quarta-feira, 13 de novembro de 2013

ESTRELAS

Nunca pensei que olhar as estrelas pudesse ser um acto tão doloroso, as promessas não cumpridas continuam impressas no seu brilho.
A noite, sem sonhos e o mais escura possível, chuvosa, tempestuosa, para que os trovões apaguem as vozes na minha cabeça.
O desespero apagou a luz de todas as velas, o romantismo varrido para debaixo de um tapete feito de esquecimento.
Falta-me apenas que arranquem de mim as memórias, a lembrança do teu olhar reflectido no meu, a recordação do teu corpo contra o meu, a vibração da tua voz sussurrante no meu ouvido e aqueles arrepios de prazer que me faziam pedir por mais.
Tudo se tornou agora uma tortura, a cada respiração, a cada olhar perdido no céu negro vão-se fazendo alegorias fúnebres monumentos erguidos à passagem do tempo.
E assim passo o tempo, mergulhado no canto de um quarto escuro afogado no silêncio entre um trovão e outro...

Bruno:Carvalho
2013

3 comentários:

Anónimo disse...

Absolutamente maravilhoso... Encontrei-te sem estar à espera e não consigo parar de te ler. Tens uma forma muito especial de me cativar a cada letra. Essa dor, toda essa dor, consegues transformá-la em algo tão incrivelmente belo. Adorei.

C.

Bruno Carvalho disse...

Obrigado :)

Bruno Carvalho disse...

Nada acontece por acaso ;)

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