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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

LUNA

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Acordei com o miar dos gatos no telhado, A noite ia ainda jovem, A luz lunar infiltrava-se por entre os buracos dos estores, E eu entre a vigília e o sono ancorava no esquecimento.
O teu corpo ao meu lado transpirava emoções Dos meus lábios brotavam sabores diversos, fantasias suspiradas Os amores soprados por quimeras perdidas Embriagado pelo teu olhar, afoguei-me no teu sorriso.
Virei o corpo no mar de pétalas espalhadas nos lençóis A luz das velas marejava o silêncio tranquilo No copo o vinho tornou-se rubi, Cor de sangue do fogo que nos consumia
Naquele abraço eterno alimentei as chamas A nossa solidão, uma ferida curada pela noite Da primeira luz derramada alimentei o prazer Do primeiro sangue oferecido alimentei a desgraça
E quando ambos metal e carne se encontraram Beijei os teus lábios e provei a morte Rasguei o véu, abri o estore, deixei a lua entrar Da luxúria do desejo desabrocharam cumplicidades
Amarrei a saudade à cama Os gatos já não miavam Luna havia partido
E ambos metal e carne suspirara…

DE TI

Sempre gostei de ver as tuas fotos, talvez porque ao olhá-las assim tão ferverosamente achasse que pudesse sorver toda alegria dos teus sorrisos, como se ao tocá-las te tornasses mais real e estivesses tão perto que te pudesse abraçar.                 Confesso não ser fácil lidar com esta distância tão próxima mas ao mesmo tempo longa, como se a linha do canteiro de flores do jardim fosse tão grande como um abismo e que aos poucos se afastava. Pois é, não é nada fácil querer-te assim em mim e ao mesmo tempo perder-te desta maneira.                 Ao tempo o que é do tempo, embora o meu tempo tenhas sido tu, e os anos falam por si, como se a primeira luz da manhã fosse a vela ao lado da nossa cama, o pardal no beiral a música baixinha no escuro e a relva do quintal os nossos lençóis.                 Lembro-me de te querer como fogo que precisa de oxigénio para crescer, lembro-me de te amar como a mulher, a única mulher que alguma vez fez sentido na minha vida.                 O primeiro b…

A LADRA DE SUSPIROS

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Roupas rasgadas, corpos dançantes num quarto docemente iluminado pelas chamas trémulas de mil e uma velas. 
Um suspiro disfarçado de êxtase, o meu corpo colado ao teu, como se de um só te tratasse, lençóis a voar no espaço vazio.
Somo nós ali, eu embriagado pela tua beleza, tu ciente desse teu poder sobre mim, um feitiço, uma palavra e o meu corpo desfalece…
Lembro-me do mel, do mel a escorrer-te entre os seios, pela barriga, rodeando o umbigo e depois escorrendo mais abaixo onde eu sofregamente o apanho com a minha língua carente, tudo isto antes de desfalecer e a minha vontade se estilhaçar em mil e um pedaços.
Os teus cabelos de luar, varrem-me as palavras da boca, como se de repente ficasse mudo, preso no teu olhar, e o teu sorriso lá, tão teu, tão nosso.
Eu e tu, numa dança incessante de prazer, paixão contida durante anos finalmente libertada, e testemunhas, apenas as velas, os lençóis, as paredes e os anjos que velam os nossos corpos fundidos.
Suspiro, atrás de suspiro, sinto que mos…