terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

HEARTBOOK

No meu último texto aflorei ao de leve a questão de estarmos cada vez mais a digitalizar os nossos sentimentos, processamos-los em bits, em informação, para o mundo consumir, como se o mundo tivesse o direito de nos consumir.
Falei em redes sociais em geral, mas falarei do Facebook em concreto, pois ontem dei por mim a pensar qual a minha necessidade de ter uma página do Facebook e cheguei à conclusão que não existe necessidade e nem sequer prazer em ter, senão vejamos, as pessoas que me contactam via Facebook contactam-me pessoalmente ou através doutra forma de comunicação, temos uma página que diz tanto de nós como diz tão pouco, tentamos entrar à força num mundo desconhecido, para que nos valorizem, por atenção, por 15 minutos de fama, para quê?
Ao fim de um minuto, uma nova actualização e mil e uma coisas novas aparecem, o que ficou para trás, para trás ficará.
Podemos que o Facebook ajuda causas dispersa-as mais facilmente, não lhe tiro o mérito por isso, é de facto verdade, mas quando clicamos (clicar existe?) numa causa fazêmo-lo no conforto da nossa cadeira, as causas defendem-se no terreno e apoiam-se com calor humano, esforço, dedicação, sangue se for preciso, podemos apoiar mil causas no Facebook, mas quantas apoiamos verdadeiramente?
O que gostamos ou não parece chegar ao sabor do botão "gosto", como se o que é porreiro fosse o que a maioria gosta, nem o é pela maioria nem pela minoria, é-lo por nós, individualmente, precisamos que nos digam o que gostamos?
Acho que o grande avanço actualmente na nossa civilização não seria tecnológico, mas humano, palpável, orgânico, precisávamos de criar o Heartbook, pois como o povo sábiamente diz, quem vê caras não vê corações, precisamos de suar e sangrar mais, por amor, precisamos de amor e não de cliques em gosto ou não gosto, precisamos de abraços e beijos e não de comentários frios digitados num teclado amorfo.
Porquê fugir de um sentimento que nos faz sentir tão bem? Qualquer que ele seja.
Deixemos para trás os contos de fada de mentiras, as palmadinhas nas costas virtuais (ainda mais despreziveis que as verdadeiras), deixemos os teclados e procuremos mãos, braços, rostos, lábios, sorrisos...
Quem precisar de mim sabe onde me encontrar.

Bruno:Carvalho
2011

1 comentário:

Araúja Kodomo disse...

Completamente de acordo contigo... *

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