LUNA

Acordei com o miar dos gatos no telhado,
A noite ia ainda jovem,
A luz lunar infiltrava-se por entre os buracos dos estores,
E eu entre a vigília e o sono ancorava no esquecimento.

O teu corpo ao meu lado transpirava emoções
Dos meus lábios brotavam sabores diversos, fantasias suspiradas
Os amores soprados por quimeras perdidas
Embriagado pelo teu olhar, afoguei-me no teu sorriso.

Virei o corpo no mar de pétalas espalhadas nos lençóis
A luz das velas marejava o silêncio tranquilo
No copo o vinho tornou-se rubi,
Cor de sangue do fogo que nos consumia

Naquele abraço eterno alimentei as chamas
A nossa solidão, uma ferida curada pela noite
Da primeira luz derramada alimentei o prazer
Do primeiro sangue oferecido alimentei a desgraça

E quando ambos metal e carne se encontraram
Beijei os teus lábios e provei a morte
Rasguei o véu, abri o estore, deixei a lua entrar
Da luxúria do desejo desabrocharam cumplicidades

Amarrei a saudade à cama
Os gatos já não miavam
Luna havia partido

E ambos metal e carne suspiraram um último adeus.

Bruno:Carvalho


Comentários

Trembling Light disse…
Boa escrita e não é só por ter menções a gatos e lua :)

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