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A mostrar mensagens de 2013

UNIVERSO

Da névoa sobre o ribeiro
da neve sob a janela o reflexo incontido do teu espaço a lembrança fiel do teu abraço.

Da aspereza do Inverno  da maquiavélica pena do inferno a morte anunciada da esperança o medo perene do fracasso.
Da espada cega da justiça escorre o sangue da guerra misturado com a prata do luar a estranha forma de querer amar.
De lágrimas é feito o meu último verso do meu ser só um e único Universo.
Bruno:Carvalho 
2013


DELIVERANCE

My soul cries out for deliverance Wanders across the vast plains of ignorance Because I’m lost without a cause I grieve for you, I cherish my loss.
Deep beneath the abyss of pain Drowning slowly underneath the rain The shower of ethereal blood drops I question myself why this pain never stops.
Deliver me in the arms of faceless angels, feel me The darkness stops me from see The amber eyes of your heavenly face
The light and colour of this beautiful place.
Bruno:Carvalho

O AMOR

Um murmúrio no escuro, uma mão presa a outra, segura e frágil ao mesmo tempo, corpos a dançar num espaço exíguo, amantes certos que haverá mais alguma coisa para além desta existência vazia.             Um olhar terno no berço de um beijo eterno, um abraço perene que teima em deixar marcas, o amor que se vive na pele, que se entranha na alma, a forma voraz pelo desejo, num mar de lençóis e suor, um misto de dor e prazer, ao mesmo tempo sagrado e profano, a heresia de ter o outro só para si num egoísmo saudável de nada mais querer, só querer amar.             A fragilidade de uma devoção que se quer ao mesmo tempo racional e passional, a incerteza que advém de uma separação que se sabe capaz de acontecer, viver no fio da espada só para saciar a ânsia de ser feliz.             Mas, às vezes perde-se tudo, o sangue gela-se nas veias, só queremos morrer, pois todo o sentido de uma existência incompleta e vazia assusta só de pensar quanto mais sentir, saber que se deu tudo por algué…

ESTRELAS

Nunca pensei que olhar as estrelas pudesse ser um acto tão doloroso, as promessas não cumpridas continuam impressas no seu brilho. A noite, sem sonhos e o mais escura possível, chuvosa, tempestuosa, para que os trovões apaguem as vozes na minha cabeça. O desespero apagou a luz de todas as velas, o romantismo varrido para debaixo de um tapete feito de esquecimento. Falta-me apenas que arranquem de mim as memórias, a lembrança do teu olhar reflectido no meu, a recordação do teu corpo contra o meu, a vibração da tua voz sussurrante no meu ouvido e aqueles arrepios de prazer que me faziam pedir por mais. Tudo se tornou agora uma tortura, a cada respiração, a cada olhar perdido no céu negro vão-se fazendo alegorias fúnebres monumentos erguidos à passagem do tempo. E assim passo o tempo, mergulhado no canto de um quarto escuro afogado no silêncio entre um trovão e outro...
Bruno:Carvalho 2013

CONTRA A CORRENTE

Contra a corrente, contra o passar dos minutos, contra a fuga à histeria em massa, convém ficarmos meio esgazeados no meio da rua para tentarmos ser atropelados pelos sonhos. Mais uma noite, mais um sonho, mais um dia de angústia. Nunca mais amar talvez, nunca mais querer escolher o caminho certo, de qualquer forma, a sul nada de novo...
Bruno:Carvalho 2013

NA PONTA DOS DEDOS

Na ponta dos dedos, na beira dos caminhos, na força motriz de uma onda que se desfaz na areia.
Somos todos uma energia, a energia imensa que nos atraí ou separa. Como nos meus malfadados sonhos, sinto-te em cada coisa viva que sorrateiramente me rodeia. Também nas palavras e nos versos com que ternamente afago o papel, cada uma corre como o sangue nas minhas veias. Juro-te. Tenho ainda aqui a marca da tua mão no meu peito, como de fogo perene fosses feita. Tenho-te em cada minuto acordado, na noite, quando tento não adormecer, para que os sonhos não te tirem de mim ao acordar. Acordado mesmo sonhando tudo se torna um pouco mais fácil. Como a última estrela que na madrugada teima em não abandonar o céu, assim és tu na linha que percorre a minha vida. Às vezes tudo parece não ter apenas um fim, mas vários fins.  Tudo parece não ter um final, mas vários epílogos que se prologam por páginas e páginas do livro que é este momento. E se por acaso passares por mim enquanto deambulo pelo jard…

O CORTE MAIS PROFUNDO

Não posso dormir, os sonhos atormentam-me com velhos demónios. Como viver neles? Como escapar aos teus lábios fantasma, que ali parecem tão reais?  Como fugir aos beijos que amadurecem a minha pele, que fazem estremecer o meu corpo? Como fingir que nunca quis o que mais quero na vida? Quero afastar o sono porque moras em cada um dos meus sonhos, sob diferentes formas, uma adaga que que me corta o pulso, um beijo que me crava o coração, um abismo que me engole. Por vezes distraio-me e adormeço no cansaço dos dias cinzentos, quando acordo e tu não estás ali ao alcance de um suspiro, de um olhar, o mundo cai à minha volta e eu volto à sorumbática missão de esquecer que existes, como se isso fosse possível. No silêncio nada pacífico da mente, imagino cenários, como se a vida fosse um peça teatral e nós os protagonistas principais. Velho louco! Sou um velho louco, desvairado por uma paixão impossível, crucificado pelo passar do tempo. O corte mais profundo será sempre o mais complicado de sarar. A …

SKYLIGHT

You lifted me from the floor
You kept me high above the abyss
You gave me peace, you gave me everything

I owe you my life
I owe you the peace inside
I cherish everything you done

The moon enters through the skylight
Bringing poetry, bringing me dreams
I will never forget your face
I will never lose your trace

Your name will be carved in my heart forever
Because people like you
Appear once in a lifetime

Bruno:Carvalho
2013

Gosto-te
Dedicated to CG

"LUCÍFERO FOGO"

Imagem
Passam dias, passam horas, passam minutos negros como a torrente suja de um rio de Inverno, como as águas turvas não voltam a passar. Oculto na minha mortalha paciente, espero por um sinal distintivo dos demais, o teu sinal.  A solidão queda-se silenciosa no entanto altiva, como uma flor insolente que não deixa ser colhida. Aguardo pacientemente de olhos velados e alma esguia, seguro a pena tremulamente, escapa-se a mão, a tinta submerge os versos num vermelho escarlate, como se o Amor de fome se tratasse e a paixão fogo perene no entanto fria como o vil metal que na carne se atravessa. De rosto oculto seguem a Musa e o Bardo, disfarçados de canções e elogias fúnebres de seguida o rouxinol e a cotovia e a fechar tão peculiar desfile o corvo e a coruja, a morte e o sono que arrepia. Desejo querer, mesmo não querendo desejar, a cada letra a voz apagada de um passado difícil de esquecer e um presente que demora a passar... Já o futuro, esse se ri além, por cima do monte, horizonte indistinto, …