quarta-feira, 30 de março de 2011

"VOZ NUMA PEDRA"

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal

Mário Cesariny



domingo, 27 de março de 2011

AMOR

Ó horror metafísico de ti!
Sentido pelo instinto, não na mente!
Vil metafísica do horror da carne,
Medo do amor...

Entre o teu corpo e o meu desejo dele
'Stá o abismo de seres consciente;
Pudesse-te eu amar sem que existisses
E possuir-te sem que ali estivesses!

Ah, que hábito recluso de pensar
Tão desterra o animal que ousar não ouso
O que a [besta mais vil] do mundo vil
Obra por maquinismo.

Tanto fechei à chave, aos olhos de outros,
Quanto em mim é instinto, que não sei
Com que gestos ou modos revelar
Um só instinto meu a olhos que olhem ..

Fernando Pessoa

De todo sangue nenhum sangue me resta, de nenhuma morte vida se ergue, da bastarda razão de ter uma coração ergo-me infértil de emoções, pois amar é temer a perda, amar é reconhecer a dor pelo seu verdadeiro nome, um heterónimo do paixão, essa mesmo fugaz e cruel, essa mesma pautada por ausência, sinto-te completa aqui comigo, por isso acredito estar além da promessa de perdição da paixão.
Este amor que me preenche é toda a certeza de que apesar de tudo o quanto fiz mal nada foi suficiente para que desistisses de mim.
Por isso renovo aqui os meus votos de amor por ti, poderá não ser eterno, mas é o sentimento mais certo que já tive até hoje.
Da incerteza fiz certeza perene, certeza feroz de querer ser mais do que jamais fui até agora.
O pouco sangue que me resta és tu, a vida que me corre nas veias, o impulso que ainda faz o meu coração bater.

Bruno:Carvalho
2011

(Este texto não segue as regras do novo acordo ortográfico por opção do autor)






terça-feira, 22 de março de 2011

NADA

Esta noite nada sou, nada quero, nada sinto.
A dormência invadiu-me sorrateira entre a décima sétima e a décima oitava hora de mais este dia, mais um, vivi mais um.
O vento sopra lá fora suspirando pelos cantos o teu nome, cá dentro fechado dentro da melodia que tomou de assalto o meu cérebro fico estarrecido pela minha pequenez, pela minha insignificaância.
O céu ameaça chuva, esta noite não verei a lua, esta noite sou meramente uma peça perdida de um puzzle sem solução, talvez seja isto aquilo que alguém escreveu com tinta invisível nas páginas da minha, talvez seja isto que mereça, hibernar na solidão, embalado pelo uivo do vento lá fora e pela aspereza do silêncio cá dentro.
E de mil e uma maneiras diferentes te poderia pedir desculpa, mas no entanto nem uma apenas parece capaz de fazer desaparecer toda a dor, todo o sofrimento que as minhas impensadas palavras causaram, nada acontece por acaso e talvez eu tenha de perder para aprender a amar, longe do meu egoísmo, longe das minhas ilusões, do meus sonhos por recompensa imediata.
A minha loucura cegou-me, o meu ego raptou-me, fez-me fugir da verdade, não posso agora mais do que admitir e viver com o que fiz.
Hoje sou nada, menos que nada, sou vazio, sou sofrimento, sou desilusão, sou a dor encarnada, a traição espelhada na máscara que cobre de vergonha o meu rosto.
Se calhar esta noite vou lá fora, ver a chuva, sentir a chuva, fazer com que se misture nas minhas lágrimas, pois hoje pouco mais importa, resta apenas recordar e esperar que possa viver o dia de amanhã, dia a dia, passo a passo, no fio da navalha caminho nas pontas dos dedos nunca sabendo para onde poderei cair.
Sou espantalho cabisbaixo fustigado pelo vento numa seara ardida, as minhas lágrimas fazem lama negra, a mesma onde definharei, para não mais me erguer.

Bruno:Carvalho
2011



(este texto não respeita o novo acordo ortográfico por opção do autor)

sábado, 19 de março de 2011

AMARELO

Viu-a ali, consumiu-a ali, ao longe, como se uma barreira invisível se tivesse erguido entre ambas. Um arrepio desceu-lhe pela espinha quando tocou ao de leve no seu braço esquerdo, tantas recordações... deuses, quantas memórias...
Baixou o olhar, não consegui olhar para aquele verde, aquele olhar de jade que se misturava no esmeralda do mar, tinha sido ali o primeiro beijo, ali mesmo, arrepiou-se de novo, um flash passou-lhe pela cabeça e deixou cair uma lágrima.
O seu cabelo rompia tímido sob o lenço amarelo que ela lhe tinha oferecido no último aniversário... Estava ali a sua metade, estava incompleta sempre tinha estado e agora sabia que estaria para sempre, não havia volta a dar, perdera a única razão de ser feliz, resignou-se mesmo quando os lábios dela ainda estavam colados no seus, quando os dedos dela ainda rasgavam lembranças de prazer na sua pele, fora livre, uma vez, uma vez apenas, demasiado risco, demasiada loucura para arrastar rio abaixo uma vida construída com tanto custo.
Desmoronou-se tudo, todas as suas crenças, tudo o que imaginava que era, afinal não se conhecia, não conhecia nem um porcento do seu corpo, só quando Beatriz a beijou pela primeira vez descobriu o quanto podia ser feliz, mas nada disso importava agora, estava ali, onde havia escolhido estar, olhou-a uma última vez antes de fechar o vidro do carro, enquanto o namorado entrava do carro e lhe dava um beijo que parecia de gelo no rosto, viu a sua vida esfumar-se, tão perto e agora para sempre longe, pôs o carro em andamento e passou por Beatriz que com o sorriso gracioso que aprendera a amar, beijava de novo com paixão um rosto diferente, não o seu, agora banhado por lágrimas de um arrependimento tão seu, um reconhecimento do que podia ter sido e nunca será, poderia viver assim?
Condenada a um desterro emocional saberia a resposta a isso no dia do seu nonagésimo aniversário quando fitou pela última vez o tecto frio do seu quarto de hospital, dos seus olhos correu uma última lágrima, colado no seu último suspiro planava Beatriz com o seu lenço amarelo que sorria sentada à beira mar...

Bruno:Carvalho
2011


segunda-feira, 14 de março de 2011

LUNAR

Malditos dias solarengos, se há-de sempre ser assim ao menos que não nos acenem com melancólicos dias de chuva, que raio de mau gosto, fazem-no como se burros nos tratássemos atrás das cenouras que neste caso são os tais dias de Inverno ou Outono.
Livra! Que nos deixem sossegados na noite eterna, que nos deixem sossegados à luz lunar, por mais pálida ou inconsequente que seja, deixem-nos carpir, chorar como fossemos feitos de lágrimas.
Se haverá para sempre sol e calor, que haja também noite, que nos lembre a chuva e o cheiro que ela deixa na terra seca.
Não podemos ser, dizem-nos ao ouvido, não podemos existir insistem, como se donos de tudo fossem, como se criadores da vida fossem, detesto-os, conspurcaram o mundo, o nosso mundo paralelo sustentado num ténue fio de perfume, o perfume dos versos, o aroma das cantorias.
Sim, podemos ser, nem que sejamos apenas a sombra do seu arrependimento, ou ruínas corroídas pelo tempo. Deixem-nos sonhar com dias de chuva, mesmo que nos convençam que são apenas mau tempo, tempo horrível, como a tia que passa todos os dias à frente da minha tasca e olha para dentro com desnorte e nojo.
Lá vai ela toda embaladinha naqueles vestidos rosa choque, unhas arranjadas e cabelo oxigenado, com as sandálias a batuque no passeio vai para por ali abaixo rumo à areia, para torrar ao sol e dizer no outro dia às amigas que tem um escaldão maior do que o delas.
Digo por vezes à rapaziada que merecemos ser filhos da noite, vagabundos meio ébrios pela poesia, pobres boémios perdidos nos sonhos da vida que nunca será mais que realidade, vivemos de ilusão e por amor à chuva, à liberdade e à paixão.
Chamam-nos loucos como se loucos fossemos, se a loucura se define por amar e querer amar cada vez mais e amar tudo como pertencente a nós próprios, então sim, somos loucos, mas o que chamar aos mil e um corpos panados de areia que passam horas debaixo de um sol escaldante? A loucura já não é de certo o que era...
Tudo muda digo por vezes aos rapazes a seguir ao porto da praxe, antes de mais uma fuga, uma evasão da prisão do que querem nos fazer acreditar que é, mas não é, nós sabemos e provamos através do luar que há muito mais do que nos pretendem mostrar.

Bruno:Carvalho
2011

terça-feira, 8 de março de 2011

FA(R)DO

Passeava de noite, admirava os cabos adormecidos que uniam os postes, as luzes brilhavam, uma ou outra ali perto, fundia, ele passava sempre ali, ali onde a noite não era mais que o seu nome.
Por entre o fumo do cigarro seguro por entre os dedos meio molhados pela humidade, dizia versos soltos, murmurados ao silêncio, no jardim conhecia cada flor pelo seu nome, deu-lhes um nome, uma face, um sabor, a cada uma delas diferentes no entanto tão semelhantes deu o sabor de um beijo.
Nem sempre a noite era benevolente, às vezes chovia, outras a geada cobria as superfícies húmidas, noutras a neve cobria o cascalho do caminho, mas nem sequer uma noite ele falhava.
Recordou-se que precisava daquilo para viver, precisava de dizer aqueles adeus vagos a quem passava, precisava murmurar sozinho, perdido em divagações em monólogos distorcidos, a mente já não era sua, tentava a todo o custo segurar a alma, depois de a perder nada mais restaria e nada mais valeria a pena.
Ele sabia que os cabos dormiam de noite, não como pessoas, mas sim como fantasmas alerta, por isso ele passeava apenas à noite, de dia a claustrofobia do barulho, o caos dos olhares de esguelha, o odor cadavérico dos corpos, tudo o enojava, queriam enterrá-lo vivo, por isso de dia ele dormia, uma duas horas apenas, nunca mais que isso, nunca se permitia fechar os olhos por muito tempo, poderia não voltar a abri-los.
Nesse par de horas tudo acontecia dentro de si, os seus gritos meio emudecidos pela multidão assustavam quem passava, o corpo contorcia-se num espasmo eterno, parecia lutar com o invisível e nos seus ouvidos, estrondos ribombavam, um após outro, acordava sempre ofegante, sempre a tremer, sempre sozinho.
Pandora a pequena cachorra que achara no lixo era a sua única companhia, naquelas horas de semi-sono, deitava-se quieta e alerta a olhá-lo, velava, vigiava sem saber o quê...
Sim os cabos dormiam, sim senhora, estava louco nunca tinha dúvidas disso, via-o nos olhos de quem passava, nos da Dona Hortilia sublinhados com rimel, nos no padre Ortêncio carregados de falsa compaixão disfarçada de nojo, nos do pequeno Saúl, que gozava com ele todos os dias, no entanto havia um par de olhos que nunca soube ler o que diziam, apesar da sua sapiência, da sua cultura, dos milhões de versos que escrevera e lera, não conseguia ler aquele olhar, era maior que ele, que alguma coisa viva, os olhos do mimo que se imobilizava no meio do jardim eram os seus únicos aliados, nele por vezes parecia reconhecer alguma solidariedade, algum entendimento, mas era algo fugaz, algo que passava com o piscar dos seus olhos.
E ali ficava todas as noites, órfão de sentido, refém de uma guerra que nunca mais terminaria dentro de si, as pessoas passavam por ele sem o ver, apenas mais um que não valia a pena sequer salvar, enquanto cambaleava de cansaço com Pandora nos seus braços, acordava de vez em vez sobressaltado pelo bater das moedas no chapéu cinzento do mimo.
Os seus olhos pareciam agora e finalmente emanar algo, brilho talvez, um sorriso aflorou no seu rosto, assistir ao nascimento de uma estátua seria o epitáfio da sua desdita vida, era o fado que cantavam ao longe ele porém só sentiu o fardo do esquecimento abater-se sobre si.
Sim os cabos dormiam, mas a morte chegava bem acordada.

Bruno:Carvalho
2011

domingo, 6 de março de 2011

ALEGORIA AO TEMPO

Muito se fala do tempo, do que temos, do que não temos, do que ele tem ou nunca possuirá, falamos como se tivéssemos todo o tempo do mundo, como se ele fosse infinito e nós imortais.
Talvez seja infinito mesmo o tempo, mas no que à nossa pequena existência, pequena realidade diz respeito ele não é nem nunca foi infinito, o nosso problema é não ver o quanto ele pode ser breve, como a vida nos é tirada num segundo, um segundo apenas que julgávamos viver mais.
Apaga-se a vida e fica o vazio, com o tempo vai o amor e a dor, vai e vem a paixão e a glória de sonhar, sonhamos ser maior que o tempo quando escrevemos um poema, quando tiramos uma foto convencidos que o parámos, quando beijamos alguém e a abraçamos pensando que ela sempre estará ali.
O tempo apaga-nos, anula-nos, somos instantes inseridos na cadeia que não pode ser parada.
Por vezes ficamos inertes frente ao espelho a reflectir sobre o que o tempo poderá ou não reservar-nos, ficamos parados, adiando o que não pode ser adiado, porque não sabemos quanto tempo teremos, andamos cegos...
Basta dizer um amo-te, um quero-te, basta fazer uma viagem trilhando um caminho, seguindo as linhas, basta um abraço na paragem frente à estrada, basta qualquer coisa para vencer a inércia do tempo, e depois a viver o próximo segundo recordaremos felizes o anterior, pois vivemos mais um, sim isso mesmo VIVEMOS mesmo, muito diferente de sobreviver, muito diferente de desesperar.
Do tempo passado ficam os despojos do presente, a lamentação do que passou e não fizemos, por medo, por presunção de sermos imortais, ficam as roupas sujas, infectadas pela nossa preguiça, fica o silêncio pois uma palavra dita fora do momento certo perde significado.
E o silêncio é isso mesmo, uma alegoria do tempo, um aliado de peso que simplesmente julgamos controlar, do nosso silêncio nunca brotará o momento que deixámos passar, aquele que definiria a nossa vida, O MOMENTO, aquele que estaremos a recordar neste momento, a razão começou o genocídio da nossa humanidade, o tempo terminará o trabalho.
Golpe após golpe.
E o que poderemos fazer? Perguntarão...
Porque não começar a sermos nós próprios?
Enquanto lês isto quanta vezes pensaste na tua mortalidade? 
Não penses mais
Levanta-te, o tempo urge e a pessoa que luta contigo por um tempo vosso ainda não ouviu hoje o quanto a amas.
Amanhã poderá ser simplesmente tarde de mais!

Bruno:Carvalho
2011


sábado, 5 de março de 2011

ANGEL

TEARS OF PASSION
"Angel"

I'm looking straight in the mirror of truth
I am not immortal, I've lost my youth
Maybe I see the hell, maybe the paradise
But one thing I surely know, that my spirit will be rised

Angel I want to be with you, so tell me what can I do
Angel I want to be with you, so tell me what can I do

My soul starts to burst, I'm going insane
More than the dead I feel the blood in my veins
I know I'm gonna die, astral light is all I see
I'm still looking in the mirror, the Angel is me

Angel only you can see, you are the one, you set me free
Angel only you can see, you are the one, you set me free

I see the sadness in your eyes
My whole life was a disguise
At the funeral you won't be there
I will follow you everywhere

Angel I want to be with you, so tell me what can I do
(Angel)
Angel only you can see, you are the one, you set me free
(Angel)


terça-feira, 1 de março de 2011

PRESENCE

It's a simple mistake not to live the life we earned. Let's live eager to feel, eager to hold, not afraid at all to lose.
Let's leave a mark somewhere, leave a mark in someone. let's go be, just be ouselves.
Don't drag you down anymore, the ground do not deserve you, rise your head high, don't be afraid of the burning sun.
Let's go enjoy the sunlight, push play for your favourite music, just let it flow, let it grown inside you, doesn't the world seem different when you look upon him from within?
That's a hole in your soul, we all feel it, your tears are unmistakable evidences, I do know you, despite you never seen me.
So this words collide, let them form a new poem, a new beginning, let's just be free, dreaming an eternal life, even knowing how fragile it can be.
Just take a chance, a step in the dark, sometimes beneath the shadows lays the most pure and honest beauty.
Life can have many meanings, life can have only one, but in the end it's always our choice to be free, don't let the sky fall on you.
Now I'm sure my love, now I'm sure that you came and putted all the lost pieces together, now I'm complete.

Bruno:Carvalho
2011

ANATHEMA
"Presence/A Simple Mistake"

One has to come to terms with one's own mortality.
And you can't really help people who are having problems with mortality,
If you've got problems of your own.
So you have to begin to sort things out,
And I thought I had sorted things out until I saw this excerpt from this book,
Of certainty I shall remember what it said:
"Life is not the opposite of death. Death is the opposite of birth. Life is eternal."
And I thought that it's the most profound words I have ever heard about that issue and it really put me in peace.
(I felt it was a wonderful story.)
And that's it.

What else is there to say?
Heh.
Life is eternal.
Surely the opposite of life is not the death, but life is eternal.
There is no opposite.
And so, what happens is, I suppose,
(And isn't it a raging or outrageous)
State of pure consciousness, stillness and silence?

Yeah, what we are looking for now,
We are searching for and we have been searching for,
Now we've become closer it and now we know it's already there,
Is there for ever to seek,
It's there,
And it's going be there,
All the time,
Forevermore.

Only you can hear your life
Only you can heal inside

(Life is eternal...)
Think for yourself you know what you need in this life
see for yourself and feel your soul come alive tonight
here in moments we share, trembling between the worlds we stare
out at starlight enshrined, veiled like diamonds in..
...time could be the answer, take a chance, lose it all
it's a simple mistake to make to create love and to fall
so rise and be your master you don't need to be a slave
of memory ensnared in a web, in a cage
I've found my way to fly free from the constraints of time
I have soared through the sky seen life far below in mind
breathed in truth, love, serene, sailed on OCEANS OF BELIEF
searched and found life inside, we're not just a moment in time...
....could be the answer, take a chance lose it all
it's a simple mistake to make to create love and to fall
so rise and be your master you don't need to be a slave
of memory ensnared in a web, in a cage




DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...