XADREZ

Num tabuleiro de xadrez são dispostas as peças por mãos hábeis, as mesmas são movidas por olhos vorazes hipnotizados pelos quadrados brancos e pretos do tabuleiro.
Um passo em falso e um jogo se perde.
Como no jogo da vida, uma palavra mal entendida (elas podem ter mil sentidos), uma frase mal interpretada, um olhar de esguelha, um silêncio desnecessário, num segundo tudo se perde, num segundo tudo se ganha.
Os mais azarados são os peões, os peões que se sacrificam pela vida sem saberem ao certo ao que vieram, perdem-se na escuridão incertos de pisar os quadrados brancos ou os pretos.
Os dedos cansados dos jogadores ficam menos concisos com o avançar do tempo, por vezes arrastam o braço e deixam cair por acidente uma torre ou um cavalo, nessa altura algures no tabuleiro algo desperta, um peão que se perde de amores por outro, um cavalo que deseja ser torre e uma torre que desejava proteger mais a sua rainha.
O amor imiscui-se nas suas pedras de marfim, os peões são movidos pela paixão pela vida, morrem por causas, por sonhos, morrem por amor mesmo que às vezes não entendam o que isso poderá ser.
Com o passar dos minutos o jogo avança para o final, quando a rainha estoicamente defende a vida do rei, os papéis invertem-se na vida apesar de se saber o quanto as mulheres são mais fortes e corajosas que os homens, estas sofrem em silêncio, lutando na sombra umas pelas outras, porque aí também existe amor, pelos homens por mais déspotas que sejam.
São heroínas sem rosto, marcadas pelo passar do tempo nunca desistem de lutar pelo que acreditam.
Cai finalmente a rainha e o xeque-mate ao rei acaba o jogo.
Perdidos num sonho a preto em branco as peças são arrumadas numa caixa de madeira, para na noite seguinte se desenrolar mais um drama, mais uma batalha, talvez desta vez um peão possa defender a rainha, talvez numa única vez possa ser o rei a sacrificar-se pela sua defensora destemida.
A minha rainha caiu por demasiadas vezes, é a minha vez de dar um passo em frente, pelo bem do nosso amor, pelo bem da nossa sanidade.

Bruno:Carvalho
2011


Comentários

Narcolepsia disse…
talvez...
Narcolepsia disse…
É um texto muito lindo. Os sonhos também o são, é preciso coragem, é preciso fazê-los realidade.

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