A LADRA DE SUSPIROS

Roupas rasgadas, corpos dançantes num quarto docemente iluminado pelas chamas trémulas de mil e uma velas. 
Um suspiro disfarçado de êxtase, o meu corpo colado ao teu, como se de um só te tratasse, lençóis a voar no espaço vazio.
Somo nós ali, eu embriagado pela tua beleza, tu ciente desse teu poder sobre mim, um feitiço, uma palavra e o meu corpo desfalece…
Lembro-me do mel, do mel a escorrer-te entre os seios, pela barriga, rodeando o umbigo e depois escorrendo mais abaixo onde eu sofregamente o apanho com a minha língua carente, tudo isto antes de desfalecer e a minha vontade se estilhaçar em mil e um pedaços.
Os teus cabelos de luar, varrem-me as palavras da boca, como se de repente ficasse mudo, preso no teu olhar, e o teu sorriso lá, tão teu, tão nosso.
Eu e tu, numa dança incessante de prazer, paixão contida durante anos finalmente libertada, e testemunhas, apenas as velas, os lençóis, as paredes e os anjos que velam os nossos corpos fundidos.
Suspiro, atrás de suspiro, sinto que mos roubastes todos, no entanto tantos ainda tenho para te dar, e beijos, e loucuras, e sôfrega paixão e inocente atracção.
Amanhece, um sol pálido de verão e deixas-me de novo, cansado, saciado, impotente… Adormeço, pois logo volta a noite e outro sonho febril me trará a minha doce ladra de suspiros incontidos.

Bruno:Carvalho 



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