VERTIGEM

Envolve-nos o turbilhão, somos um emaranhado de braços e pernas, somos um corpo fundido na vertigem da passagem da noite, estamos escorridos no vidro que nos separa da fria madrugada.
E aceleramos, vamos cada vez mais depressa, começa-nos a faltar o discernimento para coordenar todos os movimentos, ofegantes e embriagados pela paixão, gritamos que nem loucos à beira do precipício, vamos desvairados, devoramos-nos, nus, nós, unos...
A vertigem abranda quando afundo os meus lábios no calor do teu sexo, a minha língua liberta depois de anos aprisionada, as minhas mãos rasgam com carícias o interior das tuas coxas, depois vem de novo a vertigem e tudo recomeça, ao som do bater do coração que tal como um tambor de guerra marca o ritmo para o desenlace.
Mordes-me o peito enquanto eu aflito de ânsia me enterro em ti, para logo depois renascer de novo numa explosão de êxtase.
Abate-se sobre nós um estranho silêncio, o silêncio antes da tempestade, ofegantes e ébrios pelo amor adormecemos cansados, embalados pela velocidade do sonho somos já incapazes de ouvir o ribombar do trovão, e o flash do relâmpago que penetrou na escuridão do nosso quarto.
É esta vertigem que nos define, que nos faz ir cada vez mais depressa, libertos do medo não podemos deixar de ser completamente felizes.

Bruno:Carvalho
2011

Comentários

Narcolepsia disse…
Completamente felizes :) what else?!
E cada vez mais :)
As tuas palavras desenham momentos de felicidade e imortalizam-nos.

"E é amar-te assim perdidamente..."

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