segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

GRAVIDADE

A realidade surge-me desfasada, irregular, como se dela faltassem cenas, um filme incompleto jamais acabado pelo realizador.
Sinto-me sofucado, bato constantemente nas paredes afuniladas da minha prisão como se mil uma mãos invisíveis me empurrassem ininterruptamente contra elas, sinto-me desfazer na poeira, levado por um vento atroz sou soprado às cegas pela vastidão de um mundo que me parece cada vez mais ténue.
Afogado em lembranças e feridas mal curadas, deixo-me arrastar para o fundo, impotente sinto-me cair no lamaçal emocional que se tornou a minha quase não vida.
Porém nem toda a luz foi ainda perdida, deitado no chão vejo uma fresta de aberta, um raio de luz que tenta quebrar a escuridão, vejo uns olhos, os teus, a espreitar pela janela e eu arrasto-me cá dentro para me aproximar de ti, mas as correntes de aço frio teimam em prender-me, correntes disfarçadas de falta de coragem e ambição, falta de alegria e esperança de recuperar a vida de novo.
Foi a primeira tentativa e o primeiro arrependimento, enquanto me forçava a raciocinar lembrei-me dos teus lábios do teu cabelo, do teu cheiro, do teu amor, dei finalmente um passo corajoso, o arrependimento surgiu em forma de vómito e eu deitei tudo para fora, não, ainda não é a hora de partir.
Agarro-me a ti para me suspender acima do abismo, luto com todas as forças para vencer a gravidade, para quebrar todas as leis da natureza, porque sei que o teu espaço na cama será um dia ocupado, pelo teu corpo de ninfa que aprendi a amar.

Bruno:Carvalho
2011


 

1 comentário:

Indy disse...

Nunca o conseguiria descrever tão bem...

Dou-te os Parabéns também!! :) Continua a encantar-nos com as tuas palavras, palavras com alma!
:)

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