sábado, 17 de dezembro de 2011

MORTALHA

Depositaram a mortalha sobre o defunto e deixaram-no ali só, inconsciente da sua morte.
No meio da sua inconsciência uma luz entra por onde nunca deveria entrar, estranhamente o quarto continua escuro. Está frio. Não pode ser um quarto, o defunto lembra-se deles como quentes e acolhedores...
Estende os braços, em cruz. Os dedos roçam levemente numa superfície terrosa, uma pedra ali, uma semente acolá...
O defunto arrisca levantar a cabeça, a mortalha desliza-lhe pelo peito. 
Existe de facto uma luz omnisciente, a primeira luz talvez, a primeira ferida que reabre no lado esquerdo do seu corpo moribundo.
Ergue-se. Da tumba talvez...
A hipótese quarto está há muito afastada. De pé a mortalha aninha-se sobre os seus pés. Olha para cima, a terra dá-lhe pelo peito. Apoia-se na cruz de ferro e sobe à superfície.
A estranheza fria do gelo que cobre a relva sob os seus pés infiltra-se em todo o corpo. Está de pé. Os braços ainda abertos formam com o resto do corpo ainda uma cruz. Baixou-os. Era apenas uma posição incómoda...
À sua volta outros corpos despertam, se calhar aquilo era mesmo um quarto, frio, mas de qualquer forma um quarto.
A luz sempre ali, um pequeno raio que sai da fechadura da porta. Roda a maçaneta, empurra, dá passos, demasiados passos para quem está inconsciente da sua morte.
O defunto segue a sangrar do lado esquerdo pelo corredor, afinal de contas está apenas a viver mais um dia dia da sua morte. 
Uma vida de morte.
Uma primeira luz, uma última ferida...

domingo, 20 de novembro de 2011

SOU FELIZ... SOU LIVRE!

Sou pássaro, máquina voadora criada pela imaginação. Sou eu, como nunca fui ou imaginei ser. Embriagado pela felicidade não poderia ser outra coisa que livre, livre daquilo que me prende ao solo.
Desamarro as minhas asas há muito aprisionadas nesta cela em que me permiti prender.
Doce Liberdade!
Sabes a maresia, sabes a Poesia!
Sabes a primeiro beijo, a amor inocente, a romantismo!
És inquietude, inconformismo, lucidez.
Amo-te!
Como sempre me amei, como sempre soube que seria!
Livre! Sou livre!

Bruno:Carvalho
2011


domingo, 23 de outubro de 2011

JUST

Just feel free to dream
Just feel free to fly

Into doubt we build a thounsand dreams
Feeding light, we absorve the night

Step out the cage
It's raining at last
Let it just wash away all the fears.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

ESCOLHAS

O que nos resta do presente quando olhamos demasiado para o futuro?
Pouco.
Pouco mais que um imenso desperdício de tempo...
Estamos e estaremos para sempre ligados pelo que fazemos ou não fazemos, pelo que decidimos ou deixamos por decidir, pelo que sentimos ou deixamos de sentir.
Somos fragmentos uns dos outros, retalhos de uma gigantesca manta.
Temos medo de morrer mas também um muito maior medo de viver.
Possuímos o dom da escolha, é o que nos define. Por vezes simplesmente abdicamos livremente desse dom.
Fazer a escolha certa no momento certo sempre foi o maior desafio do ser humano.
Como nunca chegaremos a ter todos os fragmentos colados para que tudo faça sentido, simplesmente seguimos cegos. Olhando demasiadamente o futuro e desvalorizando um tempo que é unicamente presente.
Custará assim tanto fazer a escolha certa?

BRUNO:CARVALHO
2011




SUNSET OF AGE

Throne of grief
in a dying essence
crying beauty
the fettered aura

Forgotten oceans of hope
betrayed aphony
sullen laughter
in unventured paradise

As one, forever searching
for landscapes serene
amidst the sunset of age
with joyous masquerade
the summers died

Vincent O'Connell & Duncan Patterson


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

FICAREI

Todo o meu corpo anseia por ti.
A cada batida o coração bombeia sangue como lava pelas minhas veias, a cada sopro de vida anseio pelo beijo, pelo abismo em forma de sonho e o sonho em forma de coração.

B:C
2011

sábado, 30 de julho de 2011

WAITING

Am I really here?
why is it so much space between us?

Memories keep filling the cracks
Our love once a strong wall now it's only debries
I try to solve this riddle
but somehow the past is keeping me locked

Are you really there?
why are you so far away?

I've lost me from myself somewhere in time
across the path I flooded my believes
why keep I drowning in the pain?
I must have known that is always the same

Will you really wait?
There's still time for hope?

I will come back down
Just stay seated there where dreams dwell
then we will laugh again
just like we did yesterday.

Bruno:Carvalho
2011





terça-feira, 26 de julho de 2011

SHE WALKS IN BEAUTY


SHE walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes:
Thus mellow'd to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less,
Had half impair'd the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens o'er her face;
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear their dwelling-place.

And on that cheek, and o'er that brow,
So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent!

George Gordon (Lord) Byron

sábado, 16 de julho de 2011

SOMBRAS

Sombras, apenas sombras,
 é o que resta de nós,
sombras do que somos,
do que fomos,
do que seremos

Restará algo que possa servir como recordação?

A verdade despedaça-nos, por isso escondemo-nos na mentira
Convencidos que esta nos será para sempre fiel...

O quanto estávamos enganados...

Bruno:Carvalho
2011


sábado, 9 de julho de 2011

NOCTURNO



Apartemos-nos, apartemos-nos pois não andamos mais que a fingir passos em frente, olhando de lado em espelhos baços, apartemos-nos pois aqui não mora o desassossego.
Desconjuctura-me, necessito de fontes mais precisas de prazer, a languidez do teu corpo já não oferece o tal abrigo merecido, deixa-me, prescindo do teu brilhante intelecto para me dedicar ao estudo das coisas mundanas.
Fingimento, é este o constrangimento que me faz neste momento avançar para a dissolução, prefiro dissolver-nos do que ver-me diluído na pasmaceira dos dias, não sou poeta, não faço rimas, não ouço a lua, faço da noite apenas uma passagem, como se fosse um túnel para reencontrar de novo o sol.
Fazes-me lembrar a noite, por isso desdenho continuar a alimentar a tua deslumbrante beleza lunar.
Passo a vida embriagado por palavras, perdido no emaranhado de abraços em que me teimas prender, quero ser livre, quero ser Ícaro e se necessário voar direito ao sol, se for esse o preço, fá-lo-ei, não duvides, a minha existência já meio amadurecida está para além de quaisquer dúvidas ou incertezas.
Ris-te, eu sei que te ris aí ao fundo no escuro, no teu nicho de prazer, brincas neste momento com as tuas mãos, sinto-o.
Riste porque sabes o destino de Ícaro, riste-te porque a noite volta sempre e eu como a maré, volto ao mar, ao teu mar.
Sorris pacientemente porque sabes que volto, permites-me estes assomos de rebeldia, jogas com tudo isto para aumentares o teu jogo de prazer, sei-o bem, demasiado bem para a minha própria sanidade.
Tens razão, sempre a maldita razão, volto ao teu conforto lunar, à tua poesia erótica, ao teu romantismo obscuro, volto porque sei-me feito da mesma massa embora iludido que poderia ser de outra, mais solar, mais brilhante.
Não nos apartemos mais então, que termine esta farsa, entrega-me o teu corpo para dele fazer vaso da minha paixão, isso, liberta-me dos sonhos pois deles não preciso, liberta-me da ilusão pois ela sempre me traiu, sim, é o teu corpo que desejo, os teus braços lunares e os teus olhos de inocência.
Julgava eu não ter em mim a poesia, a rima certa que compõe o soneto, enganado de novo pelo sufoco de querer ser diferente.
Amordaça-me com o teu fogo, prende-me aos grilhões e dá-me prazer, lê-me Sade pois a noite é ainda apenas uma criança inocente
Continuamos a olhar de lado em espelhos baços certos que deles nada vislumbramos, é melhor assim, dar passos falsos em frente do que morrer parado entre a noite e a madrugada.

Bruno:Carvalho
2011

(Este texto não está consoante o novo acordo autográfico por opção do autor)



quinta-feira, 2 de junho de 2011

SOULLESS

Quando a cidade despida
Traz consigo o odor que nos entristece
Que nos estarrece
Quando a vida torce de nós
Fazemos da indignação a nossa voz.

Pele com pele
Sangue com sangue
Esvaimo-nos com o ritmo da noite
Uma palmada sem mão, um açoite
Estranheza que se entranha na alma

A desolação cresce
O contentamento derruba-nos, fragéis como somos
Inconsequentes como fomos
Fugimos ao que nos fez sangue e carne
Sem coração ou paixão que nos salve.

Fazemos da demência a nossa sorte
Um fado destinado que se ri como a morte
Embrulhados no esquecimento
Provamos dos nossos lábios o veneno
E destruimos a nossa primeira pele
Sacrificando o que de nós restou.

Sem coração
Emoção, salvação, desterro
Com medo
Engolimos a cruz e o credo.

Bruno:Carvalho
2011

 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

BUSCA

Que a luz me queime!
Se não te encontrar por entre as sombras deste dia
Radiante, ardente...

Que o vento me leve!
Se não te guardar firme no meu corpo
Bela, carente....

Que a terra me engula!
Se não te proteger da solidão
Da obscura luxuria do tempo

Que venha o dilúvio, que me lave deste mundo
Que a porfíria desgraça seja enterrada nos destroços
Que a luz me queime se não conseguir partir as correntes
As raízes que me impedem de voar com asas roubadas ao sonho.

Bruno:Carvalho
2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

SONGS OF DARKNESS, WORDS OF LIGHT

Loathsome I've become.
A creature so undone.
Wretched and broken.
Cannot find my faith.
Any God will do.
Nothing said is new.
Nothing said is true.
Fly away my hope.

The embrace of shade holds me dear
Eats me away.
Loose the dogs of disgrace upon me.
I have no faith.
Raise the poor outcast I have become.
I am undone.
Calm is the air. Still is the sea.
The valley of death keeps calling me.

Rest my eyes from the world.
This dying place, it's so absurd.
Oh, Christ above, whom I love.
Lost to me. My snow white dove.
Make this day like the night.
songs of darnkess. Words of light.
Pulling down my heart.
I won't forget my lovers heart.

With utter loathing and scorn,
I was somehow born.
Strewn in black decay.
None shall I obey.
The wreckage of my flesh
The nakedness of my death.

My Dying Bride

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ESMERALDA

Vai e vem, vai e vem, as ondas despenham-se nos meus pés deixando neles um rasto cândido de espuma, perante a frescura da água os meus dedos enterram-se na areia, espasmos invadem o meu corpo deixando na pele o aroma salino do mar.
Deambulo no areal com o olhar fito algures no horizonte, na imensidade esmeralda daquele oceano tento vislumbrar algo impreciso, fecho o casaco à agrura do Inverno, apoderado pelos sonhos perdidos que vão e vêm nas ondas fico em silêncio, um minuto, uma hora, um tempo impreciso...
Viro as costas, o vento fustiga-me as costas como fizesse um pedido para não ir, volto ao passadiço, incerto do caminho a seguir, dali fito de novo ausente de mim o mar que se espraia por esses horizontes adentro, as gaivotas que flutuam na aragem, as nuvens que se fundem com a neblina, que deixam no meu cabelo gotas de cristal.
Absorvo firmemente a maresia como se quisesse preencher com ela o vazio em mim, abraço-me, o frio embala os meus passos rumo a sul, viajo sem rumo, sem esperança, sem medo, sem objectivo último. Viajo perdido porque jamais me encontrei, o túmulo que se aproxima, a morte que clama pela minha presença, caminho ausente do mundo como se tivesse sido engolido por uma indiferença atroz.
A incredulidade voraz de um afastamento precoce, flutuo no tempo, nas asas do vento, uma ave esguia que perdeu o sul, que perdeu para sempre o calor.
Fiz-me Inverno, para ocultar o inferno que grassa em mim, o conflito eterno o futuro incerto, fiz-me ausência para disfarçar a indiferença que me envolve, um rosto vago que vela do outro lado da janela.
O mar chama por mim com vozes fantasma na manhã, abraço-me, preciso sentir-me, como se dessa forma tivesse a certeza de ter existido, ao longe as ondas esmagam-se no cais, vagas de tudo e de nada, de amor, de morte, de tragédias de vidas colhidas na flor da idade.
E tivesse sido eu o tal aventureiro que se fez ao mar apenas com a sua bravura e uma esperança incontida, pudesse eu ter navegado para além do horizonte e naufragado no denso azul esmeralda.

Bruno:Carvalho
2011


Foto por: José Ramos

terça-feira, 12 de abril de 2011

DEMAIS

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"

Florbela Espanca

Para além do sonho vive a verdade...

sábado, 9 de abril de 2011

SANGUINE

Vê o sangue que me tinge as mãos. a mortalidade que me escapa entre os dedos, vê a majestade da noite, o luar que se esconde por entre as nuvens, uma lua de Inverno num sonho de Janeiro transformado em inferno.
Observa as sombras que me corrompem, como elas se insinuam no meu coração, as correntes que me prendem a um futuro longínquo, a tristeza inunda-me a cada segundo, rasga-me a pele, vira-me do avesso, das minhas entranhas sai o nosso amor, sanguíneo, visceral.
Na cadência da mudez das palavras jamais ditas, embalo-me na obscuridade para me descobrir de novo, preciso do silêncio, da noite, preciso de um retiro de mim, uma viagem espiritual, preciso de voltar a encontrar-me pois não sei onde me perdi...
E faço desde já uma vítima, o amor que nos uniu, o amor que nos transcendeu, sacrifico-o, para o meu bem principalmente para o teu bem. As pedras da caçada foram testemunhas de um adeus nunca ansiado mais por demais esperado.
Faltam-me as forças para pedir que me perdoes, peço-te que me apagues celeremente apesar de saber o quanto isso te será difícil.
É o sangue nas minhas mãos que me tinge de vergonha.
Dos meus lábios outrora saíram beijos, agora saem apenas palavras amargas ensopadas em raiva, temo-me, do que possa dizer, do que possa fazer, preciso de te deixar ir, pelo meu amor por ti, pelo nosso amor.
Faz-se silêncio, a hora não é de aplausos e risos, deito-me na desolação de mais uma noite, para mais um pesadelo, para mais uma insónia.
Pulsa em mim o Inverno, a escuridão clama a minha presença, vou aninhar-me no seu colo, na esperança de renascer de novo das cinzas mas consciente que elas misturadas com as tuas lágrimas poderão não passar de lama, onde ficarei atolado, onde criarei raízes, onde poderei por fim definhar, longe dos que amo, pois não merecem que os arraste para o abismo.
É tão breve o adeus que a tua voz ténue quase desaparece na imensidão deste quarto vazio que me envolve.

Bruno:Carvalho
2011

 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LUSITÂNIA

O que outrora foi um fardo agora é uma lição de liberdade, o que outrora foi um sonho agora é uma realidade tranquila, uma noite que desflorou num dia glorioso.
Enquanto do abismo renascemos olhamos para norte, para além da aurora algo renasce da terra, novos rebentos, os mesmo que brotam das nossas mãos.
De tronco unido somos gémeos siameses nascidos da mesma mãe, o céu chora agora a morte do Verão, ancorados numa espiritualidade eterna, transcendemos a morte, seguidores convictos do Inverno entoamos hinos de extase.
Ergue-te Velha Glória, vira-te para além do Atlântico que te confina, a velha ordem que seja restabelecida, pois do nosso sangue foi feita esta terra, da nossa carne foi feita a sua alma e por ela fizemos mil actos de coragem.
Que se erga de novo Lusitânia nossa mãe!

A Alma Lusitana em forma de música, para almas destemidas de corações altivos e corajosos!


sexta-feira, 1 de abril de 2011

XADREZ

Num tabuleiro de xadrez são dispostas as peças por mãos hábeis, as mesmas são movidas por olhos vorazes hipnotizados pelos quadrados brancos e pretos do tabuleiro.
Um passo em falso e um jogo se perde.
Como no jogo da vida, uma palavra mal entendida (elas podem ter mil sentidos), uma frase mal interpretada, um olhar de esguelha, um silêncio desnecessário, num segundo tudo se perde, num segundo tudo se ganha.
Os mais azarados são os peões, os peões que se sacrificam pela vida sem saberem ao certo ao que vieram, perdem-se na escuridão incertos de pisar os quadrados brancos ou os pretos.
Os dedos cansados dos jogadores ficam menos concisos com o avançar do tempo, por vezes arrastam o braço e deixam cair por acidente uma torre ou um cavalo, nessa altura algures no tabuleiro algo desperta, um peão que se perde de amores por outro, um cavalo que deseja ser torre e uma torre que desejava proteger mais a sua rainha.
O amor imiscui-se nas suas pedras de marfim, os peões são movidos pela paixão pela vida, morrem por causas, por sonhos, morrem por amor mesmo que às vezes não entendam o que isso poderá ser.
Com o passar dos minutos o jogo avança para o final, quando a rainha estoicamente defende a vida do rei, os papéis invertem-se na vida apesar de se saber o quanto as mulheres são mais fortes e corajosas que os homens, estas sofrem em silêncio, lutando na sombra umas pelas outras, porque aí também existe amor, pelos homens por mais déspotas que sejam.
São heroínas sem rosto, marcadas pelo passar do tempo nunca desistem de lutar pelo que acreditam.
Cai finalmente a rainha e o xeque-mate ao rei acaba o jogo.
Perdidos num sonho a preto em branco as peças são arrumadas numa caixa de madeira, para na noite seguinte se desenrolar mais um drama, mais uma batalha, talvez desta vez um peão possa defender a rainha, talvez numa única vez possa ser o rei a sacrificar-se pela sua defensora destemida.
A minha rainha caiu por demasiadas vezes, é a minha vez de dar um passo em frente, pelo bem do nosso amor, pelo bem da nossa sanidade.

Bruno:Carvalho
2011


quarta-feira, 30 de março de 2011

"VOZ NUMA PEDRA"

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal

Mário Cesariny



domingo, 27 de março de 2011

AMOR

Ó horror metafísico de ti!
Sentido pelo instinto, não na mente!
Vil metafísica do horror da carne,
Medo do amor...

Entre o teu corpo e o meu desejo dele
'Stá o abismo de seres consciente;
Pudesse-te eu amar sem que existisses
E possuir-te sem que ali estivesses!

Ah, que hábito recluso de pensar
Tão desterra o animal que ousar não ouso
O que a [besta mais vil] do mundo vil
Obra por maquinismo.

Tanto fechei à chave, aos olhos de outros,
Quanto em mim é instinto, que não sei
Com que gestos ou modos revelar
Um só instinto meu a olhos que olhem ..

Fernando Pessoa

De todo sangue nenhum sangue me resta, de nenhuma morte vida se ergue, da bastarda razão de ter uma coração ergo-me infértil de emoções, pois amar é temer a perda, amar é reconhecer a dor pelo seu verdadeiro nome, um heterónimo do paixão, essa mesmo fugaz e cruel, essa mesma pautada por ausência, sinto-te completa aqui comigo, por isso acredito estar além da promessa de perdição da paixão.
Este amor que me preenche é toda a certeza de que apesar de tudo o quanto fiz mal nada foi suficiente para que desistisses de mim.
Por isso renovo aqui os meus votos de amor por ti, poderá não ser eterno, mas é o sentimento mais certo que já tive até hoje.
Da incerteza fiz certeza perene, certeza feroz de querer ser mais do que jamais fui até agora.
O pouco sangue que me resta és tu, a vida que me corre nas veias, o impulso que ainda faz o meu coração bater.

Bruno:Carvalho
2011

(Este texto não segue as regras do novo acordo ortográfico por opção do autor)






terça-feira, 22 de março de 2011

NADA

Esta noite nada sou, nada quero, nada sinto.
A dormência invadiu-me sorrateira entre a décima sétima e a décima oitava hora de mais este dia, mais um, vivi mais um.
O vento sopra lá fora suspirando pelos cantos o teu nome, cá dentro fechado dentro da melodia que tomou de assalto o meu cérebro fico estarrecido pela minha pequenez, pela minha insignificaância.
O céu ameaça chuva, esta noite não verei a lua, esta noite sou meramente uma peça perdida de um puzzle sem solução, talvez seja isto aquilo que alguém escreveu com tinta invisível nas páginas da minha, talvez seja isto que mereça, hibernar na solidão, embalado pelo uivo do vento lá fora e pela aspereza do silêncio cá dentro.
E de mil e uma maneiras diferentes te poderia pedir desculpa, mas no entanto nem uma apenas parece capaz de fazer desaparecer toda a dor, todo o sofrimento que as minhas impensadas palavras causaram, nada acontece por acaso e talvez eu tenha de perder para aprender a amar, longe do meu egoísmo, longe das minhas ilusões, do meus sonhos por recompensa imediata.
A minha loucura cegou-me, o meu ego raptou-me, fez-me fugir da verdade, não posso agora mais do que admitir e viver com o que fiz.
Hoje sou nada, menos que nada, sou vazio, sou sofrimento, sou desilusão, sou a dor encarnada, a traição espelhada na máscara que cobre de vergonha o meu rosto.
Se calhar esta noite vou lá fora, ver a chuva, sentir a chuva, fazer com que se misture nas minhas lágrimas, pois hoje pouco mais importa, resta apenas recordar e esperar que possa viver o dia de amanhã, dia a dia, passo a passo, no fio da navalha caminho nas pontas dos dedos nunca sabendo para onde poderei cair.
Sou espantalho cabisbaixo fustigado pelo vento numa seara ardida, as minhas lágrimas fazem lama negra, a mesma onde definharei, para não mais me erguer.

Bruno:Carvalho
2011



(este texto não respeita o novo acordo ortográfico por opção do autor)

sábado, 19 de março de 2011

AMARELO

Viu-a ali, consumiu-a ali, ao longe, como se uma barreira invisível se tivesse erguido entre ambas. Um arrepio desceu-lhe pela espinha quando tocou ao de leve no seu braço esquerdo, tantas recordações... deuses, quantas memórias...
Baixou o olhar, não consegui olhar para aquele verde, aquele olhar de jade que se misturava no esmeralda do mar, tinha sido ali o primeiro beijo, ali mesmo, arrepiou-se de novo, um flash passou-lhe pela cabeça e deixou cair uma lágrima.
O seu cabelo rompia tímido sob o lenço amarelo que ela lhe tinha oferecido no último aniversário... Estava ali a sua metade, estava incompleta sempre tinha estado e agora sabia que estaria para sempre, não havia volta a dar, perdera a única razão de ser feliz, resignou-se mesmo quando os lábios dela ainda estavam colados no seus, quando os dedos dela ainda rasgavam lembranças de prazer na sua pele, fora livre, uma vez, uma vez apenas, demasiado risco, demasiada loucura para arrastar rio abaixo uma vida construída com tanto custo.
Desmoronou-se tudo, todas as suas crenças, tudo o que imaginava que era, afinal não se conhecia, não conhecia nem um porcento do seu corpo, só quando Beatriz a beijou pela primeira vez descobriu o quanto podia ser feliz, mas nada disso importava agora, estava ali, onde havia escolhido estar, olhou-a uma última vez antes de fechar o vidro do carro, enquanto o namorado entrava do carro e lhe dava um beijo que parecia de gelo no rosto, viu a sua vida esfumar-se, tão perto e agora para sempre longe, pôs o carro em andamento e passou por Beatriz que com o sorriso gracioso que aprendera a amar, beijava de novo com paixão um rosto diferente, não o seu, agora banhado por lágrimas de um arrependimento tão seu, um reconhecimento do que podia ter sido e nunca será, poderia viver assim?
Condenada a um desterro emocional saberia a resposta a isso no dia do seu nonagésimo aniversário quando fitou pela última vez o tecto frio do seu quarto de hospital, dos seus olhos correu uma última lágrima, colado no seu último suspiro planava Beatriz com o seu lenço amarelo que sorria sentada à beira mar...

Bruno:Carvalho
2011


segunda-feira, 14 de março de 2011

LUNAR

Malditos dias solarengos, se há-de sempre ser assim ao menos que não nos acenem com melancólicos dias de chuva, que raio de mau gosto, fazem-no como se burros nos tratássemos atrás das cenouras que neste caso são os tais dias de Inverno ou Outono.
Livra! Que nos deixem sossegados na noite eterna, que nos deixem sossegados à luz lunar, por mais pálida ou inconsequente que seja, deixem-nos carpir, chorar como fossemos feitos de lágrimas.
Se haverá para sempre sol e calor, que haja também noite, que nos lembre a chuva e o cheiro que ela deixa na terra seca.
Não podemos ser, dizem-nos ao ouvido, não podemos existir insistem, como se donos de tudo fossem, como se criadores da vida fossem, detesto-os, conspurcaram o mundo, o nosso mundo paralelo sustentado num ténue fio de perfume, o perfume dos versos, o aroma das cantorias.
Sim, podemos ser, nem que sejamos apenas a sombra do seu arrependimento, ou ruínas corroídas pelo tempo. Deixem-nos sonhar com dias de chuva, mesmo que nos convençam que são apenas mau tempo, tempo horrível, como a tia que passa todos os dias à frente da minha tasca e olha para dentro com desnorte e nojo.
Lá vai ela toda embaladinha naqueles vestidos rosa choque, unhas arranjadas e cabelo oxigenado, com as sandálias a batuque no passeio vai para por ali abaixo rumo à areia, para torrar ao sol e dizer no outro dia às amigas que tem um escaldão maior do que o delas.
Digo por vezes à rapaziada que merecemos ser filhos da noite, vagabundos meio ébrios pela poesia, pobres boémios perdidos nos sonhos da vida que nunca será mais que realidade, vivemos de ilusão e por amor à chuva, à liberdade e à paixão.
Chamam-nos loucos como se loucos fossemos, se a loucura se define por amar e querer amar cada vez mais e amar tudo como pertencente a nós próprios, então sim, somos loucos, mas o que chamar aos mil e um corpos panados de areia que passam horas debaixo de um sol escaldante? A loucura já não é de certo o que era...
Tudo muda digo por vezes aos rapazes a seguir ao porto da praxe, antes de mais uma fuga, uma evasão da prisão do que querem nos fazer acreditar que é, mas não é, nós sabemos e provamos através do luar que há muito mais do que nos pretendem mostrar.

Bruno:Carvalho
2011

terça-feira, 8 de março de 2011

FA(R)DO

Passeava de noite, admirava os cabos adormecidos que uniam os postes, as luzes brilhavam, uma ou outra ali perto, fundia, ele passava sempre ali, ali onde a noite não era mais que o seu nome.
Por entre o fumo do cigarro seguro por entre os dedos meio molhados pela humidade, dizia versos soltos, murmurados ao silêncio, no jardim conhecia cada flor pelo seu nome, deu-lhes um nome, uma face, um sabor, a cada uma delas diferentes no entanto tão semelhantes deu o sabor de um beijo.
Nem sempre a noite era benevolente, às vezes chovia, outras a geada cobria as superfícies húmidas, noutras a neve cobria o cascalho do caminho, mas nem sequer uma noite ele falhava.
Recordou-se que precisava daquilo para viver, precisava de dizer aqueles adeus vagos a quem passava, precisava murmurar sozinho, perdido em divagações em monólogos distorcidos, a mente já não era sua, tentava a todo o custo segurar a alma, depois de a perder nada mais restaria e nada mais valeria a pena.
Ele sabia que os cabos dormiam de noite, não como pessoas, mas sim como fantasmas alerta, por isso ele passeava apenas à noite, de dia a claustrofobia do barulho, o caos dos olhares de esguelha, o odor cadavérico dos corpos, tudo o enojava, queriam enterrá-lo vivo, por isso de dia ele dormia, uma duas horas apenas, nunca mais que isso, nunca se permitia fechar os olhos por muito tempo, poderia não voltar a abri-los.
Nesse par de horas tudo acontecia dentro de si, os seus gritos meio emudecidos pela multidão assustavam quem passava, o corpo contorcia-se num espasmo eterno, parecia lutar com o invisível e nos seus ouvidos, estrondos ribombavam, um após outro, acordava sempre ofegante, sempre a tremer, sempre sozinho.
Pandora a pequena cachorra que achara no lixo era a sua única companhia, naquelas horas de semi-sono, deitava-se quieta e alerta a olhá-lo, velava, vigiava sem saber o quê...
Sim os cabos dormiam, sim senhora, estava louco nunca tinha dúvidas disso, via-o nos olhos de quem passava, nos da Dona Hortilia sublinhados com rimel, nos no padre Ortêncio carregados de falsa compaixão disfarçada de nojo, nos do pequeno Saúl, que gozava com ele todos os dias, no entanto havia um par de olhos que nunca soube ler o que diziam, apesar da sua sapiência, da sua cultura, dos milhões de versos que escrevera e lera, não conseguia ler aquele olhar, era maior que ele, que alguma coisa viva, os olhos do mimo que se imobilizava no meio do jardim eram os seus únicos aliados, nele por vezes parecia reconhecer alguma solidariedade, algum entendimento, mas era algo fugaz, algo que passava com o piscar dos seus olhos.
E ali ficava todas as noites, órfão de sentido, refém de uma guerra que nunca mais terminaria dentro de si, as pessoas passavam por ele sem o ver, apenas mais um que não valia a pena sequer salvar, enquanto cambaleava de cansaço com Pandora nos seus braços, acordava de vez em vez sobressaltado pelo bater das moedas no chapéu cinzento do mimo.
Os seus olhos pareciam agora e finalmente emanar algo, brilho talvez, um sorriso aflorou no seu rosto, assistir ao nascimento de uma estátua seria o epitáfio da sua desdita vida, era o fado que cantavam ao longe ele porém só sentiu o fardo do esquecimento abater-se sobre si.
Sim os cabos dormiam, mas a morte chegava bem acordada.

Bruno:Carvalho
2011

domingo, 6 de março de 2011

ALEGORIA AO TEMPO

Muito se fala do tempo, do que temos, do que não temos, do que ele tem ou nunca possuirá, falamos como se tivéssemos todo o tempo do mundo, como se ele fosse infinito e nós imortais.
Talvez seja infinito mesmo o tempo, mas no que à nossa pequena existência, pequena realidade diz respeito ele não é nem nunca foi infinito, o nosso problema é não ver o quanto ele pode ser breve, como a vida nos é tirada num segundo, um segundo apenas que julgávamos viver mais.
Apaga-se a vida e fica o vazio, com o tempo vai o amor e a dor, vai e vem a paixão e a glória de sonhar, sonhamos ser maior que o tempo quando escrevemos um poema, quando tiramos uma foto convencidos que o parámos, quando beijamos alguém e a abraçamos pensando que ela sempre estará ali.
O tempo apaga-nos, anula-nos, somos instantes inseridos na cadeia que não pode ser parada.
Por vezes ficamos inertes frente ao espelho a reflectir sobre o que o tempo poderá ou não reservar-nos, ficamos parados, adiando o que não pode ser adiado, porque não sabemos quanto tempo teremos, andamos cegos...
Basta dizer um amo-te, um quero-te, basta fazer uma viagem trilhando um caminho, seguindo as linhas, basta um abraço na paragem frente à estrada, basta qualquer coisa para vencer a inércia do tempo, e depois a viver o próximo segundo recordaremos felizes o anterior, pois vivemos mais um, sim isso mesmo VIVEMOS mesmo, muito diferente de sobreviver, muito diferente de desesperar.
Do tempo passado ficam os despojos do presente, a lamentação do que passou e não fizemos, por medo, por presunção de sermos imortais, ficam as roupas sujas, infectadas pela nossa preguiça, fica o silêncio pois uma palavra dita fora do momento certo perde significado.
E o silêncio é isso mesmo, uma alegoria do tempo, um aliado de peso que simplesmente julgamos controlar, do nosso silêncio nunca brotará o momento que deixámos passar, aquele que definiria a nossa vida, O MOMENTO, aquele que estaremos a recordar neste momento, a razão começou o genocídio da nossa humanidade, o tempo terminará o trabalho.
Golpe após golpe.
E o que poderemos fazer? Perguntarão...
Porque não começar a sermos nós próprios?
Enquanto lês isto quanta vezes pensaste na tua mortalidade? 
Não penses mais
Levanta-te, o tempo urge e a pessoa que luta contigo por um tempo vosso ainda não ouviu hoje o quanto a amas.
Amanhã poderá ser simplesmente tarde de mais!

Bruno:Carvalho
2011


sábado, 5 de março de 2011

ANGEL

TEARS OF PASSION
"Angel"

I'm looking straight in the mirror of truth
I am not immortal, I've lost my youth
Maybe I see the hell, maybe the paradise
But one thing I surely know, that my spirit will be rised

Angel I want to be with you, so tell me what can I do
Angel I want to be with you, so tell me what can I do

My soul starts to burst, I'm going insane
More than the dead I feel the blood in my veins
I know I'm gonna die, astral light is all I see
I'm still looking in the mirror, the Angel is me

Angel only you can see, you are the one, you set me free
Angel only you can see, you are the one, you set me free

I see the sadness in your eyes
My whole life was a disguise
At the funeral you won't be there
I will follow you everywhere

Angel I want to be with you, so tell me what can I do
(Angel)
Angel only you can see, you are the one, you set me free
(Angel)


terça-feira, 1 de março de 2011

PRESENCE

It's a simple mistake not to live the life we earned. Let's live eager to feel, eager to hold, not afraid at all to lose.
Let's leave a mark somewhere, leave a mark in someone. let's go be, just be ouselves.
Don't drag you down anymore, the ground do not deserve you, rise your head high, don't be afraid of the burning sun.
Let's go enjoy the sunlight, push play for your favourite music, just let it flow, let it grown inside you, doesn't the world seem different when you look upon him from within?
That's a hole in your soul, we all feel it, your tears are unmistakable evidences, I do know you, despite you never seen me.
So this words collide, let them form a new poem, a new beginning, let's just be free, dreaming an eternal life, even knowing how fragile it can be.
Just take a chance, a step in the dark, sometimes beneath the shadows lays the most pure and honest beauty.
Life can have many meanings, life can have only one, but in the end it's always our choice to be free, don't let the sky fall on you.
Now I'm sure my love, now I'm sure that you came and putted all the lost pieces together, now I'm complete.

Bruno:Carvalho
2011

ANATHEMA
"Presence/A Simple Mistake"

One has to come to terms with one's own mortality.
And you can't really help people who are having problems with mortality,
If you've got problems of your own.
So you have to begin to sort things out,
And I thought I had sorted things out until I saw this excerpt from this book,
Of certainty I shall remember what it said:
"Life is not the opposite of death. Death is the opposite of birth. Life is eternal."
And I thought that it's the most profound words I have ever heard about that issue and it really put me in peace.
(I felt it was a wonderful story.)
And that's it.

What else is there to say?
Heh.
Life is eternal.
Surely the opposite of life is not the death, but life is eternal.
There is no opposite.
And so, what happens is, I suppose,
(And isn't it a raging or outrageous)
State of pure consciousness, stillness and silence?

Yeah, what we are looking for now,
We are searching for and we have been searching for,
Now we've become closer it and now we know it's already there,
Is there for ever to seek,
It's there,
And it's going be there,
All the time,
Forevermore.

Only you can hear your life
Only you can heal inside

(Life is eternal...)
Think for yourself you know what you need in this life
see for yourself and feel your soul come alive tonight
here in moments we share, trembling between the worlds we stare
out at starlight enshrined, veiled like diamonds in..
...time could be the answer, take a chance, lose it all
it's a simple mistake to make to create love and to fall
so rise and be your master you don't need to be a slave
of memory ensnared in a web, in a cage
I've found my way to fly free from the constraints of time
I have soared through the sky seen life far below in mind
breathed in truth, love, serene, sailed on OCEANS OF BELIEF
searched and found life inside, we're not just a moment in time...
....could be the answer, take a chance lose it all
it's a simple mistake to make to create love and to fall
so rise and be your master you don't need to be a slave
of memory ensnared in a web, in a cage




sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

VERTIGEM

Envolve-nos o turbilhão, somos um emaranhado de braços e pernas, somos um corpo fundido na vertigem da passagem da noite, estamos escorridos no vidro que nos separa da fria madrugada.
E aceleramos, vamos cada vez mais depressa, começa-nos a faltar o discernimento para coordenar todos os movimentos, ofegantes e embriagados pela paixão, gritamos que nem loucos à beira do precipício, vamos desvairados, devoramos-nos, nus, nós, unos...
A vertigem abranda quando afundo os meus lábios no calor do teu sexo, a minha língua liberta depois de anos aprisionada, as minhas mãos rasgam com carícias o interior das tuas coxas, depois vem de novo a vertigem e tudo recomeça, ao som do bater do coração que tal como um tambor de guerra marca o ritmo para o desenlace.
Mordes-me o peito enquanto eu aflito de ânsia me enterro em ti, para logo depois renascer de novo numa explosão de êxtase.
Abate-se sobre nós um estranho silêncio, o silêncio antes da tempestade, ofegantes e ébrios pelo amor adormecemos cansados, embalados pela velocidade do sonho somos já incapazes de ouvir o ribombar do trovão, e o flash do relâmpago que penetrou na escuridão do nosso quarto.
É esta vertigem que nos define, que nos faz ir cada vez mais depressa, libertos do medo não podemos deixar de ser completamente felizes.

Bruno:Carvalho
2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

IMPERFEITO

Aqui continuamos nós a sonhar a vida perfeita que não existe, aqui andamos nós, de mentira em mentira, de ilusão em ilusão, tentando em vão preencher o vazio com novos vazios, inconscientes de quem somos, do que queremos ser, ignorantes...
A vida passa friamente célere desprezando a nossa pouca ambição de viver.
Agarro-me à minha imperfeição porque assim sei que sou eu, olho-me no mesmo espelho partido porque sei que aquele rosto estilhaçado é o meu.
Não me conheço apesar de olhar no tal espelho, arrasto-me na multidão tentando ser normal, tento camuflar-me no sistema, só para fazer de conta que pertenço a alguma coisa.
Porque amamos? Do que nos vale?
Não passa tudo de um jogo de espelhos, luzes que mudam constantemente, num minuto julgamos amar uma pessoa, no outro apercebemos-nos que simplesmente estamos a tapar um vazio que nunca mais poderá ser tapado.
Foi mais um momento que passou e quando passa não existe caminho de retorno, fica apenas só mais uma impressão na nossa memória, um espinho cravado na nossa garganta que dói quando pronunciamos a palavra Amor...
Julgo-me fiel, quando a minha fidelidade está perdida lá longe no passado, na escuridão, amo uma memória, consciente de tudo isso apenas desejo a solidão. É um castigo, um castigo merecido para quem rasga assim a alma de uma pessoa...
E eu sou isto, um punhado de pó, um sinal ferrugento que não merece ser pintado de novo, um proscrito, infiel, egoísta, desmoronado, inquieto, nu... Vazio...
As minhas mentiras sufocam-me, torno-me receptáculo de dor, pois quero que ela apague qualquer recordação do amor, não quero! Não preciso! Que se afaste!
Que me deixe a carpir lágrimas daquilo que julgava ser mas que nunca poderei ser, que me deixe despido na frieza do desespero...
Pois a noite por aqui há muito que caiu, o sol não voltou a nascer, e os meus olhos habituaram-se à escuridão.
Que se afastem de mim os que ambicionam paz pois por aqui só encontraram guerra, uma guerra interna que me há-de consumir para sempre!
Parto.
Parto vazio como cheguei, amargo, velho, cansado...
Parto despojado de olhar, com a cicatriz de um beijo e uma alucinação de algo que alguns haviam chamado Amor, mas que eu apenas conheço por dor...

Bruno:Carvalho
2011


domingo, 20 de fevereiro de 2011

VOLTA

De volta a Norte com a alma renovada e o coração a bater mais depressa!!

ANATHEMA
"Temporary Peace"

Deep inside the silence
staring out upon the sea
the waves are washing over
half forgotten memory

Deep within the moment
laughter floats upon the breeze
rising and falling dying down within me
and I swear I never knew, I never knew how it could be
and all this time all I had inside was what i
couldn't see
I swear I never knew, I never knew
how it couldn't be
all the waves are
washing over all that hurts inside of me

Beyond this beautiful horizon
lies a dream for you and i
this tranquil scene is
still unbroken by the
rumours in the sky
but there's a storm
closing in voices
crying on the wind
the serenade is growing
colder breaks my soul
that tries to sing
and there's so many many
thoughts
when I try to go to sleep
but with you I start to feel
a sort of temporary peace
there's a drift in and out





sábado, 12 de fevereiro de 2011

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny



Autor(a): Raquel Monteiro Mendes

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ALFAZEMA

E ali estava ela, na banca de jornais com a sua blusa justa de um branco imaculado semi-transparente que deixava transparecer o preto do seu soutien, a sua silhueta era exactamente aquela que julgava lembrar-se não sabia bem de onde.
Um sorriso abriu-se quando se aproximou, ele manteve a sua postura de burocrata sério, sisudo e educadamente pediu o Jornal de Economia, deu-lhe o dinheiro e tentou prolongar um pouco o toque mas sem dar muito nas vistas, o seu rosto continuou impávido, mas o sorriso dela aumentou de intensidade. Será que ela notou alguma coisa? Embaraçado disse um repentino obrigado quando ela lhe devolveu o troco, virou costas e entrou no grande edifício de escritórios onde trabalhava há já 15 anos.
Demasiado tempo. Ultimamente não sabia o que se passava com ele, talvez o incidente o tenha transformado, talvez o tiro lhe tenha trazido mais de que um coma profundo e dois anos sem memórias. Mas a memória daquela simples rapariga que antes de tudo acontecer era a empregada de limpeza do seu escritório a mesma que ele gozou várias vezes com os seus tão másculos companheiros, de um patinho feio havia nascido um lindo cisne, aquela rapariga parecia-lhe agora bastante familiar, não o sentia simplesmente na cabeça, mas em toda a sua pele, como se no par de anos do seu apagão humano ela tivesse estado presente.
Era um disparate claro, não sabia sequer o seu nome, disso ele lembrava-se perfeitamente, nunca para ela havia falado, no entanto aquela sensação de inquietude não parecia desaparecer, parece que ao olhar para aqueles olhos se apercebia de tudo o que tinha perdido, não era um sensação incómoda, simplesmente uma sensação nova.
Nessa noite deitou-se algo ansioso, deu voltas e voltas na cama demasiado grande para uma pessoa só, no seu espaçoso apartamento parecia que se moviam sombras conhecidas, como se o coma estivesse de volta, só que desta vez parecia tomá-lo de olhos abertos e pleno de consciência. Sentou-se na cama e abriu a gaveta da mesinha de cabeceira, dela retirou um lenço amarelo de linho, a primeira coisa que havia encontrado junto à sua almofada naquele quarto frio de hospital onde havia passado dois anos na penumbra e na letargia de uma existência vegetativa.
Acordara confuso, não consegui estabelecer qualquer ligação entre ele e aquele simples lenço amarelo, nele ainda restava um ténue perfume a alfazema, a primeira coisa que fez ao regressar à vida fora apreender aquele odor maravilhoso e tinha-o feito como se fosse a primeira vez.
Aquele lenço não fazia de forma alguma o estilo da sua ex-mulher, não, era demasiado simples para a sofisticada Selene, o pensamento nela fez-lo desejar adormecer de novo.
Acordou na manhã seguinte com um sentimento de ressaca, mas não era uma ressaca alcoólica, era uma outra que ele não conseguia explicar, doía-lhe a cabeça, metade pela falta de descanso a outra metade pela força para se lembrar o que significava aquele lenço...
Tomou os cereais, vestiu o fato e a gravata, agarrou a pasta e saiu para mais um dia, porém aquele dia não parecia ser um dia qualquer, enquanto caminhava para o carro essa sensação parecia não o abandonar.
Tomou café na pastelaria habitual, saiu de novo para comprar o jornal como era seu hábito antes de mergulhar no mar de processos que se acumulavam na sua secretária, ao virar da esquina e ao vê-la de novo ficou tonto e encostou-se à parede, parecia que uma rajada de vento o impelia para trás, no entanto o tempo estava sereno e solarengo, desse dia ela trazia uma blusa preta, o sorriso continuava lá, contagiante, quente, familiar, mas o que vez cambalear fora o lenço amarelo que prendia os seus cabelos negros, sobre o seu rosto um pequeno fio de caracóis caia-lhe sobre o olho esquerdo, sentiu-se ofegante e trémulo. Que raio se passa? Murmurou entre dentes.
Tentou caminhar o mais confiante e sereno possível na direcção da banca, ela viu-o aproximar e sorrindo deu-lhes os bons dias tratando-o pelo nome, mas como sabia ela o seu nome? Era uma desconhecida, nunca havia trocado mais de duas ou três palavras com ela.
Tocou no lenço que jazia no bolso das suas calças, de repente o mesmo cheiro a alfazema subiu-lhe ao olfacto, era demasiado forte para vir do seu lenço... Parou estarrecido enquanto uma súbita onda de prazer tomou conta do seu corpo ainda trémulo.
Nesse dia pediu-lhe mais que o jornal habitual, algo o fez formular um convite para café, naquele dia, depois de almoço, a leveza e a naturalidade como ela aceitou o convite deixou-o ainda mais longe de si, parecia noutro mundo, paralelo.
Entrou no escritório algo confuso e desconfortável, tudo parecia em silêncio apesar das pessoas quase gritarem aos seus ouvidos.
O almoço chegou, pouco comeu, sentia-se ansioso como fosse ainda um adolescente e não um homem já com uma trintena de anos. Caminhou acelereradamente para o local do encontro, de certa forma quase desejava que ela não aparecesse, algo estava demasiado errado com ele, ele não se lembrava assim, lembrava-se frio e calculista, demasiado apegado ao seu status e à sua conta bancária para sequer se dar ao trabalho de olhar para qualquer outra pessoa, o mundo era ele, era o centro, que se passava?
Marcara um local inconscientemente, foi o primeiro que lhe veio à cabeça quando estava demasiado enfeitiçado pelo sorriso dela e por aquele insistente aroma a alfazema, agora quando chegou e se sentou na esplanada à beira lago, aquilo tudo parecia-lhe estranhamente familiar, uma sensação de dejá-vu inundou-o, pareceu que se deslocava noutra velocidade que o resto das pessoas, um flash, uma memória, vieram-lhe sons de risos aos ouvidos, a mão pareceu ser tocada, mas não havia ninguém à volta...
Ela apareceu com vestida com a mesma blusa negra, com os três primeiros botões desabotoados salientando-lhe os seios, entre as suas pernas o seu sexo endureceu, tentou descontrair-se para não cair no embaraço, o mesmo lenço amarelo encontrava-se agora à volta do seu pescoço contrastava com a alvura da sua pele pálida como uma planície coberta de neve, os seus caracóis negros flutuavam na leve brisa, os óculos que agora trazia pareciam realçar o verde dos seus olhos.
Sentou-se serenamente e deu-lhe um beijo na face, tão naturalmente como se conhecessem há muitos anos, outro flash, outra memória, conhecia aquele beijo e quando ela o beijou nos lábios reconheceu o seu sabor, neste momento entrou em pânico, incrédulo foi incapaz de formular qualquer palavra que fosse, foi sendo invadido por uma enxurrada de memórias, primeiro começou como uma pequena sensação de comichão na sua cicatriz, depois foi subindo até ao seu coração, este acelerou passando das 50 batidas às 100 num piscar de olhos, embriagado pelo prazer e por algo mais que ainda não conseguia saber o que era pegou-lhe na face e beijou-a profundamente.
Nesse momento tudo passou a fazer sentido, estava num sonho que sabia ter sido a sua vida antes da sua quase morte.
Levou-a para o seu apartamento e enquanto desenfreadamente tiravam as roupas um ao outro, as peças que faltavam ao puzzle foram sendo colocadas no lugar, conhecia aquele corpo, conhecia a doçura daqueles seios, conhecia o quente que habitavam entre as pernas dela, conhecia a imagem que estava reflectida no seu olhar, reconhecia o nome que ela no meio do prazer sussurrava ao seu ouvido, penetrou-a gentilmente, os corpos foram fluindo numa dança que ele sabia agora já ter dançado, atingiram o clímax ao fim de quase uma hora, juntos, unos, como tinha sido antes do eclipse da sua alma.
Adormeceu sereno nos braços dela. No silêncio simplesmente interrompido pela pacifica respiração  e pelo bater compassado do seu coração finalmente o pano que escondia o palco que tinha sido a sua vida foi descerrado.
Lembrou-se do café do lago, lembrou-se de caminhar de mãos dadas com ela, enquanto a brisa fresca daquela noite de verão os inundava, lembrou-se das suas palavras, entre elas recordou principalmente felicidade e amor. Lembrou-se também do tom cruel de um disparo, a sua cicatriz doeu de novo, lembrou-se de cair na relva molhada pela orvalhada da noite, lembrou-se que o seu sangue se misturava com as calmas águas do lago e lembrou-se acima de tudo do beijo, do último beijo, misturado com o sabor férreo do seu sangue estava um doce trago a mel, lembrou-se do cheiro a alfazema e lembrou-se da escuridão que o envolveu.
As lembranças que tivera tido ao longo daqueles dois anos de coma e que julgava serem resultado de um qualquer estado pós vida fizeram sentido, as palavras murmuradas como se do fundo de um poço saíssem, os toques na sua mão e no seu rosto, o monótono apitar das máquinas que o prendiam por um fio à vida, estas últimas lembranças fizeram-no apertar-se ainda mais contra o peito dela...
De repente a monotonia do bip bip, transformou-se na cacofonia de um longo bip, a ele vieram vozes aflitas, sentiu-se afundar por fim no abismo que há muito o seduzia a deixar-se cair, pensou: finalmente a paz... De repente um puxão tirou-o de vez do lamaçal, acordou ofegante e deu um grito de liberdade, o tecto branco do quarto de hospital fê-lo semicerrar os olhos, a primeira coisa que sentiu foi um toque suave a seda na sua mão e um cheiro intenso a alfazema.
Vida!!!
Aquele nome pulsou na sua boca seca e deixou nele não uma nova cicatriz mas antes uma pequena tatuagem para sempre desenhada no seu corpo.
Finalmente Vida havia vindo resgatá-lo.

Bruno:Carvalho
2010

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...