sexta-feira, 23 de novembro de 2012

DROP

Drop by drop I watch my soul drip down to the crimson floor. That's my perdition they say, as if anyone can ever imagine what I've been through...
In the end I knew that I've lost myself before I lost you.
It's a fact, a cruel one, but nonetheless a fact, love isn't an emotion until we put all of us into it, not a tear left behind, not a breathe left aside, nothing. Love is all we are, period.
Based on this I now asure you that I don't know you a bit, who are you, left astray in my dreams? Who are you which name can't be spoken loud in the crowd?
Who am I to be in your list?
Even not knowing you at all, I know I love you,
It's a little bit stupid I know, but sometimes I know that you don't speak clearly, you speak in riddles, my heart pumps when I fortunately trip in one of those.
I recall saying my fellow companions, the shadow between the night and the dawn, that you're one of a kind, I confess I still say, but reality is a crude wake up call, how can I explain you the way I feel if we don't know each other, literaly.
How can I describe this unexplanable feeling that floods my soul when I see you?
How can anyone comprehend if no one it's couragous enough to open a mind to this kind of feeling?
I cherish in my lips your imaginy ones. I promise I can feel them, I really do....
If only I could have a chance to tell you...
My soul it's almost drained from my body and my heart fades in silence.
And you Luna, my only and true love, come get me at last, death awaits me for a long time.

Bruno:Carvalho
2012

sábado, 3 de novembro de 2012

MUROS

Teimamos em construir muros onde não são necessários, dentro de nós...
Mantemos-nos por detrás de teclados de computador como se assim nos sentíssemos seguros e certos que isso nos guarda o segredo que está no nosso coração.
Tememos o toque, a palavra sussurrada ao ouvido, descartamos cada vez mais a cumplicidade e e amizade porque simplesmente nos esquecemos do quanto ela nos preenche.
Perdemos a humanidade pouco a pouco, projectamos nos outros aquilo que nunca fomos, inconscientes que a resposta sempre teve dentro de nós.
Não precisamos de ninguém para nos realizarmos pessoal, primeiro busquemos a nossa paz interior, só depois busquemos a paz dos outros que complementará a nossa.
Que imagens são estas que nos fazem sonhar um mundo diferente?
Que palavras são estas que nos inspiram medo e incerteza?
O calor da nossa cama nunca foi tão frio, levamos o corpo e a mente quase à exaustão a sonhar com a pessoa ideal mesmo sabendo que esta não existem, somos todos uns tolos sem asilo.
Trocamos um futuro distante e indefinido por um presente certo e coerente.
Muros com o tempo podem cair, mas as correntes que nos prendem a esse muro podem durar para sempre. Mesmo tendo a verdade à nossa frente teimamos em seguir a mentira, depois, quando nos surge o abismo a nossos pés é que nos lembramos que um dia fomos humanos, tarde demais...

A mudança à velocidade da luz obriga-nos a ter medo, a arriscar, uma vela num quarto iluminado não faz qualquer diferença, mas uma vela numa noite escura pode ser a única luz que nos impede de desistir a busca pelo caminho.
E tantas formas pode tomar essa vela...

Bruno:Carvalho

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CORNERS

Nos recantos da cidade vejo os olhos do mar
A cantoria dos cisnes azuis flui por cima de mim
Aqui e ali nos cantos mais escuros ouço um murmúrio
"É possível amar alguém demais?"

Em cada passo revivo as memórias
Tragédias recalcadas num coração frágil e irrequieto
Sem que tenho de ir ali além, algures, nenhures, num tempo vazio
"É possível esquecer uma pessoa assim?"

Finjo-me poeta sei-o bem, assim tudo faz mais sentido
É como sentir em mim a noite a jorrar
Como o fado que sai da porta entreaberta da taberna
"É possível sentir esta dor?

Num frasco amarelecido pelo tempo, prendi uma borboleta
Como se ela necessitasse de ser presa para saborear a liberdade
Nos recantos da minha alma ainda ouço o seu choro
"É possível viver sem ti?"

Trémulo fado, boémias piedades disfarçadas de orações
Perdi a fé no caminho, quando ele me levou ao mar aberto
Explodi nas ondas mesmo sabendo que iria afundar-me
Ainda te ouço agora
"É possível amar alguém demais?"

Bruno:Carvalho
2012 


Foto por Marta Araújo

terça-feira, 14 de agosto de 2012

FIO


Será assim que tudo vai terminar? Eu perdido num mar de ilusões, ofuscado pelo meu orgulho? Perdido num oceano de incertezas...
Terminará tudo assim, uma faca nas mãos e o corpo banhado em sangue?
Seremos nós apenas descendentes de um algoritmo? Parece que vivemos com um fio ligado ao tornozelo, que por vezes se encontra com outros, quando sentimos dor pela perda de alguém é quando essa linha se emaranha em todas as outras que passam por nós.
Seremos apenas o resultado de uma equação cósmica? Será que o Universo conspira para formar o nosso trilho nesta existência.?
A faca na mão não justifica nada, não responde a perguntas nem tão pouco arranja soluções existenciais. É apenas um objecto entre tantos outros...
Erguemos-nos da poeira primordial, tão cegos como uma cria recém-nascida, tão ignorantes, tão fracos, fomos colocados num ambiente diverso, como tábulas rasas prontas a ser preenchidas por informação ávida por mais uma formatação.
Cada um de nós é uma experiência do Universo.
No meu caso não sei onde a experiência falhou, mas algo correu muito mal, apanhado por sucessivas ondas de má informação encharquei-me em drogas, afoguei-me em rios de embriagantes palavras, fiquei vazio de novo, tiraram-me tudo... E o que fiz eu? Peguei na faca e cortei, espetei, rasguei a pele ansioso por encontrar outra... 
Descontente pelo resultado rasguei também a tua pele, como se aquele primeiro e último beijo fosse a leitura de uma sentença há muito decidida.
Ilusões, fui cuspido da boca do dragão para incendiar o mundo, falam de demónios como se andássemos disfarçados de profecias, a ignorância queimou-os, deixaram de ser imaculados e agora vêem demónios em todo lado.
A dor não pára, o meu fio deve estar bem atado noutro, um nó talvez, daqueles que apenas cortando se desatam. 
Lavado e purificado medito à entrada da porta, uma introspecção cega que me entrega à escuridão, apesar disso o sangue não saiu das mãos e o beijo não deixou a alma. Continuo sujo, tocado pela audacidade serei para sempre grão de pó perdido na imensidão cósmica da equação matemática que nos pariu a todos. 

Bruno:Carvalho
2012



Saw the demonstration 
On remembrance day 
Lest we forget the lesson 
Enshrined in funeral clay 
History is never written 
By those who've lost 
The defeated must bear witness to 
Our collective memory loss 

With every generation comes 
Another memory lapse 
See the demonstrations of 
Failing to learn from our past 
We live in the dreamtime 
Nothing seems to last 
Can you really plan a future 
When you no longer have a past 

Memories fall from the trees 
Amnesia 
Memories like autumn leaves 

If we are subject to 
Empirical minds 
I wonder what lies beyond 
Our memory's confines 
If memory is the true 
Sum of who we are 
May your children know the truth 
And shine like the brightest star 

Memory, help me see 
Amnesia 
Memory, set me free 

All my love and all my kisses 
Sweet Mnemosyne 
All my love and all my kisses 
Sweet Mnemosyne 
Sweet Mnemosyne

domingo, 15 de julho de 2012

POR AÍ ALGURES...

Amigo, nem sei como te contar isto.
Ainda me custa definir o sentimento que me assaltou tão repentinamente, estás a ver aquela sensação de choque que acontece às vezes ao sairmos do carro? Foi igual.
A sério, quando acordei naquele dia nada fazia indicar que me acontecesse esta coisa que tem tanto de fantástico como de inquietante. Quer dizer, eu já trabalho ali há dez anos e vejo-a passar quase todos os dias, mas hoje não sei o que se passou.
Será que o Universo conspira para nos atirar para determinadas situações em alturas predestinadas? 
Não sei, é tudo um mistério para mim...
Naquele dia ela vinha com um vestido amarelo, cintado por uma pequena faixa preta, os sapatos eram também pretos. Quando levantei os olhos da banca e lhe fixei o olhar pareceu que um desmoronamento houvesse caído em cima de mim, fiquei sem força nas pernas e quase caí, o que foi um bocado embaraçoso digo desde já.
Mas amigo, que bendito dia aquele. Pediu-me o jornal com fazia todos os dias e eu fiquei simplesmente perplexo e sem reacção, teve de me chamar à terra duas vezes antes que eu me apercebesse do que se estava a passar, epá que vergonha!...
O seu olhar era sem qualquer exagero tão límpido como a água nesta garrafa, quase apetecia mergulhar neles.
A sua pele era suave e quando lhe dei o troco tremeu um pouco, fiquei a pensar; será que ela me sentiu da mesma forma?
Amigo, ainda estou com essa dúvida hoje mesmo passado tanto tempo...
Mas o que interessa verdadeiramente é o presente e esse meu amigo vai de vento em poupa. Agora tenho para além de o prazer de a ver, o prazer de lhe tocar, de lhe dar a mão, de a abraçar, de a beijar, de lhe falar. É que não sei se sabes só quando podemos fazer isso tudo é que podemos verdadeiramente amar.
Eu sei que é confuso para ti, sempre foste um libertino de primeira... Mas és um bom rapaz e acima de tudo um bom amigo!
É assim amigo, vou levando a vida com gosto e calma.
Amando-a com a sorte de a nunca ter perdido.


Bruno:Carvalho
2012

domingo, 8 de julho de 2012

Sunset Of Age

Choking...
Just let me choke a little while... Can I?
The poison pours from my veins, cold and cruel, a silent weapon pointed towards my forehead, can you silence me any further?
Words gather around my throat, just cut deeper, your knife isn't sharp...
I unite forces around me, just a little more and I will taste justice, a silent void fills my head, will I be reborn?
Falling deeper, can you feel me there? Where the memory dwells and cries out for hope?
Can you feel me? I bleed death as blood drains hope...
Look at me as I look towards the sunset of age, craving for hope,craving for time, one last time, one last piece of joy...
What a beautiful song does your siren sing... she knows how life is short and brieve...
My mind was simply blown away, catch it if you can!

Bruno:Carvalho
2012


sexta-feira, 22 de junho de 2012

"Songs of darkness, Words of light"

Talvez tenha passado demasiado tempo na escuridão para perceber que existe realmente luz. Por outro lado posso não reconhecê-la pois no fundo nunca ninguém me disse como ela era.
Chamam-me diversas vezes demasiado melodramático, entre a teatrealidade e um limbo meio indefinido. Como sempre, não vejo isso como algo mau. não desdenho a escuridão, muito pelo contrário, acho-a adorável.
Quando se conjugam ambos silêncio e escuridão atinjo um estado de espirito que sob quaisquer outras condições seria impossível atingir.
É como ter água bem perto para beber mas escolher veneno, é como querer montar um puzzle e faltar sempre uma peça.
Posso confirmar que a escuridão é excelente para deambular, simplesmente vaguear, mesmo sabendo que a determinada altura acabarei por embater em algo por mais vísivel que seja. Os meus olhos habituaram-se ao escuro tanto que o sol de Verão que por este canto do universo grassa no momento me fere os olhos.
É impossível largar a noite quando ela foi responsável ppor quem somos agora. Orgulho-me todos os dias de olhar-me ao espelho, de dia disfarço-me, mas à noite tiro a máscara, todos sabem quem sou.
Tirando qualquer romanticismo ou miticismo à noite, perdemos os monstros e outras criaturas para ganharmos o ego que se esconde no pino do meio-dia.
Como orgulhoso melodramático que sou não podia deixar outra música após este texto semi despido de pretenciosidade, completamente nu de inspiração.

Portanto as palavras serão sempre de luz e as canções de escuridão.

Bruno:Carvalho
2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A GREATER DARKNESS

No limiar entre a escolha e a resignação.
Algures existe alguém, a norte do sol poente, a este da inevitabilidade da morte.
Juraram-me que havia algo por detrás do nosso olhar, mas fartei-me de ver pelo canto do olho, somente vazio e uma maior escuridão.
O pêndulo desce, rasa já a pele arrepiada de antecipação do meu pescoço.
Sinto as mãos vazias, sinto-as pesadas, não consigo mantê-las à tona. Desferi um soco na garganta do desespero, agora ele grita de lábios abertos presságios de fogo.
Sinto apenas frio, não esse fogo plenamente merecido...
Envolvo-me sombrio nessa escuridão maior, desfaço-me pendente num lenho sem ramos.

Bruno:Carvalho
2012

domingo, 25 de março de 2012

DEATH SENTENCE

Life does not hide a single drop of meaning
Everything is fake, everything meaningless
Where is the freedom that love always promised?
Once again a noble feeling fails to its porpose...

Only remains what lies within us
Our hope, ou will, our steel forged path
That's us here, born from blood
A brotherwood of men, that will always be wolves.

Like we once promised
We will live above this meaningless pit of snakes!

By the power invested in me by myself
I condemn death to love! 

Bruno:Carvalho
2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

INÍCIOS E FINS

O teorema da vida implica que tudo que tenha um início tenha consequentemente um fim. Automaticamente, sem qualquer poder de interferência.
E se assim não for? E se alguma coisa se inicia e não acaba?
É difícil perceber esse conceito já que a própria Vida está assente nesse conceito de início/fim, mas e se por momentos nos apercebesse-mos que as coisas não são bem como aquilo que nos dizem que são.
O nosso cérebro é ainda tão pouco conhecido. Se nos pudesse-mos transcender a um nível superior de compreensão? 
As definições avançadas de vida depois da morte e de vidas passadas parecem demasiado obsoletas com o passar do tempo.
às vezes sentimos que não pertencemos à nossa pele, que o rosto que vemos no espelho parece-nos desconhecido, a dor que sentimos parece distante e indefinível como pertencesse a outra pessoa, como brotasse de uma cicatriz invisível na nossa pele.
O que nos define?
O que nos dá substância e ser?
A vida em si? O que é afinal a vida?
Na escala do tempo rumo ao tal fim anunciado nunca parece termos tempo responder a essa questão essencial...
Os pilares fundamentais do que aparentemente nos torna humanos estão por demais difusos, não há certezas de momento o que é ser humano ou não...
Será um serial killer um ser humano? Um genocida? Um esclavagista? Não?
Seriam então demónios disfarçados de homens? Seria bastante confortável acreditar nisso...
Cavamos fundo todos os dias em nós à procura da resposta à pergunta quem sou eu afinal?
Os pouco que conseguem descobrir a fazem-lo demasiado tarde, pelo menos dentro dos parâmetros que nos impõem como sendo tarde demais.
Nunca saberemos...
Um dia somos uma coisa, no dia seguinte somos outra, andamos ao sabor do vento em busca de conforto sem saber que é no desconforto que encontramos a tal paz ansiada, a tal felicidade suprema da qual nunca experimentámos sequer um segundo.  

Bruno:Carvalho
2012





"Inside this cold heart is a dream
that's locked in a box that I keep
Buried a hundred miles deep
Deep in my soul in a place that's surrounded by aeons of silence

And somewhere inside is the key
to everything I want to feel
but the dark summer dawns of my memory
are lost in a place that can never be

Can someone please show me the way?
can someone please help me
cause I cannot see
the silence is raging! 
silence is raging

Silence, silence 
fade into silence
memory, memory
inside is the key to memory"

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

AMOR=DOR

Dizem por aí que são borboletas aquelas cócegas que sentimos no estômago quando estamos apaixonados. Não poderia discordar mais. A mim parecem-me escorpiões, uma centena deles a picar, a libertar veneno até que o nosso coração acelerado ceda e se despedace.
Quando isto acontece ficamos absorvidos dias a fio no caos dos lençóis desejando um sono eterno. Ao menos os sonhos teimam em acabar, mal ou bem, não passam disso.
Perseguimos a pé carros que não tencionam parar, como tolos varremos as cinzas da nossa alma para debaixo do tapete.
Somos demasiado sinceros, demasiado abertos, demasiado sentimentais. 
O segredo estará talvez em controlar a tal coisa chamada esperança, sem esperança somos tudo o que ambicionamos ser.
Falando através de probabilidades em 99% dos casos AMOR=DOR, que não concordar que avance com outros números e através de outra análise, apaixonados=estupidificados.
Quem nos visse do espaço diria que somos obcecados por dor, gostamos. Se assim não fosse as probabilidades seriam bastante mais equilibradas.
A verdade é que a maioria das pessoas por quem nos apaixonamos estão-se nas tintas para isso e mais grave que isso guardam-no para si em vez de dizê-lo em voz alta.
Aí está, convém nunca dizer o que se sente, pode ser demasiado ofensivo para alguém.
Estamos todos mentalmente tolhidos por esta cegueira que nos embriaga, que nos deixa como loucos em cima do gradeamento de uma qualquer ponte o suficientemente alta para nos tirar da boca o sabor a fel.

Bruno:Carvalho
2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

TENTATIVA

Falhei esta nova tentativa...
Não aguento mais, o cansaço desmorona-me a alma
E tanto fica para dizer outro tanto para sentir
Rendo-me
Entrego-me ao mundo escorregando lentamente das tuas mãos
E que lindo foi este sonho
E que doce foi esta alegria
Ri-se agora a solidão
Por ter feito de mim tão tolo

Este mundo não se fez de sinceridade e sentimentos
Fez-se de fachadas
De máscaras coladas ao rosto
Num Carnaval eterno
E quem sou eu aqui sozinho?
Na proa do meu barco de papel
Percorro o horizonte sem nada ver
À espera que que o papel se faça mortalha
E o mar o meu túmulo querido...

Bruno:Carvalho
2012


L'AME IMMORTELLE
"Lake Of Tears"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

SURREAL

Surreal no mínimo…
É o que se pode dizer desta busca incompreendida por insanidade. Ninguém entende como uma personalidade tão equilibrada se estilhaça assim de um momento para o outro.
E se o entendimento fosse possível, o que fazer com tal informação? Como divulgá-la às massas sem o perigo de uma debandada geral duma multidão em pânico. Que preço iríamos pagar? Demasiadamente elevado decerto….
A melhor solução seria portanto esconder o objecto descoberto por detrás de um mito inexplicável, amontoar as teorias num disléxico texto inconsequente e sujeito a julgamento moral.
Aplaudimos aqui de longe, onde é seguro, onde apenas o que vemos nos afecta e não tanto o que sentimos. Olhamos enternecidos para a inocência da loucura exposta. Mostramos solidariedade mergulhados no nosso conforto instalados no sofá acolhedor simplesmente, mudamos de canal.
A revolução não é televisionada, ao contrário da morte esta não traz audiências, traz apenas instabilidade e o perigo da alienação das massas outrora sossegadas e formatadas.
Alimentamo-nos sem dúvida de tragédia, nesse sentido somos autênticos obesos.
Na tentativa de humanizar a violência irracional estupidificamos o pensamento ainda desformatado, ridicularizamos os elementos fora da nossa matriz de controlo, como se para e eles e não para nós fizesse todo o sentido a palavra insanidade.
Fazemo-nos mártires democráticos, mostramos ser virgens ofendidas quando simplesmente não destrinçamos democracia de tecnocracia, ideologia de extremismo.
A ditadura mantém-se como elemento inerente à nossa condição humana, somos ditadores de nós mesmos disfarçados de lobos mas mordendo como cordeiros.
E quando o nosso pequeno altruísmo se transforma completamente em egoísmo nada nos detém de dizer e fazer as maiores asneiras de que somos capazes de imaginar.


Bruno:Carvalho
2011


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ENIGMA

Os pilares da minha alma ruíram
O portão abriu-se e dele jorrou a dormência
Os meu coração foi invadido até ao seu âmago
Pela não existência, pela morte prometida.

Falo silêncio pois as palavras foram-me roubadas 
Estropiado de voz sigo letárgico rumo ao fim
Mais um fim de um principio que não chegou a iniciar-se
Mais um ponte destruída, o rio corre célere e frio rumo ao vazio.

Relutante a mais uma investida desoladora de dor
Paro, encostado ao peitoril da janela olho o abismo
O enigma embrulha-se cada vez mais e a solução que não surge...
A resposta está tatuada no sabor dos teus lábios.

Da janela tudo que vejo é a tela do teu corpo
Jorrada na parede e não no linho da cama.

Bruno:Carvalho
2012


Foto por: Marta Araújo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

HINDSIGHT


"Intangible. Eternal. Without beginning nor end. The nameless, formless energy that permeates all living things. That sweeps through nature like a ripple in an ocean, sending cascades of timeless wonder through the air, on the song of a bird, the freshness of the morning air. A clear calling for our inner nature to awaken beyond our every day lives, and fears. Love is timeless, love is purity. It is the lightless light, the rays of the sunrise dancing on the surface of the sea. Love is you, and love is me. It is the deepest knowing, the serenity of being, the laughter of the earth, the limitless breath of the wind, the wonder of potential, the power of thought, the gift of life, the highest vibration, the most profound awareness... the knower. Life. Love. Infinite. within you. Now. Always.

For it is in love's gentle embrace that we come to know the space between us. A feeling deep within that not all is what it seems. that we bear witness to a magic as deep as our own, to a summernight horizon that whispers "welcome" to your soul. And in those fleeting, trembling moments that we share between the worlds, it is enough for us to know that in each other we must care, for alive and not alone are we the children of the world, here to witness time and the unfolding miracle of the soul.

There is no difficulty that enough love will not conquer. There is no disease that enough love cannot heal, No door that enough love will not open, No gulf that enough love will not bridge, and no war that enough love will not throw down. It makes no difference how deeply seated may be the trouble, how hopeless the outcome, how muddled the tangle, how great the mistake. A sufficient realization of love will dissolve it all. And if you could love enough, you would be the happiest and most powerful person in the world."


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

UNIVERSAL



Today, like every other day, we wake up empty

and frightened. Don't open the door to the study
and begin reading. Take down a musical instrument.
Let the beauty we love be what we do.
There are hundreds of ways to kneel and kiss the ground.


The breeze at dawn has secrets to tell you.

Don't go back to sleep.
You must ask for what you really want.
Don't go back to sleep.
People are going back and forth across the doorsill
where the two worlds touch.
The door is round and open.
Don't go back to sleep.


I would love to kiss you.

The price of kissing is your life.
Now my loving is running toward my life shouting,
What a bargain, let's buy it.


Daylight, full of small dancing particles

and the one great turning, our souls
are dancing with you, without feet, they dance.
Can you see them when I whisper in your ear?


All day and night, music,

a quiet, bright
reedsong. If it
fades, we fade.


RUMI

domingo, 15 de janeiro de 2012

STOP!

STOP!
Tens de parar!
Não vale a pena fazer rewind porque o que passou não pode ser mudado, fastforward também não pois a vida já é suficientemente curta para a vivermos à velocidade da luz.
Basta!
Carrega no stop faz um reboot e carrega de novo no play. Liberta-te dos vícios que mascaram o que és, fazem-te ser o que nunca foste, disfarçam os problemas pintando-os de outra cor por pouco tempo, deixam-te iludido.
Pára!
è tempo de viver e sentir.
Sentir o que se vive e viver o que se sente.
É tempo de fazer escolhas por mais duras que sejam. É tempo de nasceres finalmente.
És livre! Porque não aproveitas isso?
Porque vives constantemente toldado pelo medo?
Porque tens tanto poder na tua mão e desperdiças-lo a cada momento? Ama-te mais do que amas os outros!
Não te deixes para trás, faz-te gigante quando o mundo quer fazer-te acreditar que és um anão. Não és.
És tudo o que sempre sonhaste ser, no entanto colocaste a máscara de inicio e nunca te apercebeste que te esqueceste de a tirar...
Vive-te. Vive a diversidade que te preenche. Entre a beleza de um luar numa qualquer escuridão e o calor de um raio de sol numa qualquer manhã de Inverno.
Faz o que quiseres!
Mas vive!

Bruno:Carvalho
2012



They are out there, somewhere near...



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

METÁFORA

"Estou farto da minha morte!" cuspiu o Anastácio pela janela que dá para o quintal do vizinho. "Quero lá eu saber!" respondeu-lhe ele de volta eloquentemente.
A verdade é que ele estava mesmo farto da sua malfadada morte, já o tinha dito no outro dia ao Dr. Ambrósio, psiquiatra nas horas vagas, "Quero viver!" disse-lhe no mais profundo do seu deslumbramento. O Doutor conhecia muito bem casos como aquele, ao longo dos anos tinha visto muita gente viver. Disse-lhe pacientemente aos gritos "Viver não resolve nada..."
"Resolve sim senhor! Terminavam todos os meus problemas e angústias, queria apenas poder provar um pouco do seu sabor." Respondeu um sonolento Anastácio.
"Então conta-me lá. Preferias uma vida lenta ou uma rápida?" "Lenta claro! Não gosto nada de sofrer."
Anastácio passara toda a sua morte a pensar no dia em que iria viver, diziam-lhe "Morre a tua morte, não ligues a esses disparates que falam na televisão sobre a Vida."
Mas aquilo martelava-lhe constantemente a cabeça, como se o seu cérebro estivesse a ser forjado em cada momento na bigorna de um ferreiro.
Cada dia que passava o pessoal da rua preocupava-se cada vez mais com ele, viam-no a sair de casa a assobiar e a sorrir e perguntavam-se se seria a última vez que o veriam morto.
A coragem faltou-lhe inúmeras vezes mas naquele dia estava confiante que não iria falhar, escolheu bem o sítio, à beira do lago gelado esperou que alguém parasse de patinar, quando isso aconteceu acercou-se da pessoa e pediu delicadamente "Emprestas-me os teus patins?" 
Calçou os patins com pressa, demasiada pressa pois conseguiu calçá-los ao contrário, desfeito o erro pôs-se de pé e deslizou suavemente sobre o espelho gelado, sabia-lhe bem, gargalhou entusiasmado, o entusiasmo transbordou e quando deu por si encontrava-se estatelado no meio do lago, com face colada ao gelo sentiu um alívio que lhe penetrou a alma.
As pessoas à sua volta precipitaram-se para ele, entre eles um médico, aquele lago era perigoso já tinha nascido ali muita gente.
O Anastácio levantou-se e olhou para a multidão que olhava para a superfície vazia do lago, gargalhou de novo alegremente e deslizando aceleradamente gritou "ESTOU VIVO! ESTOU VIVO! Finalmente..."

Bruno:Carvalho
2012


EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...