domingo, 22 de junho de 2014

RAIOS DE LUZ

Raio de luz nº1
            Escutei atento, uma voz no silêncio, pensava viver um sonho mas percebi que tinha alguém a velar por mim alguém que não via mas que me prometeu que estaria sempre comigo.

Raio de luz nº2
            Quando pensei que tudo estava perdido vi a tua face reflectida na água, tu, a minha estrela brilhante numa noite de lua nova e ouvi a tua voz doce que me despertou os sentidos e então soube que nunca tinha estado sozinho, que a minha pele ainda tinha a marca dos teus lábios e o calor do teu toque, então adormeci na paz daquela surpresa…

Raio de luz nº3
            Cada passo que dava parecia que o caminho se estreitava rumo ao abismo e ao esquecimento, as pegadas que deixava na areia eram apagadas pela maré, a escuridão apertava cada vez mais, mas eis que naquela obscura noite de solidão vi uma figura que brilhava ao longe, uma jovem mulher inundada de luz, olhos de anjo e face de luar, cabelos ao vento e palavras doces de mel, quando fixei o seu olhar soube que era a minha amada, seguiu-me aquele lugar para me guiar à luz e então soube que o meu coração batia assim com força porque o meu amor era difícil de conter…

Raio de luz nº4
            … por isso deixei-o fluir, dei comigo a sonhar as curvas do teu corpo naquela praia de areias brancas onde escolhi o meu desterro, a minha viagem de aprendizagem, enterrei os meus medos para relembrar o desfrute da tua paixão, a tua figura desapareceu mas eu sabia que voltaria a encontrar-te por isso continuei firme naquela busca pelo meu verdadeiro eu e parti rumo a Sul onde as águas cristalinas iriam purificar a minha alma.

Raio de luz nº5

            Abracei-te naquele momento em que o dia se fez escuridão, afaguei o teu cabelo, sussurrei-te ao ouvido que o dia voltará a nascer, que está tudo bem para além deste momento de cansaço. Acordei inquieto, abraçava unicamente o vazio, mas sabia que eras real pois ainda sentia o teu perfume e mesmo longe estás sempre aqui e nada pode correr mal…

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O MOMENTO É AGORA

E foi assim que se passou, entre uma noite mal dormida e um dia despido de ansiedades. Um beijo por si pode dizer muito, mas muito mais diz um beijo encaixado num olhar.
Tudo pode ser confuso, mas no caos há sempre uma coisa chamada esperança, teimamos em não a perder, acima de tudo porque o nosso instinto nos impele a continuar mesmo que pareça quase impossível.
Com o passar do tempo pensamos ser mais sábios, contidos e racionais, mas nisto o tempo em nada tem influência, basta introduzir o elemento Amor à equação e fica tudo baralhado, nada mais parece ter sentido, a linha entre o que é certo ou errado torna-se ténue e frágil.
Amados, amantes, parecemos amarrados a uma dor que se mistura com a incerteza do dia seguinte, só o presente existe e mesmo este num segundo transforma-se em passado.
Por mais que tentemos decifrar um olhar, uma palavra, um beijo, uma frase ou uma flor, nada nos prepara para beleza do sorriso dado espontneamente, na sua imediatez reside comprimida todo um sentimento que é impossível esquecer.
E mesmo que o tempo passe nada nos ajuda a ultrapassar algum que só ao coração diz respeito, nem a razão nem a moralidade estéril do certo ou errado.

Bruno:Carvalho
06/2014


sexta-feira, 13 de junho de 2014

PÂNTANO

É a tua vez de jogar.
Movimenta as peças no tabuleiro, refaz a estratégia.
Um novo jogo começa não necessariamente onde o outro terminou…
Não existe antídoto para uma vitória, dispostos no terreno somos meros reflexos jamais sonhados, nunca planeados, pensamentos destroçados ao sabor da vontade própria.
Do alto da nossa presunção pensamos que nos movemos confiantes, que aquele é o passo mais certo a dar a seguir ao outro anterior que nos pareceu algo dúbio.
E ficamos de alguma forma invadidos, o nosso corpo como território selvagem desbravado por invasores, descobridores da nossa natureza, nesse momento o amor fica ali, pairando como um fantasma esquecido no campo de batalha.
Um dado novo, uma nova constante entra na equação.
Estarrecidos por aquela nova revelação ficamos inconscientes de que todo aquele novo sentimento nasceu de facto da crueldade daquele sabor amargo que sentimos por vezes na boca e não de qualquer gesto altruísta.
Movemo-nos mais facilmente no pântano que se tornou a nossa insignificante vida, por isso aqui continuamos afundados, ignorantes que ali ao lado, à distância de um pequeno passo, corre um rio solto, em forma de sorriso, em forma de palavra atirada descontraidamente sem qualquer outro objectivo ou sentido a não ser o de expressar carinho.
Ali ficamos felizes por estarmos longe da corrente, sem sabermos que somos feitos de corrente, de tempestade, de mutabilidade.
Podemos ser um momento no tempo, uma carcaça com prazo de validade, mas o que nos preenche, o que somos de verdade, não tem validade, não é um momento no tempo mas todo o tempo.
E que chegue depressa o Inverno que os céus desçam em forma de tempestade, para que a lama endurecida pelo sol possa ser dissolvida e nos liberte, pois o jogo recomeça a cada derrota e com o cheiro da terra molhada nota-se já um suave aroma a vitória.

Bruno:Carvalho



DON'T BOTHER

Don't mind me, just wandering around drawing circles in the air Don't mind me, nothingness is just a state of mind Don't bo...