domingo, 6 de março de 2011

ALEGORIA AO TEMPO

Muito se fala do tempo, do que temos, do que não temos, do que ele tem ou nunca possuirá, falamos como se tivéssemos todo o tempo do mundo, como se ele fosse infinito e nós imortais.
Talvez seja infinito mesmo o tempo, mas no que à nossa pequena existência, pequena realidade diz respeito ele não é nem nunca foi infinito, o nosso problema é não ver o quanto ele pode ser breve, como a vida nos é tirada num segundo, um segundo apenas que julgávamos viver mais.
Apaga-se a vida e fica o vazio, com o tempo vai o amor e a dor, vai e vem a paixão e a glória de sonhar, sonhamos ser maior que o tempo quando escrevemos um poema, quando tiramos uma foto convencidos que o parámos, quando beijamos alguém e a abraçamos pensando que ela sempre estará ali.
O tempo apaga-nos, anula-nos, somos instantes inseridos na cadeia que não pode ser parada.
Por vezes ficamos inertes frente ao espelho a reflectir sobre o que o tempo poderá ou não reservar-nos, ficamos parados, adiando o que não pode ser adiado, porque não sabemos quanto tempo teremos, andamos cegos...
Basta dizer um amo-te, um quero-te, basta fazer uma viagem trilhando um caminho, seguindo as linhas, basta um abraço na paragem frente à estrada, basta qualquer coisa para vencer a inércia do tempo, e depois a viver o próximo segundo recordaremos felizes o anterior, pois vivemos mais um, sim isso mesmo VIVEMOS mesmo, muito diferente de sobreviver, muito diferente de desesperar.
Do tempo passado ficam os despojos do presente, a lamentação do que passou e não fizemos, por medo, por presunção de sermos imortais, ficam as roupas sujas, infectadas pela nossa preguiça, fica o silêncio pois uma palavra dita fora do momento certo perde significado.
E o silêncio é isso mesmo, uma alegoria do tempo, um aliado de peso que simplesmente julgamos controlar, do nosso silêncio nunca brotará o momento que deixámos passar, aquele que definiria a nossa vida, O MOMENTO, aquele que estaremos a recordar neste momento, a razão começou o genocídio da nossa humanidade, o tempo terminará o trabalho.
Golpe após golpe.
E o que poderemos fazer? Perguntarão...
Porque não começar a sermos nós próprios?
Enquanto lês isto quanta vezes pensaste na tua mortalidade? 
Não penses mais
Levanta-te, o tempo urge e a pessoa que luta contigo por um tempo vosso ainda não ouviu hoje o quanto a amas.
Amanhã poderá ser simplesmente tarde de mais!

Bruno:Carvalho
2011


1 comentário:

Narcolepsia disse...

Eu olhava para trás, ao sair de casa nas últimas semanas e, ao despedir-me da minha mãe, pensava que o tempo se estava a esgotar e sentia que o fim estava perto. Era difícil o sentimento de impotência porque os anos foram passando com demasiado vazio dentro deles, para aquilo que eu desejava.
Mas desde que vieste o tempo que passamos juntos é cheio de um significado que as palavras não conseguem expressar. Talvez dizer que me deste vida, seja o mais próximo do que sinto.
Amo-te

DON'T BOTHER

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