domingo, 15 de julho de 2012

POR AÍ ALGURES...

Amigo, nem sei como te contar isto.
Ainda me custa definir o sentimento que me assaltou tão repentinamente, estás a ver aquela sensação de choque que acontece às vezes ao sairmos do carro? Foi igual.
A sério, quando acordei naquele dia nada fazia indicar que me acontecesse esta coisa que tem tanto de fantástico como de inquietante. Quer dizer, eu já trabalho ali há dez anos e vejo-a passar quase todos os dias, mas hoje não sei o que se passou.
Será que o Universo conspira para nos atirar para determinadas situações em alturas predestinadas? 
Não sei, é tudo um mistério para mim...
Naquele dia ela vinha com um vestido amarelo, cintado por uma pequena faixa preta, os sapatos eram também pretos. Quando levantei os olhos da banca e lhe fixei o olhar pareceu que um desmoronamento houvesse caído em cima de mim, fiquei sem força nas pernas e quase caí, o que foi um bocado embaraçoso digo desde já.
Mas amigo, que bendito dia aquele. Pediu-me o jornal com fazia todos os dias e eu fiquei simplesmente perplexo e sem reacção, teve de me chamar à terra duas vezes antes que eu me apercebesse do que se estava a passar, epá que vergonha!...
O seu olhar era sem qualquer exagero tão límpido como a água nesta garrafa, quase apetecia mergulhar neles.
A sua pele era suave e quando lhe dei o troco tremeu um pouco, fiquei a pensar; será que ela me sentiu da mesma forma?
Amigo, ainda estou com essa dúvida hoje mesmo passado tanto tempo...
Mas o que interessa verdadeiramente é o presente e esse meu amigo vai de vento em poupa. Agora tenho para além de o prazer de a ver, o prazer de lhe tocar, de lhe dar a mão, de a abraçar, de a beijar, de lhe falar. É que não sei se sabes só quando podemos fazer isso tudo é que podemos verdadeiramente amar.
Eu sei que é confuso para ti, sempre foste um libertino de primeira... Mas és um bom rapaz e acima de tudo um bom amigo!
É assim amigo, vou levando a vida com gosto e calma.
Amando-a com a sorte de a nunca ter perdido.


Bruno:Carvalho
2012

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