segunda-feira, 25 de abril de 2011

SONGS OF DARKNESS, WORDS OF LIGHT

Loathsome I've become.
A creature so undone.
Wretched and broken.
Cannot find my faith.
Any God will do.
Nothing said is new.
Nothing said is true.
Fly away my hope.

The embrace of shade holds me dear
Eats me away.
Loose the dogs of disgrace upon me.
I have no faith.
Raise the poor outcast I have become.
I am undone.
Calm is the air. Still is the sea.
The valley of death keeps calling me.

Rest my eyes from the world.
This dying place, it's so absurd.
Oh, Christ above, whom I love.
Lost to me. My snow white dove.
Make this day like the night.
songs of darnkess. Words of light.
Pulling down my heart.
I won't forget my lovers heart.

With utter loathing and scorn,
I was somehow born.
Strewn in black decay.
None shall I obey.
The wreckage of my flesh
The nakedness of my death.

My Dying Bride

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ESMERALDA

Vai e vem, vai e vem, as ondas despenham-se nos meus pés deixando neles um rasto cândido de espuma, perante a frescura da água os meus dedos enterram-se na areia, espasmos invadem o meu corpo deixando na pele o aroma salino do mar.
Deambulo no areal com o olhar fito algures no horizonte, na imensidade esmeralda daquele oceano tento vislumbrar algo impreciso, fecho o casaco à agrura do Inverno, apoderado pelos sonhos perdidos que vão e vêm nas ondas fico em silêncio, um minuto, uma hora, um tempo impreciso...
Viro as costas, o vento fustiga-me as costas como fizesse um pedido para não ir, volto ao passadiço, incerto do caminho a seguir, dali fito de novo ausente de mim o mar que se espraia por esses horizontes adentro, as gaivotas que flutuam na aragem, as nuvens que se fundem com a neblina, que deixam no meu cabelo gotas de cristal.
Absorvo firmemente a maresia como se quisesse preencher com ela o vazio em mim, abraço-me, o frio embala os meus passos rumo a sul, viajo sem rumo, sem esperança, sem medo, sem objectivo último. Viajo perdido porque jamais me encontrei, o túmulo que se aproxima, a morte que clama pela minha presença, caminho ausente do mundo como se tivesse sido engolido por uma indiferença atroz.
A incredulidade voraz de um afastamento precoce, flutuo no tempo, nas asas do vento, uma ave esguia que perdeu o sul, que perdeu para sempre o calor.
Fiz-me Inverno, para ocultar o inferno que grassa em mim, o conflito eterno o futuro incerto, fiz-me ausência para disfarçar a indiferença que me envolve, um rosto vago que vela do outro lado da janela.
O mar chama por mim com vozes fantasma na manhã, abraço-me, preciso sentir-me, como se dessa forma tivesse a certeza de ter existido, ao longe as ondas esmagam-se no cais, vagas de tudo e de nada, de amor, de morte, de tragédias de vidas colhidas na flor da idade.
E tivesse sido eu o tal aventureiro que se fez ao mar apenas com a sua bravura e uma esperança incontida, pudesse eu ter navegado para além do horizonte e naufragado no denso azul esmeralda.

Bruno:Carvalho
2011


Foto por: José Ramos

terça-feira, 12 de abril de 2011

DEMAIS

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"

Florbela Espanca

Para além do sonho vive a verdade...

sábado, 9 de abril de 2011

SANGUINE

Vê o sangue que me tinge as mãos. a mortalidade que me escapa entre os dedos, vê a majestade da noite, o luar que se esconde por entre as nuvens, uma lua de Inverno num sonho de Janeiro transformado em inferno.
Observa as sombras que me corrompem, como elas se insinuam no meu coração, as correntes que me prendem a um futuro longínquo, a tristeza inunda-me a cada segundo, rasga-me a pele, vira-me do avesso, das minhas entranhas sai o nosso amor, sanguíneo, visceral.
Na cadência da mudez das palavras jamais ditas, embalo-me na obscuridade para me descobrir de novo, preciso do silêncio, da noite, preciso de um retiro de mim, uma viagem espiritual, preciso de voltar a encontrar-me pois não sei onde me perdi...
E faço desde já uma vítima, o amor que nos uniu, o amor que nos transcendeu, sacrifico-o, para o meu bem principalmente para o teu bem. As pedras da caçada foram testemunhas de um adeus nunca ansiado mais por demais esperado.
Faltam-me as forças para pedir que me perdoes, peço-te que me apagues celeremente apesar de saber o quanto isso te será difícil.
É o sangue nas minhas mãos que me tinge de vergonha.
Dos meus lábios outrora saíram beijos, agora saem apenas palavras amargas ensopadas em raiva, temo-me, do que possa dizer, do que possa fazer, preciso de te deixar ir, pelo meu amor por ti, pelo nosso amor.
Faz-se silêncio, a hora não é de aplausos e risos, deito-me na desolação de mais uma noite, para mais um pesadelo, para mais uma insónia.
Pulsa em mim o Inverno, a escuridão clama a minha presença, vou aninhar-me no seu colo, na esperança de renascer de novo das cinzas mas consciente que elas misturadas com as tuas lágrimas poderão não passar de lama, onde ficarei atolado, onde criarei raízes, onde poderei por fim definhar, longe dos que amo, pois não merecem que os arraste para o abismo.
É tão breve o adeus que a tua voz ténue quase desaparece na imensidão deste quarto vazio que me envolve.

Bruno:Carvalho
2011

 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LUSITÂNIA

O que outrora foi um fardo agora é uma lição de liberdade, o que outrora foi um sonho agora é uma realidade tranquila, uma noite que desflorou num dia glorioso.
Enquanto do abismo renascemos olhamos para norte, para além da aurora algo renasce da terra, novos rebentos, os mesmo que brotam das nossas mãos.
De tronco unido somos gémeos siameses nascidos da mesma mãe, o céu chora agora a morte do Verão, ancorados numa espiritualidade eterna, transcendemos a morte, seguidores convictos do Inverno entoamos hinos de extase.
Ergue-te Velha Glória, vira-te para além do Atlântico que te confina, a velha ordem que seja restabelecida, pois do nosso sangue foi feita esta terra, da nossa carne foi feita a sua alma e por ela fizemos mil actos de coragem.
Que se erga de novo Lusitânia nossa mãe!

A Alma Lusitana em forma de música, para almas destemidas de corações altivos e corajosos!


sexta-feira, 1 de abril de 2011

XADREZ

Num tabuleiro de xadrez são dispostas as peças por mãos hábeis, as mesmas são movidas por olhos vorazes hipnotizados pelos quadrados brancos e pretos do tabuleiro.
Um passo em falso e um jogo se perde.
Como no jogo da vida, uma palavra mal entendida (elas podem ter mil sentidos), uma frase mal interpretada, um olhar de esguelha, um silêncio desnecessário, num segundo tudo se perde, num segundo tudo se ganha.
Os mais azarados são os peões, os peões que se sacrificam pela vida sem saberem ao certo ao que vieram, perdem-se na escuridão incertos de pisar os quadrados brancos ou os pretos.
Os dedos cansados dos jogadores ficam menos concisos com o avançar do tempo, por vezes arrastam o braço e deixam cair por acidente uma torre ou um cavalo, nessa altura algures no tabuleiro algo desperta, um peão que se perde de amores por outro, um cavalo que deseja ser torre e uma torre que desejava proteger mais a sua rainha.
O amor imiscui-se nas suas pedras de marfim, os peões são movidos pela paixão pela vida, morrem por causas, por sonhos, morrem por amor mesmo que às vezes não entendam o que isso poderá ser.
Com o passar dos minutos o jogo avança para o final, quando a rainha estoicamente defende a vida do rei, os papéis invertem-se na vida apesar de se saber o quanto as mulheres são mais fortes e corajosas que os homens, estas sofrem em silêncio, lutando na sombra umas pelas outras, porque aí também existe amor, pelos homens por mais déspotas que sejam.
São heroínas sem rosto, marcadas pelo passar do tempo nunca desistem de lutar pelo que acreditam.
Cai finalmente a rainha e o xeque-mate ao rei acaba o jogo.
Perdidos num sonho a preto em branco as peças são arrumadas numa caixa de madeira, para na noite seguinte se desenrolar mais um drama, mais uma batalha, talvez desta vez um peão possa defender a rainha, talvez numa única vez possa ser o rei a sacrificar-se pela sua defensora destemida.
A minha rainha caiu por demasiadas vezes, é a minha vez de dar um passo em frente, pelo bem do nosso amor, pelo bem da nossa sanidade.

Bruno:Carvalho
2011


EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...