NA PONTA DOS DEDOS

Na ponta dos dedos, na beira dos caminhos, na força motriz de uma onda que se desfaz na areia.
Somos todos uma energia, a energia imensa que nos atraí ou separa.
Como nos meus malfadados sonhos, sinto-te em cada coisa viva que sorrateiramente me rodeia. Também nas palavras e nos versos com que ternamente afago o papel, cada uma corre como o sangue nas minhas veias.
Juro-te.
Tenho ainda aqui a marca da tua mão no meu peito, como de fogo perene fosses feita. Tenho-te em cada minuto acordado, na noite, quando tento não adormecer, para que os sonhos não te tirem de mim ao acordar. Acordado mesmo sonhando tudo se torna um pouco mais fácil.
Como a última estrela que na madrugada teima em não abandonar o céu, assim és tu na linha que percorre a minha vida.
Às vezes tudo parece não ter apenas um fim, mas vários fins. 
Tudo parece não ter um final, mas vários epílogos que se prologam por páginas e páginas do livro que é este momento.
E se por acaso passares por mim enquanto deambulo pelo jardim numa destas noites, não temas, toca-me nos lábios com os teus de brisa nocturna.

Bruno:Carvalho
2013

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