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A mostrar mensagens de Março, 2011

"VOZ NUMA PEDRA"

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Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor …

AMOR

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Ó horror metafísico de ti! Sentido pelo instinto, não na mente! Vil metafísica do horror da carne, Medo do amor...
Entre o teu corpo e o meu desejo dele 'Stá o abismo de seres consciente; Pudesse-te eu amar sem que existisses E possuir-te sem que ali estivesses!
Ah, que hábito recluso de pensar Tão desterra o animal que ousar não ouso O que a [besta mais vil] do mundo vil Obra por maquinismo.
Tanto fechei à chave, aos olhos de outros, Quanto em mim é instinto, que não sei Com que gestos ou modos revelar Um só instinto meu a olhos que olhem ..
Fernando Pessoa
De todo sangue nenhum sangue me resta, de nenhuma morte vida se ergue, da bastarda razão de ter uma coração ergo-me infértil de emoções, pois amar é temer a perda, amar é reconhecer a dor pelo seu verdadeiro nome, um heterónimo do paixão, essa mesmo fugaz e cruel, essa mesma pautada por ausência, sinto-te completa aqui comigo, por isso acredito estar além da promessa de perdição da paixão. Este amor que me preenche é toda a certe…

NADA

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Esta noite nada sou, nada quero, nada sinto. A dormência invadiu-me sorrateira entre a décima sétima e a décima oitava hora de mais este dia, mais um, vivi mais um. O vento sopra lá fora suspirando pelos cantos o teu nome, cá dentro fechado dentro da melodia que tomou de assalto o meu cérebro fico estarrecido pela minha pequenez, pela minha insignificaância. O céu ameaça chuva, esta noite não verei a lua, esta noite sou meramente uma peça perdida de um puzzle sem solução, talvez seja isto aquilo que alguém escreveu com tinta invisível nas páginas da minha, talvez seja isto que mereça, hibernar na solidão, embalado pelo uivo do vento lá fora e pela aspereza do silêncio cá dentro. E de mil e uma maneiras diferentes te poderia pedir desculpa, mas no entanto nem uma apenas parece capaz de fazer desaparecer toda a dor, todo o sofrimento que as minhas impensadas palavras causaram, nada acontece por acaso e talvez eu tenha de perder para aprender a amar, longe do meu egoísmo, longe das minhas il…

AMARELO

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Viu-a ali, consumiu-a ali, ao longe, como se uma barreira invisível se tivesse erguido entre ambas. Um arrepio desceu-lhe pela espinha quando tocou ao de leve no seu braço esquerdo, tantas recordações... deuses, quantas memórias...
Baixou o olhar, não consegui olhar para aquele verde, aquele olhar de jade que se misturava no esmeralda do mar, tinha sido ali o primeiro beijo, ali mesmo, arrepiou-se de novo, um flash passou-lhe pela cabeça e deixou cair uma lágrima. O seu cabelo rompia tímido sob o lenço amarelo que ela lhe tinha oferecido no último aniversário... Estava ali a sua metade, estava incompleta sempre tinha estado e agora sabia que estaria para sempre, não havia volta a dar, perdera a única razão de ser feliz, resignou-se mesmo quando os lábios dela ainda estavam colados no seus, quando os dedos dela ainda rasgavam lembranças de prazer na sua pele, fora livre, uma vez, uma vez apenas, demasiado risco, demasiada loucura para arrastar rio abaixo uma vida construída com tanto cu…

LUNAR

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Malditos dias solarengos, se há-de sempre ser assim ao menos que não nos acenem com melancólicos dias de chuva, que raio de mau gosto, fazem-no como se burros nos tratássemos atrás das cenouras que neste caso são os tais dias de Inverno ou Outono.
Livra! Que nos deixem sossegados na noite eterna, que nos deixem sossegados à luz lunar, por mais pálida ou inconsequente que seja, deixem-nos carpir, chorar como fossemos feitos de lágrimas. Se haverá para sempre sol e calor, que haja também noite, que nos lembre a chuva e o cheiro que ela deixa na terra seca. Não podemos ser, dizem-nos ao ouvido, não podemos existir insistem, como se donos de tudo fossem, como se criadores da vida fossem, detesto-os, conspurcaram o mundo, o nosso mundo paralelo sustentado num ténue fio de perfume, o perfume dos versos, o aroma das cantorias. Sim, podemos ser, nem que sejamos apenas a sombra do seu arrependimento, ou ruínas corroídas pelo tempo. Deixem-nos sonhar com dias de chuva, mesmo que nos convençam que …

FA(R)DO

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Passeava de noite, admirava os cabos adormecidos que uniam os postes, as luzes brilhavam, uma ou outra ali perto, fundia, ele passava sempre ali, ali onde a noite não era mais que o seu nome. Por entre o fumo do cigarro seguro por entre os dedos meio molhados pela humidade, dizia versos soltos, murmurados ao silêncio, no jardim conhecia cada flor pelo seu nome, deu-lhes um nome, uma face, um sabor, a cada uma delas diferentes no entanto tão semelhantes deu o sabor de um beijo. Nem sempre a noite era benevolente, às vezes chovia, outras a geada cobria as superfícies húmidas, noutras a neve cobria o cascalho do caminho, mas nem sequer uma noite ele falhava. Recordou-se que precisava daquilo para viver, precisava de dizer aqueles adeus vagos a quem passava, precisava murmurar sozinho, perdido em divagações em monólogos distorcidos, a mente já não era sua, tentava a todo o custo segurar a alma, depois de a perder nada mais restaria e nada mais valeria a pena. Ele sabia que os cabos dormiam de…

ALEGORIA AO TEMPO

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Muito se fala do tempo, do que temos, do que não temos, do que ele tem ou nunca possuirá, falamos como se tivéssemos todo o tempo do mundo, como se ele fosse infinito e nós imortais. Talvez seja infinito mesmo o tempo, mas no que à nossa pequena existência, pequena realidade diz respeito ele não é nem nunca foi infinito, o nosso problema é não ver o quanto ele pode ser breve, como a vida nos é tirada num segundo, um segundo apenas que julgávamos viver mais. Apaga-se a vida e fica o vazio, com o tempo vai o amor e a dor, vai e vem a paixão e a glória de sonhar, sonhamos ser maior que o tempo quando escrevemos um poema, quando tiramos uma foto convencidos que o parámos, quando beijamos alguém e a abraçamos pensando que ela sempre estará ali. O tempo apaga-nos, anula-nos, somos instantes inseridos na cadeia que não pode ser parada. Por vezes ficamos inertes frente ao espelho a reflectir sobre o que o tempo poderá ou não reservar-nos, ficamos parados, adiando o que não pode ser adiado, porque…

ANGEL

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TEARS OF PASSION "Angel"
I'm looking straight in the mirror of truth I am not immortal, I've lost my youth Maybe I see the hell, maybe the paradise But one thing I surely know, that my spirit will be rised
Angel I want to be with you, so tell me what can I do Angel I want to be with you, so tell me what can I do
My soul starts to burst, I'm going insane More than the dead I feel the blood in my veins I know I'm gonna die, astral light is all I see I'm still looking in the mirror, the Angel is me
Angel only you can see, you are the one, you set me free Angel only you can see, you are the one, you set me free
I see the sadness in your eyes My whole life was a disguise At the funeral you won't be there I will follow you everywhere
Angel I want to be with you, so tell me what can I do (Angel) Angel only you can see, you are the one, you set me free (Angel)

PRESENCE

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It's a simple mistake not to live the life we earned. Let's live eager to feel, eager to hold, not afraid at all to lose. Let's leave a mark somewhere, leave a mark in someone. let's go be, just be ouselves. Don't drag you down anymore, the ground do not deserve you, rise your head high, don't be afraid of the burning sun. Let's go enjoy the sunlight, push play for your favourite music, just let it flow, let it grown inside you, doesn't the world seem different when you look upon him from within? That's a hole in your soul, we all feel it, your tears are unmistakable evidences, I do know you, despite you never seen me. So this words collide, let them form a new poem, a new beginning, let's just be free, dreaming an eternal life, even knowing how fragile it can be. Just take a chance, a step in the dark, sometimes beneath the shadows lays the most pure and honest beauty. Life can have many meanings, life can have only one, but in the end it's always…