sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

VERTIGEM

Envolve-nos o turbilhão, somos um emaranhado de braços e pernas, somos um corpo fundido na vertigem da passagem da noite, estamos escorridos no vidro que nos separa da fria madrugada.
E aceleramos, vamos cada vez mais depressa, começa-nos a faltar o discernimento para coordenar todos os movimentos, ofegantes e embriagados pela paixão, gritamos que nem loucos à beira do precipício, vamos desvairados, devoramos-nos, nus, nós, unos...
A vertigem abranda quando afundo os meus lábios no calor do teu sexo, a minha língua liberta depois de anos aprisionada, as minhas mãos rasgam com carícias o interior das tuas coxas, depois vem de novo a vertigem e tudo recomeça, ao som do bater do coração que tal como um tambor de guerra marca o ritmo para o desenlace.
Mordes-me o peito enquanto eu aflito de ânsia me enterro em ti, para logo depois renascer de novo numa explosão de êxtase.
Abate-se sobre nós um estranho silêncio, o silêncio antes da tempestade, ofegantes e ébrios pelo amor adormecemos cansados, embalados pela velocidade do sonho somos já incapazes de ouvir o ribombar do trovão, e o flash do relâmpago que penetrou na escuridão do nosso quarto.
É esta vertigem que nos define, que nos faz ir cada vez mais depressa, libertos do medo não podemos deixar de ser completamente felizes.

Bruno:Carvalho
2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

IMPERFEITO

Aqui continuamos nós a sonhar a vida perfeita que não existe, aqui andamos nós, de mentira em mentira, de ilusão em ilusão, tentando em vão preencher o vazio com novos vazios, inconscientes de quem somos, do que queremos ser, ignorantes...
A vida passa friamente célere desprezando a nossa pouca ambição de viver.
Agarro-me à minha imperfeição porque assim sei que sou eu, olho-me no mesmo espelho partido porque sei que aquele rosto estilhaçado é o meu.
Não me conheço apesar de olhar no tal espelho, arrasto-me na multidão tentando ser normal, tento camuflar-me no sistema, só para fazer de conta que pertenço a alguma coisa.
Porque amamos? Do que nos vale?
Não passa tudo de um jogo de espelhos, luzes que mudam constantemente, num minuto julgamos amar uma pessoa, no outro apercebemos-nos que simplesmente estamos a tapar um vazio que nunca mais poderá ser tapado.
Foi mais um momento que passou e quando passa não existe caminho de retorno, fica apenas só mais uma impressão na nossa memória, um espinho cravado na nossa garganta que dói quando pronunciamos a palavra Amor...
Julgo-me fiel, quando a minha fidelidade está perdida lá longe no passado, na escuridão, amo uma memória, consciente de tudo isso apenas desejo a solidão. É um castigo, um castigo merecido para quem rasga assim a alma de uma pessoa...
E eu sou isto, um punhado de pó, um sinal ferrugento que não merece ser pintado de novo, um proscrito, infiel, egoísta, desmoronado, inquieto, nu... Vazio...
As minhas mentiras sufocam-me, torno-me receptáculo de dor, pois quero que ela apague qualquer recordação do amor, não quero! Não preciso! Que se afaste!
Que me deixe a carpir lágrimas daquilo que julgava ser mas que nunca poderei ser, que me deixe despido na frieza do desespero...
Pois a noite por aqui há muito que caiu, o sol não voltou a nascer, e os meus olhos habituaram-se à escuridão.
Que se afastem de mim os que ambicionam paz pois por aqui só encontraram guerra, uma guerra interna que me há-de consumir para sempre!
Parto.
Parto vazio como cheguei, amargo, velho, cansado...
Parto despojado de olhar, com a cicatriz de um beijo e uma alucinação de algo que alguns haviam chamado Amor, mas que eu apenas conheço por dor...

Bruno:Carvalho
2011


domingo, 20 de fevereiro de 2011

VOLTA

De volta a Norte com a alma renovada e o coração a bater mais depressa!!

ANATHEMA
"Temporary Peace"

Deep inside the silence
staring out upon the sea
the waves are washing over
half forgotten memory

Deep within the moment
laughter floats upon the breeze
rising and falling dying down within me
and I swear I never knew, I never knew how it could be
and all this time all I had inside was what i
couldn't see
I swear I never knew, I never knew
how it couldn't be
all the waves are
washing over all that hurts inside of me

Beyond this beautiful horizon
lies a dream for you and i
this tranquil scene is
still unbroken by the
rumours in the sky
but there's a storm
closing in voices
crying on the wind
the serenade is growing
colder breaks my soul
that tries to sing
and there's so many many
thoughts
when I try to go to sleep
but with you I start to feel
a sort of temporary peace
there's a drift in and out





sábado, 12 de fevereiro de 2011

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny



Autor(a): Raquel Monteiro Mendes

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ALFAZEMA

E ali estava ela, na banca de jornais com a sua blusa justa de um branco imaculado semi-transparente que deixava transparecer o preto do seu soutien, a sua silhueta era exactamente aquela que julgava lembrar-se não sabia bem de onde.
Um sorriso abriu-se quando se aproximou, ele manteve a sua postura de burocrata sério, sisudo e educadamente pediu o Jornal de Economia, deu-lhe o dinheiro e tentou prolongar um pouco o toque mas sem dar muito nas vistas, o seu rosto continuou impávido, mas o sorriso dela aumentou de intensidade. Será que ela notou alguma coisa? Embaraçado disse um repentino obrigado quando ela lhe devolveu o troco, virou costas e entrou no grande edifício de escritórios onde trabalhava há já 15 anos.
Demasiado tempo. Ultimamente não sabia o que se passava com ele, talvez o incidente o tenha transformado, talvez o tiro lhe tenha trazido mais de que um coma profundo e dois anos sem memórias. Mas a memória daquela simples rapariga que antes de tudo acontecer era a empregada de limpeza do seu escritório a mesma que ele gozou várias vezes com os seus tão másculos companheiros, de um patinho feio havia nascido um lindo cisne, aquela rapariga parecia-lhe agora bastante familiar, não o sentia simplesmente na cabeça, mas em toda a sua pele, como se no par de anos do seu apagão humano ela tivesse estado presente.
Era um disparate claro, não sabia sequer o seu nome, disso ele lembrava-se perfeitamente, nunca para ela havia falado, no entanto aquela sensação de inquietude não parecia desaparecer, parece que ao olhar para aqueles olhos se apercebia de tudo o que tinha perdido, não era um sensação incómoda, simplesmente uma sensação nova.
Nessa noite deitou-se algo ansioso, deu voltas e voltas na cama demasiado grande para uma pessoa só, no seu espaçoso apartamento parecia que se moviam sombras conhecidas, como se o coma estivesse de volta, só que desta vez parecia tomá-lo de olhos abertos e pleno de consciência. Sentou-se na cama e abriu a gaveta da mesinha de cabeceira, dela retirou um lenço amarelo de linho, a primeira coisa que havia encontrado junto à sua almofada naquele quarto frio de hospital onde havia passado dois anos na penumbra e na letargia de uma existência vegetativa.
Acordara confuso, não consegui estabelecer qualquer ligação entre ele e aquele simples lenço amarelo, nele ainda restava um ténue perfume a alfazema, a primeira coisa que fez ao regressar à vida fora apreender aquele odor maravilhoso e tinha-o feito como se fosse a primeira vez.
Aquele lenço não fazia de forma alguma o estilo da sua ex-mulher, não, era demasiado simples para a sofisticada Selene, o pensamento nela fez-lo desejar adormecer de novo.
Acordou na manhã seguinte com um sentimento de ressaca, mas não era uma ressaca alcoólica, era uma outra que ele não conseguia explicar, doía-lhe a cabeça, metade pela falta de descanso a outra metade pela força para se lembrar o que significava aquele lenço...
Tomou os cereais, vestiu o fato e a gravata, agarrou a pasta e saiu para mais um dia, porém aquele dia não parecia ser um dia qualquer, enquanto caminhava para o carro essa sensação parecia não o abandonar.
Tomou café na pastelaria habitual, saiu de novo para comprar o jornal como era seu hábito antes de mergulhar no mar de processos que se acumulavam na sua secretária, ao virar da esquina e ao vê-la de novo ficou tonto e encostou-se à parede, parecia que uma rajada de vento o impelia para trás, no entanto o tempo estava sereno e solarengo, desse dia ela trazia uma blusa preta, o sorriso continuava lá, contagiante, quente, familiar, mas o que vez cambalear fora o lenço amarelo que prendia os seus cabelos negros, sobre o seu rosto um pequeno fio de caracóis caia-lhe sobre o olho esquerdo, sentiu-se ofegante e trémulo. Que raio se passa? Murmurou entre dentes.
Tentou caminhar o mais confiante e sereno possível na direcção da banca, ela viu-o aproximar e sorrindo deu-lhes os bons dias tratando-o pelo nome, mas como sabia ela o seu nome? Era uma desconhecida, nunca havia trocado mais de duas ou três palavras com ela.
Tocou no lenço que jazia no bolso das suas calças, de repente o mesmo cheiro a alfazema subiu-lhe ao olfacto, era demasiado forte para vir do seu lenço... Parou estarrecido enquanto uma súbita onda de prazer tomou conta do seu corpo ainda trémulo.
Nesse dia pediu-lhe mais que o jornal habitual, algo o fez formular um convite para café, naquele dia, depois de almoço, a leveza e a naturalidade como ela aceitou o convite deixou-o ainda mais longe de si, parecia noutro mundo, paralelo.
Entrou no escritório algo confuso e desconfortável, tudo parecia em silêncio apesar das pessoas quase gritarem aos seus ouvidos.
O almoço chegou, pouco comeu, sentia-se ansioso como fosse ainda um adolescente e não um homem já com uma trintena de anos. Caminhou acelereradamente para o local do encontro, de certa forma quase desejava que ela não aparecesse, algo estava demasiado errado com ele, ele não se lembrava assim, lembrava-se frio e calculista, demasiado apegado ao seu status e à sua conta bancária para sequer se dar ao trabalho de olhar para qualquer outra pessoa, o mundo era ele, era o centro, que se passava?
Marcara um local inconscientemente, foi o primeiro que lhe veio à cabeça quando estava demasiado enfeitiçado pelo sorriso dela e por aquele insistente aroma a alfazema, agora quando chegou e se sentou na esplanada à beira lago, aquilo tudo parecia-lhe estranhamente familiar, uma sensação de dejá-vu inundou-o, pareceu que se deslocava noutra velocidade que o resto das pessoas, um flash, uma memória, vieram-lhe sons de risos aos ouvidos, a mão pareceu ser tocada, mas não havia ninguém à volta...
Ela apareceu com vestida com a mesma blusa negra, com os três primeiros botões desabotoados salientando-lhe os seios, entre as suas pernas o seu sexo endureceu, tentou descontrair-se para não cair no embaraço, o mesmo lenço amarelo encontrava-se agora à volta do seu pescoço contrastava com a alvura da sua pele pálida como uma planície coberta de neve, os seus caracóis negros flutuavam na leve brisa, os óculos que agora trazia pareciam realçar o verde dos seus olhos.
Sentou-se serenamente e deu-lhe um beijo na face, tão naturalmente como se conhecessem há muitos anos, outro flash, outra memória, conhecia aquele beijo e quando ela o beijou nos lábios reconheceu o seu sabor, neste momento entrou em pânico, incrédulo foi incapaz de formular qualquer palavra que fosse, foi sendo invadido por uma enxurrada de memórias, primeiro começou como uma pequena sensação de comichão na sua cicatriz, depois foi subindo até ao seu coração, este acelerou passando das 50 batidas às 100 num piscar de olhos, embriagado pelo prazer e por algo mais que ainda não conseguia saber o que era pegou-lhe na face e beijou-a profundamente.
Nesse momento tudo passou a fazer sentido, estava num sonho que sabia ter sido a sua vida antes da sua quase morte.
Levou-a para o seu apartamento e enquanto desenfreadamente tiravam as roupas um ao outro, as peças que faltavam ao puzzle foram sendo colocadas no lugar, conhecia aquele corpo, conhecia a doçura daqueles seios, conhecia o quente que habitavam entre as pernas dela, conhecia a imagem que estava reflectida no seu olhar, reconhecia o nome que ela no meio do prazer sussurrava ao seu ouvido, penetrou-a gentilmente, os corpos foram fluindo numa dança que ele sabia agora já ter dançado, atingiram o clímax ao fim de quase uma hora, juntos, unos, como tinha sido antes do eclipse da sua alma.
Adormeceu sereno nos braços dela. No silêncio simplesmente interrompido pela pacifica respiração  e pelo bater compassado do seu coração finalmente o pano que escondia o palco que tinha sido a sua vida foi descerrado.
Lembrou-se do café do lago, lembrou-se de caminhar de mãos dadas com ela, enquanto a brisa fresca daquela noite de verão os inundava, lembrou-se das suas palavras, entre elas recordou principalmente felicidade e amor. Lembrou-se também do tom cruel de um disparo, a sua cicatriz doeu de novo, lembrou-se de cair na relva molhada pela orvalhada da noite, lembrou-se que o seu sangue se misturava com as calmas águas do lago e lembrou-se acima de tudo do beijo, do último beijo, misturado com o sabor férreo do seu sangue estava um doce trago a mel, lembrou-se do cheiro a alfazema e lembrou-se da escuridão que o envolveu.
As lembranças que tivera tido ao longo daqueles dois anos de coma e que julgava serem resultado de um qualquer estado pós vida fizeram sentido, as palavras murmuradas como se do fundo de um poço saíssem, os toques na sua mão e no seu rosto, o monótono apitar das máquinas que o prendiam por um fio à vida, estas últimas lembranças fizeram-no apertar-se ainda mais contra o peito dela...
De repente a monotonia do bip bip, transformou-se na cacofonia de um longo bip, a ele vieram vozes aflitas, sentiu-se afundar por fim no abismo que há muito o seduzia a deixar-se cair, pensou: finalmente a paz... De repente um puxão tirou-o de vez do lamaçal, acordou ofegante e deu um grito de liberdade, o tecto branco do quarto de hospital fê-lo semicerrar os olhos, a primeira coisa que sentiu foi um toque suave a seda na sua mão e um cheiro intenso a alfazema.
Vida!!!
Aquele nome pulsou na sua boca seca e deixou nele não uma nova cicatriz mas antes uma pequena tatuagem para sempre desenhada no seu corpo.
Finalmente Vida havia vindo resgatá-lo.

Bruno:Carvalho
2010

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

GRAVIDADE

A realidade surge-me desfasada, irregular, como se dela faltassem cenas, um filme incompleto jamais acabado pelo realizador.
Sinto-me sofucado, bato constantemente nas paredes afuniladas da minha prisão como se mil uma mãos invisíveis me empurrassem ininterruptamente contra elas, sinto-me desfazer na poeira, levado por um vento atroz sou soprado às cegas pela vastidão de um mundo que me parece cada vez mais ténue.
Afogado em lembranças e feridas mal curadas, deixo-me arrastar para o fundo, impotente sinto-me cair no lamaçal emocional que se tornou a minha quase não vida.
Porém nem toda a luz foi ainda perdida, deitado no chão vejo uma fresta de aberta, um raio de luz que tenta quebrar a escuridão, vejo uns olhos, os teus, a espreitar pela janela e eu arrasto-me cá dentro para me aproximar de ti, mas as correntes de aço frio teimam em prender-me, correntes disfarçadas de falta de coragem e ambição, falta de alegria e esperança de recuperar a vida de novo.
Foi a primeira tentativa e o primeiro arrependimento, enquanto me forçava a raciocinar lembrei-me dos teus lábios do teu cabelo, do teu cheiro, do teu amor, dei finalmente um passo corajoso, o arrependimento surgiu em forma de vómito e eu deitei tudo para fora, não, ainda não é a hora de partir.
Agarro-me a ti para me suspender acima do abismo, luto com todas as forças para vencer a gravidade, para quebrar todas as leis da natureza, porque sei que o teu espaço na cama será um dia ocupado, pelo teu corpo de ninfa que aprendi a amar.

Bruno:Carvalho
2011


 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

HEARTBOOK

No meu último texto aflorei ao de leve a questão de estarmos cada vez mais a digitalizar os nossos sentimentos, processamos-los em bits, em informação, para o mundo consumir, como se o mundo tivesse o direito de nos consumir.
Falei em redes sociais em geral, mas falarei do Facebook em concreto, pois ontem dei por mim a pensar qual a minha necessidade de ter uma página do Facebook e cheguei à conclusão que não existe necessidade e nem sequer prazer em ter, senão vejamos, as pessoas que me contactam via Facebook contactam-me pessoalmente ou através doutra forma de comunicação, temos uma página que diz tanto de nós como diz tão pouco, tentamos entrar à força num mundo desconhecido, para que nos valorizem, por atenção, por 15 minutos de fama, para quê?
Ao fim de um minuto, uma nova actualização e mil e uma coisas novas aparecem, o que ficou para trás, para trás ficará.
Podemos que o Facebook ajuda causas dispersa-as mais facilmente, não lhe tiro o mérito por isso, é de facto verdade, mas quando clicamos (clicar existe?) numa causa fazêmo-lo no conforto da nossa cadeira, as causas defendem-se no terreno e apoiam-se com calor humano, esforço, dedicação, sangue se for preciso, podemos apoiar mil causas no Facebook, mas quantas apoiamos verdadeiramente?
O que gostamos ou não parece chegar ao sabor do botão "gosto", como se o que é porreiro fosse o que a maioria gosta, nem o é pela maioria nem pela minoria, é-lo por nós, individualmente, precisamos que nos digam o que gostamos?
Acho que o grande avanço actualmente na nossa civilização não seria tecnológico, mas humano, palpável, orgânico, precisávamos de criar o Heartbook, pois como o povo sábiamente diz, quem vê caras não vê corações, precisamos de suar e sangrar mais, por amor, precisamos de amor e não de cliques em gosto ou não gosto, precisamos de abraços e beijos e não de comentários frios digitados num teclado amorfo.
Porquê fugir de um sentimento que nos faz sentir tão bem? Qualquer que ele seja.
Deixemos para trás os contos de fada de mentiras, as palmadinhas nas costas virtuais (ainda mais despreziveis que as verdadeiras), deixemos os teclados e procuremos mãos, braços, rostos, lábios, sorrisos...
Quem precisar de mim sabe onde me encontrar.

Bruno:Carvalho
2011

DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...