais um momento que passou e quando passa não existe caminho de retorno, fica apenas só mais uma impressão na nossa memória, um espi…

VOLTA

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De volta a Norte com a alma renovada e o coração a bater mais depressa!!
ANATHEMA "Temporary Peace"
Deep inside the silence staring out upon the sea the waves are washing over half forgotten memory
Deep within the moment laughter floats upon the breeze rising and falling dying down within me and I swear I never knew, I never knew how it could be and all this time all I had inside was what i couldn't see I swear I never knew, I never knew how it couldn't be all the waves are washing over all that hurts inside of me
Beyond this beautiful horizon lies a dream for you and i this tranquil scene is still unbroken by the rumours in the sky but there's a storm closing in voices crying on the wind the serenade is growing colder breaks my soul that tries to sing and there's so many many thoughts when I try to go to sleep but with you I start to feel a sort of temporary peace there's a drift in and out




Em todas as ruas te encontro

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Em todas as ruas te encontro Em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto, tão perto, tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny


Autor(a): Raquel Monteiro Mendes
http://olhares.aeiou.pt/kellitamm

ALFAZEMA

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E ali estava ela, na banca de jornais com a sua blusa justa de um branco imaculado semi-transparente que deixava transparecer o preto do seu soutien, a sua silhueta era exactamente aquela que julgava lembrar-se não sabia bem de onde. Um sorriso abriu-se quando se aproximou, ele manteve a sua postura de burocrata sério, sisudo e educadamente pediu o Jornal de Economia, deu-lhe o dinheiro e tentou prolongar um pouco o toque mas sem dar muito nas vistas, o seu rosto continuou impávido, mas o sorriso dela aumentou de intensidade. Será que ela notou alguma coisa? Embaraçado disse um repentino obrigado quando ela lhe devolveu o troco, virou costas e entrou no grande edifício de escritórios onde trabalhava há já 15 anos. Demasiado tempo. Ultimamente não sabia o que se passava com ele, talvez o incidente o tenha transformado, talvez o tiro lhe tenha trazido mais de que um coma profundo e dois anos sem memórias. Mas a memória daquela simples rapariga que antes de tudo acontecer era a empregada d…