quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

I AM MINE

O que nos faz ser quem somos?
O que nos constitui e o que nos move numa ou noutra direcção?
O que são estes comummente chamados sentimentos, sensações, prazeres, vontades?
Faz tudo parte de uma grande conspiração, do ADN que nos criou?

Acalmam há milénios tempestades dentro de nós, seres que se auto intitulam donos da verdade, de uma só verdade, como se existisse apenas uma, fazem-nos crer com ajuda de narcóticos mais ou menos legais que o que vemos é o que é real.
Que de facto não há oposição possível ao poder instituído, há tanto tempo assimilado que se tornou a única verdade, a única maneira possível de fazer as coisas.
Controlam-nos mentalmente, baseados numa razão sobrevalorizada empurram-nos rumo ao abismo, aquele abismo que nem sequer sabíamos existir, quando lá estamos no seu limite, nunca nos dão alternativas, existe apenas o salto em frente, um salto de fé e quem não consegue dar esse passo, quem por uma qualquer falha no sistema descobre que se pode dar um passo na direcção oposta é simplesmente empurrado, por um amigo, por um familiar, por mil uma pessoas que nos fizeram acreditar quererem apenas o nosso bem.
Mas como podem elas saber?
O Homem é uma unidade selvagem, como todos os seres houve uma altura em que a racionalidade não movia os nossos passos, evoluímos assentes em mil e uma mentiras, que existe um dogma, uma verdade que devemos aceitar como única, que existe a moral, que existe o bem e o mal, como se isso pudesse de facto ser verdade, é apenas mais uma mentira, cada um de nós é metade egoísmo, metade altruísmo, cada um de nós é mais ou menos cinzento, todos fazemos mal numa qualquer altura da vida pensando estar a fazer bem, somos tão aleatórios, ao menos os animais que consideramos selvagens têm um plano, nascer, crescer, reproduzir, sobreviver e por fim morrer. Nós, nós apenas seguimos o aleatoriedade baseada no que está certo ou errado sem nunca saber o que é uma ou outra coisa.
Nascemos sozinhos, morremos sozinhos.
A simplicidade desta sim provada verdade, é de tal forma aceite por nós como um dado adquirido que nos esquecemos que pelo meio existe algo que pode ser feito.
Os sentimentos que nos movem como seres humanos, como nascem? Como se decide se ser homossexual, heterosexual ou bissexual? Não me venham com a demagogia que o natural é ser heterosexual, e não, não é uma doença, doentes são aqueles que tapam os olhos a atrocidades cometidas à frente dos seus olhos, quem determinou o que era ou não natural foi o próprio Homem, quando o poder subiu à cabeça de algumas maiorias que pensavam poder instituir um só pensamento, ao sétimo dia criou-se a religião, para nos manter cegos, para nos manter obtusos, para nos controlar.
Em pleno século vinte nasceu uma nova religião, a do dinheiro.
E mais uma vez seguimos por caminhos que não quisemos caminhar, seguimos o que não queremos só porque isso é o que é natural e certo fazer?
Mas será?
Ainda não nos mentalizámos que o que devemos fazer está no nosso ainda pouco conhecido cérebro, na nossa vontade própria, no orgulho de sermos quem somos, para além de qualquer aspecto físico, qualquer raça ou credo.
Cremos demasiadamente em coisas invisíveis enquanto o que nos oprime passa frente aos nossos olhos às claras e sem pudor.
Como se pode julgar como um gesto humano e altruísta alguém que prescinde de um ordenado de 6 mil euros mensais por uma pensão de 10 mil?
Quem pode acreditar num poder, numa justiça quando mil umas atitudes como esta passam frente aos nossos olhos todos os dias?
A máquina cresce a cada minuto, agora já não tem engrenagens, vem disfarçada por terabites de informação, a máquina cresce quando a amizade é definida pela quantidade de amigos numa qualquer rede social, estamos cada vez mais expostos, estamos cada vez mais nus não uma nudez natural e serena, mas uma nudez humilhante e desumana.
Quem tem o direito de nos impor limites? Quem tem o direito de invadir a nossa definição de liberdade?
Existia uma palavra, uma palavra sublimada pelos antigos gregos, os mesmo que criaram a tragédia, chamava-se Amor, digo chamava-se pois agora é simplesmente mais uma palavra inserida na matriz da máquina, agora toda a gente ama por amar, é tão simples como isso. Criamos na nossa ilusão de vida a pessoa perfeita, o desconhecido(a) que há-de aparecer do nada e nos há-de trazer uma felicidade eterna, mas quem senão nós determina a felicidade que queremos e podemos ter? Quem é eterno? 
Embriagados pelos químicos que movem o nosso corpo rumo à paixão desenfreada definimos amores eternos como se eles pudessem existir.
No meio da estática, do barulho, do caos, da confusão simplesmente esquecemos-nos que existe o agora, o segundo, o minuto que dentro de 60 segundos será passado, esquecemos-nos que ser feliz é importante ser agora, não num programado futuro, que pode nem nunca vir a acontecer.
Felizmente há ainda esperança, pois por aí existe ainda um punhado de gente, gente de verdade, que ainda acredita no velho Amor, que sente cada momento como sendo único, seja um homem com uma mulher ou uma mulher com outra ou um homem com outro.
Não entendem?
O que interessa é sermos felizes, verdadeiros e coerentes connosco, não o que outros poderão julgar ser certo ou errado para nós.
Estou cansado, cansado de ver além, cansado de não poder ver muito mais longe, longe da máscara que hoje coloquei.
Sejamos verdadeiros!
Sejamos sinceros!
Digam todos os dias à pessoa ou pessoas que as amam, aquelas que só nós sabemos reconhecer através de um simples olhar que estão sintonizados na mesma realidade que nós. Porque um minuto mais tarde pode simplesmente ser tarde demais... 

Bruno:Carvalho
2011


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

REFLEXOS

Por um momento julgava ter herdado a loucura dos meus antepassados. Olhava nos olhos da vergonha, do medo, do orgulho, da inocência, do destino.
Quando olhava pela janela da alma vislumbrava outros mundos dentro do meu mundo. A paisagem alterava-se ciclicamente e com ela a mole humana que a preenchia, e eu no lado de dentro ou de fora conforme a perspectiva, observava, a minha missão era observar.
No princípio, aquele trabalho agradava-me, ver o que os outros não viam, testemunhar verdadeiros feitos, feitos inimagináveis que a sociedade humana era capaz dos maiores feitos. No entanto, era também responsável pelos piores.
A certa altura vi os céus ficarem negros, um sol escondido por detrás duma nuvem. A sombra desceu sobre a areia do deserto, o sufoco veio em forma de nuvens venenosas e o fogo ergueu-se da terra para reclamar o que lhe pertencia. Vi gigantes tombarem, arrastando o ar com braços verdes, sem pernas e sangravam, um sangue branco que ensopava a terra.
Depois vi a massa azul do oceano ser engolida por almas de plástico, vi as criaturas serem engolidas pela sua fúria, vi grandes tubos fumegantes que arrancavam o horizonte, vi coisas vivas sufocarem.
A minha mente sucumbia sob o peso de todas estas visões, mas depois vi ainda o homem que ria, do outro lado da janela, uns olhos vazios, cheios de ganância, cheios de egoísmo.
A loucura! Senti os seus dedos perfurarem-me o corpo, caí de joelhos sobre o mármore frio, o meu peito atrofiava, o ar entrava em golfadas contaminadas. Forcei-o a levantar-se, a enfrentar de novo aquele olhar e foi então que vi o seu primeiro olhar de surpresa. O medo deixara de me percorrer e sorri. O reflexo embateu na janela que se abriu.
Vi, então, homens que cuspiam fogo, pessoas abraçando-se de medo criaturas rindo de prazer. No meu âmago começou a formar-se um grito, crescia a cada vez que olhava numa direcção diferente, enchi o peito de ar e libertei a minha voz.
Soltou-se no mundo, naquele e nos outros, o sol rasgou a escuridão, as asas do vento expandiram o sufoco, as águas brotaram e do chão brotou de novo vida. Um pequeno gigante ergueu-se, nos seus braços as flores novas de uma nova alvorada.
Suspirei, deixei na terra uma nova oportunidade.
Fechei de novo a janela.
Mirei o meu reflexo e virei as costas.
A loucura desaparecera!

Bruno:Carvalho
2010

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A NEW STAR

I like to pretend I'm alone in between lines, I like to pretend, using mask after mask I try to blend in the crowd.
Drawing circles around my aura I try to believe that will always be morning, this moment, this infinite moment of peace, I kiss you deeply, afraid that this all ends with the awakening of another illusion.
So I'm inlove with the night, because after it there always will be a morning, a new dawn, another reason to fly.
I like to stand still inside you, I harbour my fears around your neck as I kiss you softly, because I know you will never leave, because what I feel it's the same you feel.
And our hearts found the same cadence, beating as one, loving united, so my love I do tell you now, finally, need you near, because I'm feeling we been apart for too long.
And we will awake bonded together, our bodies entwined, two lost souls found in the rise of the sun, the past it's to left astray, the ashes of a mistaken past.
Stories will be told about our love, songs will be written like odes to its purity.
So my love never be afraid to let you go, if you fall I'll catch you, for my arms are your safety net, for my body it's your new born haven.
Let's alight another star in the sky, let allow us to be free and dream blissfully, let me recite one more poem, as we breathe the melody left in the air, let's us fall asleep to live another dream.

Bruno:Carvalho
2011



Sweet little words made for silence, not talk
Young heart for love, not heartache
Dark hair for catching the wind
Not to veil the sight of a cold world

Kiss while your lips are still red
While he's still silent, rest
While bosom is still untouched, unveiled
Hold another hand while the hand's still without a tool
Drown into eyes while they're still blind
Love while the night still hides the withering dawn

First day of love never comes back
A passionate hour's never a wasted one
The violin, the poet's hand
Every thawing heart plays your theme with care

Kiss while your lips are still red
While he's still silent, rest
While bosom is still untouched, unveiled
Hold another hand while the hand's still without a tool
Drown into eyes while they're still blind
Love while the night still hides the withering dawn

Kiss while your lips are still red
While he's still silent, rest
While bosom is still untouched, unveiled
Hold another hand while the hand's still without a tool
Drown into eyes while they're still blind
Love while the night still hides the withering dawn

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

NOSTALGIA

Quem se lembra?
Muito bom!
Para quem cresceu com Seattle no coração!







Só alguns exemplos, memórias de um tempo em que as ideologias nos faziam sentir imortais.
Que a memória perdure!!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FORESHADOW

Your eyes foreshadow my fall
Gliding across the abyss I spread a thousand eclipses
Between the verses of my misfortune
I argue with angels the theory of rebirth

Unfurling the wings of my desire
I fly away from the northern horizon
I sow a million blazing stars with one hand
With the other I reap a thousand sorrows

I blossom in denial, the snow buries me deep
Upon my grave I forsee the future ahead
And with a bouquet of dead roses
I wither with the wind, whispering my fate into oblivion ears.

Bruno:Carvalho
2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

WHISHES

Wishes fly high like fireflies in a crimson night sky
In every breath I'm allowed to dream
High hopes from a fragile dream
I stand my ground, firm as a rock, strong as a belief
Fragments of echoes of blissful voices echo in my head
The bells toll for a new morning, a requiem for my new beginning
And all of this because of you.

For you my dear, because you deserve everything!

ANATHEMA

"Thin Air"

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...