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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

AMOR=DOR

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Dizem por aí que são borboletas aquelas cócegas que sentimos no estômago quando estamos apaixonados. Não poderia discordar mais. A mim parecem-me escorpiões, uma centena deles a picar, a libertar veneno até que o nosso coração acelerado ceda e se despedace. Quando isto acontece ficamos absorvidos dias a fio no caos dos lençóis desejando um sono eterno. Ao menos os sonhos teimam em acabar, mal ou bem, não passam disso. Perseguimos a pé carros que não tencionam parar, como tolos varremos as cinzas da nossa alma para debaixo do tapete. Somos demasiado sinceros, demasiado abertos, demasiado sentimentais.  O segredo estará talvez em controlar a tal coisa chamada esperança, sem esperança somos tudo o que ambicionamos ser. Falando através de probabilidades em 99% dos casos AMOR=DOR, que não concordar que avance com outros números e através de outra análise, apaixonados=estupidificados. Quem nos visse do espaço diria que somos obcecados por dor, gostamos. Se assim não fosse as probabilidades seriam…

TENTATIVA

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Falhei esta nova tentativa... Não aguento mais, o cansaço desmorona-me a alma E tanto fica para dizer outro tanto para sentir Rendo-me Entrego-me ao mundo escorregando lentamente das tuas mãos E que lindo foi este sonho E que doce foi esta alegria Ri-se agora a solidão Por ter feito de mim tão tolo
Este mundo não se fez de sinceridade e sentimentos Fez-se de fachadas De máscaras coladas ao rosto Num Carnaval eterno E quem sou eu aqui sozinho? Na proa do meu barco de papel Percorro o horizonte sem nada ver À espera que que o papel se faça mortalha E o mar o meu túmulo querido...
Bruno:Carvalho 2012

L'AME IMMORTELLE
"Lake Of Tears"

SURREAL

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Surreal no mínimo… É o que se pode dizer desta busca incompreendida por insanidade. Ninguém entende como uma personalidade tão equilibrada se estilhaça assim de um momento para o outro. E se o entendimento fosse possível, o que fazer com tal informação? Como divulgá-la às massas sem o perigo de uma debandada geral duma multidão em pânico. Que preço iríamos pagar? Demasiadamente elevado decerto…. A melhor solução seria portanto esconder o objecto descoberto por detrás de um mito inexplicável, amontoar as teorias num disléxico texto inconsequente e sujeito a julgamento moral. Aplaudimos aqui de longe, onde é seguro, onde apenas o que vemos nos afecta e não tanto o que sentimos. Olhamos enternecidos para a inocência da loucura exposta. Mostramos solidariedade mergulhados no nosso conforto instalados no sofá acolhedor simplesmente, mudamos de canal. A revolução não é televisionada, ao contrário da morte esta não traz audiências, traz apenas instabilidade e o perigo da alienação das massas outr…

ENIGMA

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Os pilares da minha alma ruíram O portão abriu-se e dele jorrou a dormência Os meu coração foi invadido até ao seu âmago Pela não existência, pela morte prometida.
Falo silêncio pois as palavras foram-me roubadas  Estropiado de voz sigo letárgico rumo ao fim Mais um fim de um principio que não chegou a iniciar-se Mais um ponte destruída, o rio corre célere e frio rumo ao vazio.
Relutante a mais uma investida desoladora de dor Paro, encostado ao peitoril da janela olho o abismo O enigma embrulha-se cada vez mais e a solução que não surge... A resposta está tatuada no sabor dos teus lábios.
Da janela tudo que vejo é a tela do teu corpo Jorrada na parede e não no linho da cama.
Bruno:Carvalho 2012

Foto por: Marta Araújo http://mynotinsaneworld.blogspot.com/