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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2011

VERTIGEM

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Envolve-nos o turbilhão, somos um emaranhado de braços e pernas, somos um corpo fundido na vertigem da passagem da noite, estamos escorridos no vidro que nos separa da fria madrugada. E aceleramos, vamos cada vez mais depressa, começa-nos a faltar o discernimento para coordenar todos os movimentos, ofegantes e embriagados pela paixão, gritamos que nem loucos à beira do precipício, vamos desvairados, devoramos-nos, nus, nós, unos... A vertigem abranda quando afundo os meus lábios no calor do teu sexo, a minha língua liberta depois de anos aprisionada, as minhas mãos rasgam com carícias o interior das tuas coxas, depois vem de novo a vertigem e tudo recomeça, ao som do bater do coração que tal como um tambor de guerra marca o ritmo para o desenlace. Mordes-me o peito enquanto eu aflito de ânsia me enterro em ti, para logo depois renascer de novo numa explosão de êxtase. Abate-se sobre nós um estranho silêncio, o silêncio antes da tempestade, ofegantes e ébrios pelo amor adormecemos cansados…

IMPERFEITO

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Aqui continuamos nós a sonhar a vida perfeita que não existe, aqui andamos nós, de mentira em mentira, de ilusão em ilusão, tentando em vão preencher o vazio com novos vazios, inconscientes de quem somos, do que queremos ser, ignorantes... A vida passa friamente célere desprezando a nossa pouca ambição de viver. Agarro-me à minha imperfeição porque assim sei que sou eu, olho-me no mesmo espelho partido porque sei que aquele rosto estilhaçado é o meu. Não me conheço apesar de olhar no tal espelho, arrasto-me na multidão tentando ser normal, tento camuflar-me no sistema, só para fazer de conta que pertenço a alguma coisa. Porque amamos? Do que nos vale? Não passa tudo de um jogo de espelhos, luzes que mudam constantemente, num minuto julgamos amar uma pessoa, no outro apercebemos-nos que simplesmente estamos a tapar um vazio que nunca mais poderá ser tapado. Foi mais um momento que passou e quando passa não existe caminho de retorno, fica apenas só mais uma impressão na nossa memória, um espi…

VOLTA

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De volta a Norte com a alma renovada e o coração a bater mais depressa!!
ANATHEMA "Temporary Peace"
Deep inside the silence staring out upon the sea the waves are washing over half forgotten memory
Deep within the moment laughter floats upon the breeze rising and falling dying down within me and I swear I never knew, I never knew how it could be and all this time all I had inside was what i couldn't see I swear I never knew, I never knew how it couldn't be all the waves are washing over all that hurts inside of me
Beyond this beautiful horizon lies a dream for you and i this tranquil scene is still unbroken by the rumours in the sky but there's a storm closing in voices crying on the wind the serenade is growing colder breaks my soul that tries to sing and there's so many many thoughts when I try to go to sleep but with you I start to feel a sort of temporary peace there's a drift in and out




Em todas as ruas te encontro

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Em todas as ruas te encontro Em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto, tão perto, tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny


Autor(a): Raquel Monteiro Mendes
http://olhares.aeiou.pt/kellitamm

ALFAZEMA

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E ali estava ela, na banca de jornais com a sua blusa justa de um branco imaculado semi-transparente que deixava transparecer o preto do seu soutien, a sua silhueta era exactamente aquela que julgava lembrar-se não sabia bem de onde. Um sorriso abriu-se quando se aproximou, ele manteve a sua postura de burocrata sério, sisudo e educadamente pediu o Jornal de Economia, deu-lhe o dinheiro e tentou prolongar um pouco o toque mas sem dar muito nas vistas, o seu rosto continuou impávido, mas o sorriso dela aumentou de intensidade. Será que ela notou alguma coisa? Embaraçado disse um repentino obrigado quando ela lhe devolveu o troco, virou costas e entrou no grande edifício de escritórios onde trabalhava há já 15 anos. Demasiado tempo. Ultimamente não sabia o que se passava com ele, talvez o incidente o tenha transformado, talvez o tiro lhe tenha trazido mais de que um coma profundo e dois anos sem memórias. Mas a memória daquela simples rapariga que antes de tudo acontecer era a empregada d…

GRAVIDADE

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A realidade surge-me desfasada, irregular, como se dela faltassem cenas, um filme incompleto jamais acabado pelo realizador. Sinto-me sofucado, bato constantemente nas paredes afuniladas da minha prisão como se mil uma mãos invisíveis me empurrassem ininterruptamente contra elas, sinto-me desfazer na poeira, levado por um vento atroz sou soprado às cegas pela vastidão de um mundo que me parece cada vez mais ténue. Afogado em lembranças e feridas mal curadas, deixo-me arrastar para o fundo, impotente sinto-me cair no lamaçal emocional que se tornou a minha quase não vida. Porém nem toda a luz foi ainda perdida, deitado no chão vejo uma fresta de aberta, um raio de luz que tenta quebrar a escuridão, vejo uns olhos, os teus, a espreitar pela janela e eu arrasto-me cá dentro para me aproximar de ti, mas as correntes de aço frio teimam em prender-me, correntes disfarçadas de falta de coragem e ambição, falta de alegria e esperança de recuperar a vida de novo. Foi a primeira tentativa e o prime…

STARLIGHT

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For you My shinning star Love you!

HEARTBOOK

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No meu último texto aflorei ao de leve a questão de estarmos cada vez mais a digitalizar os nossos sentimentos, processamos-los em bits, em informação, para o mundo consumir, como se o mundo tivesse o direito de nos consumir. Falei em redes sociais em geral, mas falarei do Facebook em concreto, pois ontem dei por mim a pensar qual a minha necessidade de ter uma página do Facebook e cheguei à conclusão que não existe necessidade e nem sequer prazer em ter, senão vejamos, as pessoas que me contactam via Facebook contactam-me pessoalmente ou através doutra forma de comunicação, temos uma página que diz tanto de nós como diz tão pouco, tentamos entrar à força num mundo desconhecido, para que nos valorizem, por atenção, por 15 minutos de fama, para quê? Ao fim de um minuto, uma nova actualização e mil e uma coisas novas aparecem, o que ficou para trás, para trás ficará. Podemos que o Facebook ajuda causas dispersa-as mais facilmente, não lhe tiro o mérito por isso, é de facto verdade, mas qua…