terça-feira, 22 de janeiro de 2013

"LUCÍFERO FOGO"

Passam dias, passam horas, passam minutos negros como a torrente suja de um rio de Inverno, como as águas turvas não voltam a passar.
Oculto na minha mortalha paciente, espero por um sinal distintivo dos demais, o teu sinal. 
A solidão queda-se silenciosa no entanto altiva, como uma flor insolente que não deixa ser colhida.
Aguardo pacientemente de olhos velados e alma esguia, seguro a pena tremulamente, escapa-se a mão, a tinta submerge os versos num vermelho escarlate, como se o Amor de fome se tratasse e a paixão fogo perene no entanto fria como o vil metal que na carne se atravessa.
De rosto oculto seguem a Musa e o Bardo, disfarçados de canções e elogias fúnebres de seguida o rouxinol e a cotovia e a fechar tão peculiar desfile o corvo e a coruja, a morte e o sono que arrepia.
Desejo querer, mesmo não querendo desejar, a cada letra a voz apagada de um passado difícil de esquecer e um presente que demora a passar...
Já o futuro, esse se ri além, por cima do monte, horizonte indistinto, torce-se e molda-se como lhe convém como a água que jorra tímida da fonte.
Apesar de nada em ti conhecer, sinto-te nas minhas veias a ferver, como um fogo lucífero esfomeado, como uma ânsia e um desejo incontrolado.
E longa se torna a espera, no Inverno e novo Verão hão-de passar até que veja finalmente ao luar o teu rosto perfeito e nele desenhados o desejo e a paixão.

2013

For those who dwell silent in the neverending dawn...





DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...